quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Utopia

Por que a América é América?

Em homenagem ao individuo Américo Vespúcio, navegador que constatou que o lugar onde Colombo chegara não era parte da Ásia, porém um novo continente, vulgo Novo Mundo. 
Uma curiosidade: sabe o livro A Utopia, de Thomas Morus? Foi inspirado nos relatos de Américo Vespúcio sobre as terras brasileiras e na Ilha de Fernando de Noronha. 

A Utopia - Thomas Morus (1478 - 1532)

Trata-se de uma obra clássica. Thomas Morus era amigo e discípulo de Erasmo de Roterdã. Sua abordagem tem traços da figura de linguagem conhecida como ironia. Isso porque Thomas Morus aborda o tema da política sob um viés idealizador, em que a sociedade perfeita não teria propriedades privadas, exatamente o contrário do que acontecia na Inglaterra e Europa. 
Como se sabe, o contexto influencia diretamente na obra de um escritor. Na Europa do século XVI, destituíam-se terras de camponeses visando o cultivo de pastos para colocar ovelhas e retirar lã - manufaturas... além disso, confrontos religiosos ocorriam. Por isso o caráter pejorativo em relação à administração dos Europeus. 

"Enquanto o direito de propriedade for o fundamento do edifício social, a classe mais numerosa e mais estimável não terá por quinhão senão miséria, tormentos e desespero."

Morus defende a democracia como forma legítima de governo, em que os mais velhos são considerados os mais sábios. Nessa democracia, poucos são os excluídos da política, com raras exceções. 
Os próprios nomes dos personagens não foram escolhidos aleatoriamente, encobrindo um tom sarcástico:

Capital da ilha: Amaroto ( = miragem )
Quem governa a ilha Utopia é Ademus ( = sem povo )

Thomas Morus não pretende, tal como Platão, criar uma cidade ideal, porém criticar a sociedade de sua época. 



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Esta noite

Esta noite ficarei acordada
Não pelos meus caprichos
Mas para a humanidade
e ficarei calada
Não sei mais que você
Mas para ausentar-me
E fazer-me presente
Nos locais solitários.
Pois não sou eu palavras,
não sou eu muitos gestos
e não sou eu olhares,
então respirarei profundo
Pondo o mundo aqui.
E tentarei fazê-lo
ao certo mais bonito.
Que se fosse verdade
daí seria mito.
E que à canção mais bonita
e à mais singela sinfonia
se submetam os que gritam
calados
pela miséria, medo ou injustiça,
que os afligem
mesmo que estejam em belos
mesmo que estejam
em belos
prados.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ecos

Lá de cima do terraço
Por entre as grades empoeiradas
Ouvi as vozes de pessoas
Eram crianças agitadas

Não por necessidade era
Só que eu ouvia vezes dois
O som ecoava da ruela
Junto com o vento vindo dela.

Descobri por descuido dela
Que ela quer um vestido verde
Com uma borboleta nas costas
Que enganada ela não esteja.

A chuva varreu os garotos
Para simplesmente lugar nenhum.
Já eu, fui para o meu quarto
Voltando a ouvir vezes um.

Então soou um barulho surdo
Que pra ser, não tinha razão.
Corri à janela, e na ruela:
Pequenos corpos sobre o chão.


terça-feira, 28 de maio de 2013

Essas coisas

         Anteriormente ao Barroco, as ideias da idade conhecida como "das Trevas" inibiam a produção artística e cultural. Entretanto, com o advento do Renascimento, emergia um grupo conhecido como burguesia, tendo acumulado capital por meio do comércio com o Oriente. Tal capital propiciou o financiamento, por parte da igreja, de obras artística. Nesse período, então, ideias greco-romanas passam a ser valorizadas, e aspectos como o antropocentrismo, hedonismo, além do desenvolvimento das ciências moldam um novo cenário: chama-se a tal mudança a transição da época da Idade Média à Idade Moderna. Tem-se pinturas famosíssimas, como a pintura "A Criação de Adão", de Michelangelo. Observa-se a preocupação com a anatomia humana, a proximidade da figura de Deus com a dos homens, etc.
            

               Após esse período, presencia-se eventos como a divisão da igreja católica, a partir das 95 teses criadas por Martinho Lutero. Daí há a contra-reforma, com a criação do Index, retomada da Santa Inquisição, criação da Companhia de Jesus, etc.
               Na Literatura, o Barroco vem como uma corrente artística que expressa a confusão do homem frente a duas visões de mundo completamente distintas: o de viver a vida, gozando dos prazeres mundanos, uma vez que ela é efêmera, ou seguir uma ordem cristã, uma vez que não se tinha a certeza do que viria após a morte. Isso porque a presença cristã era forte e consistente na vida das pessoas. 
                Essa angústia é presenciada nos poemas sob constantes metáforas sobre a vida envolvendo questões existenciais. A leitura é difícil, uma vez que tais poemas eram redigidos sem a intensão de atingir camadas populares porque, bem, mesmo se tivesse, a população não era alfabetizada. Aí vai um exemplo de poema barroco:

Meu Deus, que estais pendente de um madeiro,
 Em cuja lei protesto de viver,
 Em cuja santa lei hei de morrer,
 Animoso, constante, firme e inteiro:

 Neste lance, por ser o derradeiro,
 Pois vejo a minha vida anoitecer;
 É, meu Jesus, a hora de se ver
 A brandura de um Pai, manso Cordeiro.

 Mui grande é o vosso amor e o meu delito;

 Porém pode ter fim todo o pecar,
 E não o vosso amor que é infinito.

 Esta razão me obriga a confiar,
 Que, por mais que pequei, neste conflito
 Espero em vosso amor de me salvar.


         Ele é de Gregório de Matos, a principal expressão do estilo Barroco por aqui. Nota-se o conflito entre  aproveitar a vida e viver de forma santa. No final do poema, Gregório de Matos dá uma de espertinho. 
           Nos filmes e nas pinturas, o estilo Barroco assume cores contrastantes, com a presença do claro e do escuro. Na arquitetura, o Barroco também tem uma caracterização, mas dessa eu não lembro.
         Após, vem o Arcadismo. De mais fácil leitura, remonta ao estilo de vida bucólico, em contato direto com a natureza. Esse estilo surgiu, uma vez que, na Europa, com a Revolução Industrial, a poluição e o contraste com o que era e com o que passou a ser, (imagina?), maquinaria, operariado, mudança da forma de exploração da mão de obra... geraram um impacto muito grande na sociedade, e é justamente isso que o Arcadismo mostra. O eu lírico é quase sempre um camponês, um pastor, não havendo presença forte do sentimentalismo; ele é racional e descreve circunstâncias de maneira contida. Na poesia há bastante hipérbato, isto é, inversão de termos. Depois eu explico o porquê. É que tenho que pegar o caderno. 
         

sábado, 27 de abril de 2013

Pronominalização

O que é pronominalização? É até difícil de falar, não?...
Até que não, veja: Pronome. Pronominalizar. Substantivando-o: Pronominalização. Easy.

Pronominalizar é quando você, como recurso coesivo, substitui um objeto por um pronome, para deixar o texto mais claro e compreensível. Veja:

            Maria tropeçou em uma pedra. Depois, chutou a pedra para longe.
            Nesse exemplo, "a pedra" é objeto direto de chutou. Reescrevendo a frase, ficaria:

            Maria tropeçou em uma pedra. Depois, chutou-a para longe. No caso, o vocábulo "a" é um  pronome pessoal oblíquo. Utilizamo-lo porque esse faz a vez de objeto direto, enquanto que pronomes pessoais do caso reto ( eu, tu, ele, nós, vós, eles) não são admitidos com tal função na norma culta. Por isso que é gramaticalmente errado falar: "Eu vi ele", porque "ele" é objeto direto, logo, deveria utilizar-se um pronome pessoal oblíquo. Ficaria: "Eu o vi". E assim por diante.
             Cabe-se ressaltar aqui que um bom conhecimento das partes básicas de uma oração, sintáticas e morfológicas, são necessárias para se ter domínio pleno das linguagens oral e escrita.
             Obs.: Pronomes pessoais do caso reto têm função sintática, dentro de uma frase, de sujeito e predicativo.  

domingo, 16 de dezembro de 2012

Reconhecedor de erros (meditando sobre um título melhor)

João era um menino sóbrio, muito bem acompanhado, recolhia com destreza as pedrinhas do caminho e sabia quando sentar, ficar de pé ou encabulado. João lutava cada manhã que acordava por um dia mais iluminado, um dia mais puro e saudável: João era exímio no que fazia. E se empenhava.
Empenhava-se mais.
E mais um pouco.
Quem sabe um pouco mais.

João sabia da sua capacidade, do seu trabalho contínuo e da validade de seus atos. Ah, João... sentira orgulho de você. E as notícias, o que há? Nada. E as tragédias, você viu? Vi. Ei, João, não olha, um acidente: João olha. João não tem medo do que acontece porque já aconteceu, mas ele pode evitar quando passa pelas pessoas. João, tu és um anjo? João sorri. João não era um anjo, e ele sabia disso. Não poderia ser - não aprendera a voar.

Ah, João... eu me pergunto a cada dia, a cada manhã, se você realmente, em algum lugar do mundo, eu me pergunto se você pode existir, João.  Que não é um anjo, que diz sorrindo e a cada palavra abre caminhos encontrando meios de ser mais feliz. João, você irradia tua felicidade? Se irradiava, ainda irradia?

João, você já se perguntou se é feliz?
Vê se procura, João. Não tá fácil pra muita gente, não tá fácil pra encontrar. Ser feliz pode ser uma escolha ou um dom. Quem sabe possamos ser menos tristes.
Será que isso dá? Você pode, João? Você consegue?


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Dizem por aí 

Dizem por aí
Que se tem que viver a vida
Tal como ela é
Dizem que deve-se rir mais
Porém não sabem o quanto rio

Dizem por aí
Que se deve saber amar
E que isso não é como aprender
A andar a pé na rua
Sem ser atropelada
Mas eles não compreendem a amizade.

Dizem por aí
Que a sociedade é muito hipócrita
E perguntam: "Você faz a sua parte?"
Mas o meu dia-a-dia
Fora lindo sem que eu tentasse
Porque a gente já nasce fazendo.

Dizem por aí
Que não se deve seguir os instintos
Porque isso sim é liberdade
Mas quem impôs ao deus de tudo
Que eu não nascesse selvagem?

Dizem por aí
Que um mais um é dois
Mas não ensinam que a soma
Não é um fardo
Não é uma conta
É só um poema entre dois.

Dizem por aí
Que o mundo tá muito corrido
E, visando à evolução,
Rastejam sobre rodas enfurecidas
Só que eu descanso lá na frente.

Dizem por aí
Que é tudo muito lindo
E mesmo que não pareça
E mesmo ainda se parecer
Eu realmente não importo.
A vida é em todos os sentidos sublime
E neste aspecto eu concordo 
Como o que todos eles dizem.

O que vamos dizer agora?
"Penso, logo existo. "


quarta-feira, 16 de maio de 2012

       Agora eu pensei 
        Que arte que é arte
         Não precisa de algo pra existir
           Só que arte que é arte que é vida
             Se apoia em mundo, se apoia em arte, se apoia em gente
               Daí ela existe e sobrevive
                 Não sei se foi por isso
                   Que de repente eu me senti contente.


         Arte que é arte não é arte
          Arte que é arte é gente!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um pote cheio (vazio)

            Esquecera de deixar de lado, de abrir um pouco a mente, mas não demais. De que adianta se esforçar por uma causa desfocada? Se tecla como quem pinta, se digita como quem canta...
            Há quem diga que existe método pra isso. Há quem diga que existe meios em geral. Há quem diga verdades e inverdades, digamos assim. Mas todas elas são relativas.
             Todo e qualquer homem deveria ser grato por não ter nascido planta ou animal irra. Somos ra, se me entende.
            Todo mundo, GERAL em língua falada, deveria ter um tempo pra escolher. I mean, pensar. Depois, que se dane, vai viver (cacete). Afinal, se não trabalha, não vive. Mas é impressionante. Acham que você TEM que se adaptar. Que tem-se que conviver com aquilo. Com isso.
            Daí, viriam os heróis verdadeiros, as ideologias verdadeiras, uma visão verdadeira do que é o quê, e não uma passada por tudo isso. Não se trata de uma vontade. Trata-se uma deficiência agora.
             Nossos pais não viram isso, muito menos nossos avós. E você sabe o porquê? Porque não se pode encher um pote antes cheio sem que se tire algo de lá.


           
           

quarta-feira, 25 de abril de 2012

       
          Ampola de temperamento


             A cada palavra segurava-se na cadeira tentando manter a calma, dando irrelevância ao que eles diziam e ao mesmo tempo tendo que fingir estar escutando aquilo, como quem concorda com todo o resto. Mas (ela) estaria chegando para que pudesse escapar daquele lugar idiota. Ah... poucas vezes tivera tantos momentos tão afetivos como os de agora, e...
-E você, também acha caro? - Perguntava-lhe uma voz familiar, que passara despercebida até aquele momento. Ou será que era ele quem ficara distraído demais? Teria que ter uma boa resposta, porque até agora não havia dado pistas de sua distração momentânea.
-Desculpe, acho que não estou muito bem... se não fosse falta de educação, poderia dirigir-me ao banheiro, se houver um por aqui? - Respondeu, temendo que desconfiassem , o que, para seu alívio, não aconteceu.
-Olha, está vendo aquela sala? Entre nela e você vai ver um corredor. Siga-o e entre à segunda porta a sua esquerda, a menos que queira entrar no banheiro das meninas. - disse ela, num tom quase grosseiro. Para ele, ao mesmo tempo perturbador e caótico. Aliás, tudo que saísse da boca daquelas criaturas seria, no mínimo, irritante. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

               Não é que seja fraco. É que existem coisas para cada lugar do universo.
O MENESTREL

(Não fui eu quem escreveu isto)
Um dia você aprende que... 

Depois de algum tempo você aprende a diferença, 
a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. 

E você aprende que amar não significa apoiar-se, 
e que companhia nem sempre significa segurança. 

E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas. 

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
e olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança. 

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, 
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, 
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. 

Depois de um tempo você aprende que o sol queima
se ficar exposto por muito tempo. •.
E aprende que não importa o quanto você se importe, 
algumas pessoas simplesmente não se importam... 

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, 
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. 

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. 

Descobre que se leva anos para se construir confiança
e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas em um instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida. 

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias. 

E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você é na vida. 

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. 
Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam, 
percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, 
ou nada, e terem bons momentos juntos. 

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida 
são tomadas de você muito depressa, 
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos
com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. 

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, 
mas nós somos responsáveis por nós mesmos. 

Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que você mesmo pode ser. 

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, 
e que o tempo é curto. 

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo,
mas se você não sabe para onde está indo,
qualquer lugar serve. 

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, 
e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, 
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, 
sempre existem dois lados. 

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, 
enfrentando as conseqüências. 

Aprende que paciência requer muita prática. 

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute 
quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. 

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência 
que se teve e o que você aprendeu com elas
do que com quantos aniversários você celebrou. 

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. 

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, 
poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia
se ela acreditasse nisso. 

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, 
mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. 

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer 
que ame, não significa que esse alguém não o ama, 
pois existem pessoas que nos amam, 
mas simplesmente não sabem como demonstrar isso. 

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, 
algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. 

Aprende que com a mesma severidade com que julga, 
você será em algum momento condenado. 

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, 
o mundo não pára para que você o conserte. 

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. 

Portanto,plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. 

E você aprende que realmente pode suportar... 
que realmente é forte, e que pode ir muito mais
longe depois de pensar que não se pode mais. 

E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida! 

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem
que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar. 




         

quinta-feira, 5 de abril de 2012

              Aprendi a gostar desta música pelo trecho de O Primo Basílio, um romance português de Eça de Queirós. Aí está:






Música antiga, não?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

            Daqui a um dia e algumas horas será oficialmente o meu décimo sétimo ano de vida completos. Sabe o que me agrada nisso? Eu gosto dessa idade. Sabe o que não me agrada? Nem eu.
            O fato não é a idade, é o meu estado de espírito.

          ...Alguns anos atrás em algum lugar perdido do espaço...

            Hei mãe, já estamos em Abril? Ainda não, falta muito? Trinta? Trinta dias são muitos? Passa rápido? Não, mãe, passa devagar, vai demorar muito ainda...
            Me apoiava no armário para enxergar mais alto e riscava um quadradinho. Ao todo, eram quatro em horizontal e cinco na vertical, o que significava faltar ainda mais 19 dias. Esses foram um dos poucos momentos da minha infância em que a matemática esteve presente como uma coisa satisfatória, mas ela estava lá, ao menos. E então, dois quadradinhos antes do grande dia, eu já estava praticamente surtando de emoção. Confirmem com a Débora, que me conheceu na 5ª série.

             Daí os quadradinhos foram acabando de vez, nas folhas e na mente. E de quadradinhos só sobrou os cubos com seus a^3 etc,etc,etc.
           ...E até que eu gosto, sabe?

          "Algumas pessoas não deveriam pensar sobre determinados assuntos. Isto poderia ser uma premissa para uma futura mutação, quem sabe seleção natural."


            Mas, sabe, eu acabei pensando.

            Pensei o porquê de as pessoas ficarem não tão felizes com o aniversário ao ponto de não festejarem. Como?  E tentei ver o mundo pelo ponto delas.
             A operação foi um sucesso. Eu consegui e as compreendi perfeitamente. Só tem uma coisa: eu não sabia onde eu iria chegar com isso, que significou a origem do final dos quadradinhos. O ponto inicial. O Big-bang. A origem do mal. UMA SALADA MISTA.



             Depois de ler isso você me pergunta: e daí, o que você quis dizer com esta história?
             Eu quis dizer que o armário mudou, as folhas sumiram e os quadradinhos da folha saíram de lá, se materializaram em tudo que vejo, que penso e que escrevo. Aqui estão os quadradinhos, podem ver? Mas relaxa. Se nunca houve quadradinhos em sua vida em uma folha de papel A4 em que para riscá-los você precisava se apoiar num guarda roupas, não é o fim do mundo. Com certeza houveram outras coisas, você só nunca encarou-as desta forma. Pense no cachorro, na pedra, no anel mágico que você perdeu (aliás, eu perdi um mesmo), na esquina que não sai da sua mente por algum motivo desconhecido. Um cheiro, uma cor, um ruído, uma textura. Um sonho. Uma esquina.

           Certas coisas exigem idade pra você falar com autoridade, mas até la, ainda há muitos quadradinhos para serem riscados.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Seria mais fácil

Seria mais fácil
Se nascêssemos com um manual
De instrução em nossas mãos
Daí seria simplesmente aprender a ler.

Ou então nossos objetivos fossem nítidos
Como se não existissem dificuldades
Que, mesmo quando não as vê
Ainda sente externamente.

E, embora haja dificuldades,
Seria bom que existissem
Mas eu fosse tão coerente
Que só faria o que eu quisesse.

Mais fácil ainda seria se eu acreditasse
Que conseguiria viver pelo que eu acredito
Mas se nem em verdades eu me apoio
Em pessoas também não pode ser.

Então eu coloco estas tais chaves
Na palma da minha mão agora:
Um manual, uma nitidez, uma coerência,
uma verdade.

Mas como chaves que fecham portas
Me delicio com uma ideia
Se o que abre agora tranca
O que te para agora avança.

É uma frase bem desgastada
Cantada em mil e um idiomas
Porém concordo, logo, então, so:          (o que é isso?)
"But if you never try, you'll never know".


Sem pensar fica mais fácil
Fazer tudo mais bonito
Como quando tu lembrastes
De sorrir o teu sorriso.

Mesmo passando por vilas
Indiscretamente nuas
De uma palidez medonha
Vedados, soavam plumas.

Não somos feitos de papel
E eu nunca vi um nada existir
Seríamos tão perfeitos loucos
Loucos pela vida em si.

Viver é um dom inteligente
Qualquer um pode falar:
Por que não ser como é
Eu quero que você, então, fique.

Mesmo que um instante não seja suficiente
Pra que você possa agradecer
Ao menos respire profundamente
E guarde o ar no teu viver.

Eu não estou olhando com os meus olhos
Isso seria um absurdo com certeza
Eu apenas peço a clareza
Pra modelar-te sem incertezas.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O que eu espero de 2012

          Olá.
          Eu não sei se eu deveria estar escrevendo aqui, levando em conta que hoje é um dia especial. Hoje é o último dia do ano, para quem não tem TV em casa. Nem calendário. Nem relógio. Nem internet. Nem...
         E, como sendo este um momento (especialmente?) único, gostaria de reservar um tempo para os meus dedicados leitores que não me abandonam nunca, jamais.
         Como eu faço isto? Lá vai.

 Que este ano não seja mais um ano
 Pois se perderá entre os milhares
 Então dedico o último verso da estrofe
 Para pedir que seja um milagre.

 Talvez eu esteja exagerando um pouco
 Para os realistas tenho que falar:
 Que os políticos não sejam tão egoístas
 E parem de os seus próprios salários aumentar.

 E que construam pontes, viadutos,
 Pistas lisas, aeroportos, tudo!
 Mas que as pessoas não passem fome
 Pois para a vida serve o estudo.

E que as maiores tolices deem passagem
Para assuntos bem mais relevantes
Um ano novo chega de repente
Para abrir os nossos horizontes.

Então, é isso que eu penso agora
Para um mundo mais do que globalizado.
Que as luzes que anunciam o romper de um ano
Brilhem até para os invertebrados.


Bem, esta última parte eu tenho que mudar, mas eu também tenho as minhas prioridades...

Gente, desejo a todos um 2012 maravilhoso, único e inesquecível.
Acabaram de anunciar os números da megacena, mas eu nã apostei, então...
Tchau!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Humanos não podem ser robôs, nem se pudessem.

       Hoje eu fiquei afim de escrever, o dia inteiro. Isso se deve provavelmente ao fato de eu ter lido umas coisas meio sem nexo, logo de manhã, como as que eu costumava escrever. Eu achava o máximo, até ouvir de uma professora que não era exatamente "aquilo" o que os intelectuais chamam de uma boa redação. Eu odiei pensar que tudo o que para mim era perfeito na verdade não passava de lixo.
       E isso também me fez lembrar as contas vindas de algum espaço sideral que eu mostrava ao professor imaginando: "Nossa, eu devo ter feito uma fórmula nova com algum novo conceito", mas tudo que vinha daquele olhar vago era um simples: "o que você fez aqui? Pra mim isso são só números, você tem que me mostrar a resolução." E era só isso a que se resumiam horas de especulação e enigmas.
       Hoje eu acho que com tantos problemas os quais a sociedade enfrenta, não devemos nos indagar sobre coisas definitivamente irrelevantes se realmente buscamos algum conforto e humanidade aos nossos descendentes.
       Mas a questão não é uma invariável qualquer a qual damos as costas ou nos propomos desvendar. Trata-se da questão "o que é definitivamente irrelevante" enquanto não visto e analisado por seres inteligentes. Digo, gênios. E  que é o gênio se ele não propor algo novo e reinventar uma maneira de olhar as coisas, obviamente uma maneira mais fácil?
      As escolas deveriam ser um sistema mais bem organizado. Os alunos deveria sair já sabendo quem são e qual será sua função na construção de um futuro e também num presente melhor. E, mesmo que as escolas tornassem-se este exemplo de competência e ordem, a sociedade ainda teria que juntar-se e cultivar sua humanidade.
      A ordem não tem valor se não há esperança. O progresso não tem valor se não há paz. Nem a paz tem valor se as pessoas tornam-se frias. Pois robôs, sim, são frios, e eles podem ser reprogramados tão facilmente que nem vale a pena arriscar.