sábado, 17 de janeiro de 2026

Sai da frente!

 Tic.

Tac.

Tic. Tac.

Tic-tac, tic-tac,tic-tac, tic-tac

tictic tactac tictic tactac 

tic-tac-tec-tou

Boooom!

A vida não espera a gente. 

A vida não espera o que a gente espera dela.

Não espera a hora, o momento, e nem a própria espera. 

A vida não espera nada!

Como um vendaval, uma tempestade, um dilúvio não anunciado, ela carrega casas inteiras, vai carregando morros e sonhos. 

Alguns estarão prontos, outros nunca imaginariam. Outros tentaram chegar a tempo, mas perderam tudo. 

Quando cheguei em casa, o dono da loja, a lojinha aberta, a cadeira velha e a calçada varrida, nada mais constava lá. 

Era pra ter dado tempo. Era, na verdade, para ter sobrado tempo. Era pra ter sido, talvez, no ano que vem. Mas não agora, não assim. Ele era novo ainda. 

Agora sobrou o que resta, o que ficou. A lojinha fechada, a calçada mal iluminada, os outros vizinhos ao lado da lojinha do meu lado.

Agora sobrou um vazio, que será preenchido. E o trem passou, mas não parou. Ele foi embora. 

E o tempo corre seco.

Tic.

Tac.