Não que fosse necessário, mas meu pedido único é que imagine, caro leitor, ao menos por hora. Então lá vamos nós. Para que vivesse bem, ele não era capaz de desimportar. Tudo em sua plenitude, em sua necessidade, lhe consumiam as forças. O ar que respirava. A fita que sobrava. A mensagem não lida ou lida. A hora do almoço. A necessidade de conseguir, a falta crônica. Tudo o era preenchível, deixando-o um pouco de tudo.
Contudo, de tanto recolher respostas, perdera-se em suas próprias ponderações. Não sabia mais onde estava, quem se tornara. Sua juventude estava ameaçada. Sentia-se como um quadro surrealista.
Foi aí então que soube. Caro leitor, compreenda, o intuito aqui não é abordar o modo como ele soube, se me permite abafar sua curiosidade, mas não é isso, é que tenho outras tarefas para fazer. Porém, vou abrir uma exceção para evitar dismorfias no corpo do texto. Após ultrapassar uma porta, uma porta em um beco por onde o personagem nunca havia entrado. Então, aí, ele pôde ver seu futuro, de algum modo. ele pode sentir-se ali. E ele sentiu algo que seus hábitos não o proporcionavam, nem sua coleção de certezas: Calma.
E, sabendo que ficaria tudo bem, ele fechou a porta. Mas não a transpassara! Voltou pelo mesmo beco por onde entrara, e caminhou. Ao olhar para trás, o beco não mais ali estava. Fora um sonho?
Chegou em casa, tirou os sapatos. pensou em coloca-los na mesma prateleira onde sempre colocava. Mas os deixou do lado de fora, perto da porta, jogados no chão. Pensou em esquentar a comida. Um impulso o fez postergar para dali a pouco. Andou. Jogou-se no sofá. Fechou os olhos por um instante e sorriu, sem querer, pois era como se uma brisa leve tocasse seu rosto, numa tarde de calor, afagando seus cabelos gentilmente.
Ele sabia! Estava tudo certo. Sem pressa, aos poucos, tudo tem sua hora, pensou, e, mais do que isso, sentiu. Ainda podia sentir a sensação de estar do outro lado da porta. O seu futuro estava ali, o esperando, para recebe-lo. E sentiu-se tão grato que, por tanta gratidão, decidiu dar ao presente sua calma, pois com sua calma, ganharia também seu coração, colocando-o em tudo que fizesse, não para depois, mas a partir de agora, pois o futuro começa daqui a pouco.
E, assim, fechou os olhos, seguro de que, por mais que aquela sensação passasse, ele não esqueceria, e jurou depositar a sua fé no dia de hoje. Pois, naquele momento, teve a certeza de ser uma boa pessoa. Não precisou mais recolher emoções, histórias, sentimentos. Ele era ele. Ele não era a competição que ele sentia ao redor. Ele não era o número de vagas. Ele não era a pressão que ele mesmo se impunha. Ele era o presente dele mesmo e dos outros, no presente.
Qualquer coisa que vem à minha cabeça. Aqui, você pode encontrar desde uma obra prima até uma obra. Bem vindo e retire os sapatos! Você está entrando nos meus pensamentos. Uhauhauhahuah
segunda-feira, 30 de abril de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Se tem uma palavra da língua portuguesa que é gostosa de sentir é ternura. Pra mim, ternura é a expressão do amor. Ternura é inatingível se não for genuíno. Apesar disso, eu vejo ternura em situações bobas do dia a dia.
Sinto ternura e é quando vejo que amo minha avó, única viva por parte de pai e de mãe, quando ela escreve no whattsApp sozinha, sem que ninguém a ajude, em sua casa, falando que está "em horacao por todos voces". Assim, sem til, sem cedilhado no "c", sem acento circunflexo. Porém a horacao dela teve muito mais charme porque eu sei do seu verdadeiro sentido. Eu sei que a horacao não será apenas escrita, que ela será sentida, feita e desejada. Sei do amor que existe por trás de cada palavra na minha tela que aparece. Sei que tudo isso é fruto da inteligência dela e da vontade de estar perto das filhas, mesmo com suas seis casadas e já com seus próprios filhos. Apesar dos seus esquecimentos, da sua eventual tristeza ocultada, do esforço para andar, das breves, porém presentes, reclamações pontuais. Minha avó conta suas histórias como se tivessem sido vividas ontem. História de vida bem triste, porém repleta de superação que é o pilar de uma família grande, se construindo. Muito foi feito porque ela se superou. E hoje está aí, no WhattsApp, enviando mensagens, preocupada com as filhas que voltam tarde pra casa e com os netos. E ainda sorrio com suas mensagens: desorganizadas, surpreendentes, fora de ordem, desconexas, que quase ditam o esforço do aprendizado. Mas uma hora, a mensagem vai, e a gente lê, todo bobo, com carinho. Desse tipo de avó que dá mesmo vontade de abraçar pra sempre. Uma mensagem pra cada filha, e sempre uma oração pra todo mundo, ou horacao, que é a melhor dos mundos.
Outra forma boba de sentir ternura é com o segurança da porta de entrada dos fundos da minha faculdade. Normalmente, ele estaria ali hoje, mas deve ter sido promovido a guarda da frente, pois mudou de posição. Fui indo como sempre pra faculdade, mochila nas costas, com um Sol bonito no céu. Passando pelo portão, lá estava ele de guarda, como sempre, e eu, já acostumada. Então ele me acenou e disse: "boa aula!" e sorriu. Foi um gesto simples, porém me transmitiu uma tranquilidade e retidão, e ternura, que poucos bons dias são capazes de oferecer. E eu vi como eu sou mesmo boba, quando no ano passado, quando eu disse isso à minha terapeuta, ela riu, e eu, rindo, quase chorei, foi por pouco. Porque o amor é fácil de ser transmitido, só não é fácil estar aberto para isso, a ponto de percebê-lo. Quando você o percebe, você o multiplica, porque ele é contagioso. Mas não se pode cultivá-lo em laboratório, precisa-se vivê-lo se quiser usufruir de seus benefícios, e ensiná-lo.
Sinto ternura e é quando vejo que amo minha avó, única viva por parte de pai e de mãe, quando ela escreve no whattsApp sozinha, sem que ninguém a ajude, em sua casa, falando que está "em horacao por todos voces". Assim, sem til, sem cedilhado no "c", sem acento circunflexo. Porém a horacao dela teve muito mais charme porque eu sei do seu verdadeiro sentido. Eu sei que a horacao não será apenas escrita, que ela será sentida, feita e desejada. Sei do amor que existe por trás de cada palavra na minha tela que aparece. Sei que tudo isso é fruto da inteligência dela e da vontade de estar perto das filhas, mesmo com suas seis casadas e já com seus próprios filhos. Apesar dos seus esquecimentos, da sua eventual tristeza ocultada, do esforço para andar, das breves, porém presentes, reclamações pontuais. Minha avó conta suas histórias como se tivessem sido vividas ontem. História de vida bem triste, porém repleta de superação que é o pilar de uma família grande, se construindo. Muito foi feito porque ela se superou. E hoje está aí, no WhattsApp, enviando mensagens, preocupada com as filhas que voltam tarde pra casa e com os netos. E ainda sorrio com suas mensagens: desorganizadas, surpreendentes, fora de ordem, desconexas, que quase ditam o esforço do aprendizado. Mas uma hora, a mensagem vai, e a gente lê, todo bobo, com carinho. Desse tipo de avó que dá mesmo vontade de abraçar pra sempre. Uma mensagem pra cada filha, e sempre uma oração pra todo mundo, ou horacao, que é a melhor dos mundos.
Outra forma boba de sentir ternura é com o segurança da porta de entrada dos fundos da minha faculdade. Normalmente, ele estaria ali hoje, mas deve ter sido promovido a guarda da frente, pois mudou de posição. Fui indo como sempre pra faculdade, mochila nas costas, com um Sol bonito no céu. Passando pelo portão, lá estava ele de guarda, como sempre, e eu, já acostumada. Então ele me acenou e disse: "boa aula!" e sorriu. Foi um gesto simples, porém me transmitiu uma tranquilidade e retidão, e ternura, que poucos bons dias são capazes de oferecer. E eu vi como eu sou mesmo boba, quando no ano passado, quando eu disse isso à minha terapeuta, ela riu, e eu, rindo, quase chorei, foi por pouco. Porque o amor é fácil de ser transmitido, só não é fácil estar aberto para isso, a ponto de percebê-lo. Quando você o percebe, você o multiplica, porque ele é contagioso. Mas não se pode cultivá-lo em laboratório, precisa-se vivê-lo se quiser usufruir de seus benefícios, e ensiná-lo.
terça-feira, 24 de abril de 2018
Talvez se eu desconhecesse o ódio, eu sofresse menos com ele. Se eu desconhecesse a inveja, talvez eu fosse menos afetada, e pudesse viver minha vida sem percalços. Se eu desconhecesse a desigualdade, eu viveria com menos pesar em minha consciência. Se eu desconhecesse a cobiça, talvez eu precisasse pensar menos. Se eu desconhecesse a maldade, talvez eu sorrisse mais como sorria quando criança.
Contudo, conhecendo o ódio, eu posso disseminar o amor. Conhecendo a inveja, eu posso me blindar e não alimentá-la. Conhecendo a desigualdade, posso lutar por um mundo mais igual. Conhecendo a cobiça, posso cobiçar o bem. Conhecendo a maldade, posso me prevenir que algo de mal aconteça e estar mais preparada para situações futuras.
Não vivemos apenas nossos desejos, vivemos a realidade, e estamos aqui não para ignorá-la, mas para fazermos parte dela e transformá-la ativamente. Para isso, vivemos.
sexta-feira, 9 de março de 2018
A saudade não é de casa, é do que eu recebo lá.
O mundo é muito necessitado. A todo o tempo você é requerido, suas habilidades, suas ideias. Sua força. E pouco te dá. O quanto você trabalha de graça e o quanto você recebe sem que peça? Esta conta está desproporcional para o lado que você sabe qual é.
Por isso, este final de semana, eu queria voltar pra casa. Porém o carro não está aqui, ficou na vistoria do seguro para avaliação de um amassado.
Porém a semana que vem é de provas, e eu não tenho tempo pra ficar passeando por aí.
Porém eu vou fingir que eu queria mesmo ficar aqui, e até que não sei se é mentira.
O problema, daqui, é que eu não recebo.
Pensei que as relações humanas fossem mais fáceis. As pessoas fingem muito serem o que não são são, e não te dão, portanto, o que elas enganam ter.
Justamente por isso, esse fim de semana, você já sabe.
(Queria voltar pra casa!)
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
De chata pra emocionante
Se você pensa que estudante de medicina é aquela estereotipia de um sujeito que alguns dias veste-se impecavelmente e, em outros, mais parece que esqueceu o pijama no corpo, com a maquiagem à prova d'água de olheiras no rosto e de aspecto cansado, mas sempre de pé, fazendo perguntas e anotando a aula........ você está completamente correto, é isso mesmo que somos.
Atualmente, a estudante de Medicina que sou está no nono período da faculdade, foram 4 anos que podem ter passado rápido a olhos distraídos, mas cada período cursado durou exatamente o tempo que cada período tem.
O presente período é um misto de, primeiramente, incertezas, por estrear um novo ciclo - o internato! -, felicidades, pela oportunidade de lidar mais frequentemente com o paciente, fortalecendo o aprendizado na relação médico-paciente, e criando mais confiança durante as consultas, e decepções, quando a realidade não condiz com suas expectativas, e há dias em que o aprendizado não nos alcança, e voltamos pra casa com uma sensação de incompletude.
O internato da minha faculdade funciona da seguinte forma: a turma que antes era composta por 50 alunos é dividida em 3 grupos de aproximadamente 17 pessoas, os quais rodam em diferentes cenários da prática médica, alternando em especialidades. No meu atual rodízio, estou nas especialidades: Ginecologia e Obstetrícia, Dermatologia e Genética Médica.
Contudo, neste texto, pretendo falar somente sobre o dia de hoje em Genética Médica, o meu 2º dia de atendimento nesta especialidade pouco falada.
No turno da manhã, eu e outras 4 colegas atendemos um paciente de 3 anos com investigação de Transtorno do Espectro Autista - TEA. Pode-se investigar, porém o diagnóstico de Autismo não é dado antes de a criança completar os 6 anos de idade, porém medidas terapêuticas já podem ser tomadas ao indício de atraso de desenvolvimento neuropsicomotor.
À tarde, tivemos aula teórica com o professor médico Pediatra Neonatologista Geneticista. Como os horários do rodízio não são muito respeitados, pois somos liberados depois da hora muitas vezes, além do assunto ser dado massivamente, muitos alunos reclamam deste rodízio. De fato, é bem cansativo! Mas isso não vem ao caso... Falemos de coisas boas! Nesta aula de hoje, falamos sobre síndromes cromossômicas e um dos transtornos apresentados foi a Síndrome de Down, causada pela trissomia do cromossomo 21 (por isso que o dia da Sd de Down é dia 21 de Março!!!! Descobri isso hoje também hahaha). Tal aula, densa como é, poderia tocar alguém? Se emocionar com Genética? O quê??
Ah, mas não se trata apenas de genética. O professor começou a falar sobre a Síndrome, que não é sempre que a habilidade intelectual é afetada, alguns fazem faculdade, têm relacionamentos normais, etc etc etc. E um ponto que chama minha atenção é que esse professor não se limita às adversidades de qualquer doença ou condição, ele aponta também as qualidades positivas, singularidades. Apontou, por exemplo, que crianças com a Síndrome alcoólica Fetal estão sempre alegres, felizes, sabia? E pacientes com Sd de Down adoram e precisam de carinho, cuidado, adoram abraçar os outros, e que em uma das consultas um paciente olhou para ele e disse: "Eu te amo" no meio da consulta, "do nada". E isso tudo me emocionou, porque é muito genuíno uma pessoa fazer isso, e justamente quem sofre mais preconceito da sociedade é capaz de demonstrar tanta afeição pelo próximo, inesperadamente. Eles são capazes de nos surpreender, e, na sociedade em que vivemos, a programação da vida dia após dia pode mecanizar até mesmo o que deveria ser espontâneo, como os sentimentos. Quem não segue estritamente os preceitos vividos na sociedade atual, demagoga, politicamente correta, seja por uma condição genética ou não, nos mostra um lado que por vezes esquecemos existir, a espontaneidade, que não é crime, mas por vezes, aparenta ser.
E foi isso que me tocou, na aula de Genética, às cinco da tarde.
Quem diria.
Atualmente, a estudante de Medicina que sou está no nono período da faculdade, foram 4 anos que podem ter passado rápido a olhos distraídos, mas cada período cursado durou exatamente o tempo que cada período tem.
O presente período é um misto de, primeiramente, incertezas, por estrear um novo ciclo - o internato! -, felicidades, pela oportunidade de lidar mais frequentemente com o paciente, fortalecendo o aprendizado na relação médico-paciente, e criando mais confiança durante as consultas, e decepções, quando a realidade não condiz com suas expectativas, e há dias em que o aprendizado não nos alcança, e voltamos pra casa com uma sensação de incompletude.
O internato da minha faculdade funciona da seguinte forma: a turma que antes era composta por 50 alunos é dividida em 3 grupos de aproximadamente 17 pessoas, os quais rodam em diferentes cenários da prática médica, alternando em especialidades. No meu atual rodízio, estou nas especialidades: Ginecologia e Obstetrícia, Dermatologia e Genética Médica.
Contudo, neste texto, pretendo falar somente sobre o dia de hoje em Genética Médica, o meu 2º dia de atendimento nesta especialidade pouco falada.
No turno da manhã, eu e outras 4 colegas atendemos um paciente de 3 anos com investigação de Transtorno do Espectro Autista - TEA. Pode-se investigar, porém o diagnóstico de Autismo não é dado antes de a criança completar os 6 anos de idade, porém medidas terapêuticas já podem ser tomadas ao indício de atraso de desenvolvimento neuropsicomotor.
À tarde, tivemos aula teórica com o professor médico Pediatra Neonatologista Geneticista. Como os horários do rodízio não são muito respeitados, pois somos liberados depois da hora muitas vezes, além do assunto ser dado massivamente, muitos alunos reclamam deste rodízio. De fato, é bem cansativo! Mas isso não vem ao caso... Falemos de coisas boas! Nesta aula de hoje, falamos sobre síndromes cromossômicas e um dos transtornos apresentados foi a Síndrome de Down, causada pela trissomia do cromossomo 21 (por isso que o dia da Sd de Down é dia 21 de Março!!!! Descobri isso hoje também hahaha). Tal aula, densa como é, poderia tocar alguém? Se emocionar com Genética? O quê??
Ah, mas não se trata apenas de genética. O professor começou a falar sobre a Síndrome, que não é sempre que a habilidade intelectual é afetada, alguns fazem faculdade, têm relacionamentos normais, etc etc etc. E um ponto que chama minha atenção é que esse professor não se limita às adversidades de qualquer doença ou condição, ele aponta também as qualidades positivas, singularidades. Apontou, por exemplo, que crianças com a Síndrome alcoólica Fetal estão sempre alegres, felizes, sabia? E pacientes com Sd de Down adoram e precisam de carinho, cuidado, adoram abraçar os outros, e que em uma das consultas um paciente olhou para ele e disse: "Eu te amo" no meio da consulta, "do nada". E isso tudo me emocionou, porque é muito genuíno uma pessoa fazer isso, e justamente quem sofre mais preconceito da sociedade é capaz de demonstrar tanta afeição pelo próximo, inesperadamente. Eles são capazes de nos surpreender, e, na sociedade em que vivemos, a programação da vida dia após dia pode mecanizar até mesmo o que deveria ser espontâneo, como os sentimentos. Quem não segue estritamente os preceitos vividos na sociedade atual, demagoga, politicamente correta, seja por uma condição genética ou não, nos mostra um lado que por vezes esquecemos existir, a espontaneidade, que não é crime, mas por vezes, aparenta ser.
E foi isso que me tocou, na aula de Genética, às cinco da tarde.
Quem diria.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
Degradê celino
Na minha época de colégio conheci um garoto fino, educado, intuitivo, na medida. Aos poucos ele ia tornando-se mais, e gradualmente, tornava-se menos, e até que às vezes desaparecia, para n'outro dia reaparecer, e todos achavam isso um pouco estranho, mas ele era adorável, e logo todo mundo simpatizava novamente com ele.
Estava entre todos nós, gostava de se inteirar dos assuntos, olhos vívidos, tão vívidos, que chegava a alcançar quase tudo... e, depois, como quem cansa, ele se afastava, se omitia, mesmo que ali permanecesse - não chamava tanta atenção, seu humor era mais selvagem, mais denso e frio. Mas sempre estava ali para quem o procurasse e quisesse ver.
Havia dias, geralmente no inverno, dias nebulosos, em que ele parecia escorrer por entre nós. Poderíamos pensar que estava ali, mas, já que nossos olhos não o alcançavam, ele dava uma escapulida, e tornava-se o que não podemos imaginar, afinal de contas, suas possibilidades eram muitas, apesar de não sabemos quais, exatamente.
De uma sabedoria e inteligência ímpares, indecifráveis, que não se espera encontrar em ninguém, quanto mais em um adulto jovem. Escutava muitas histórias, ouvia muito de muita gente... Apesar disso, sua boca era um túmulo, e fofoca não o transpassava. ( Na verdade, ele acabava por ouvir tudo mesmo, ainda que não dissessem diretamente a ele, talvez, isso, até hoje).
Então, certa vez, fui espiar para entender melhor o que ele era, pois, curiosa como sou, notei muitas peculiaridades naquela criatura e, para a minha surpresa, meu amigo de um salto criara asas! Voou, voou, voou, tão alto que, quando pude perceber, ele se transformara em céu, um céu em degradê, de fim de tarde, bonito, mas escurecido, tonalizado gradativamente com azul acinzentado, azul escuro, azul marinho, azul claro, amarelo e abóbora, até o morro. Quis saber mais sobre ele, só que não pude mais alcançá-lo, estava longe...
Desde então, não mais o vira.
Só sei que Celino estará sempre aqui, de ouvidos bem abertos, de braços abertos, todo acalourado como sempre, querendo saber de tudo e com o olhar curioso de como quem tem um mundo inteiro pra saber como cuidar.
Desde então, não mais o vira.
Só sei que Celino estará sempre aqui, de ouvidos bem abertos, de braços abertos, todo acalourado como sempre, querendo saber de tudo e com o olhar curioso de como quem tem um mundo inteiro pra saber como cuidar.
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
Espero que o cansaço não se torne ausência.
Que o esforço não seja sinônimo de cansaço.
Que não seja necessário medir esforços.
Espero que a luta seja quente
Que a batalha seja conjunta
De modo que a harmonia seja sentida gradualmente.
Que harmonia venha de fora pra dentro,
De dentro pra fora,
Multidirecional,
Sem que se pare pra pensar sobre isso.
Que seja sutil como as estações do ano
Que brilhe ao final de cada entardecer
Assim como "The golden Hour"
Que se viva a luz mais bela.
Que não seja necessário explicar
Mas que seja, somente - por inteiro
E que, sendo, também estejamos
De corpo e alma, como sem receios.
Que o esforço não seja sinônimo de cansaço.
Que não seja necessário medir esforços.
Espero que a luta seja quente
Que a batalha seja conjunta
De modo que a harmonia seja sentida gradualmente.
Que harmonia venha de fora pra dentro,
De dentro pra fora,
Multidirecional,
Sem que se pare pra pensar sobre isso.
Que seja sutil como as estações do ano
Que brilhe ao final de cada entardecer
Assim como "The golden Hour"
Que se viva a luz mais bela.
Que não seja necessário explicar
Mas que seja, somente - por inteiro
E que, sendo, também estejamos
De corpo e alma, como sem receios.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
Fonte do amor
É difícil amar. O amor não é uma coisa boba, não é fácil praticar.
Mais difícil é porque temos um tipo de reservatório de amor. É possível que tenhamos muito para dar, mas é porque um dia muito recebemos, e ainda estamos a receber. Se você não tem amor pra dar, ou se você não sabe muito bem o que é isso, é provável que lhe falte amor também.
Amor não é perfeição, não é luxo, não é. Amor é o modo como levamos a vida, como lidamos com os problemas, como superamos os diversos obstáculos. Amar é sentir dor com um motivo para isso, e sofrer de um modo direcionado, assim, nem tudo lhe causará tanta dor, pois você está um pouco anestesiado pelas maiores dores que o amor carrega consigo.
Amor é abrir mão de sonhos, de conquistas, para cuidar dos sonhos de outra pessoa. Amar é perder a direção, redirecionar o foco, ou ao menos postergar seus próprios anseios, para ansiar o anseio do amado.
Ademais, o amor é paciente. Isso porque não há escuta apressada, não há uma boa resposta sem escuta, e não há uma boa resposta sem uma reflexão adequada. O amor é exigente, é preciso doação de ambas as partes para que ele seja maior e aja mais profundamente nos corações.
O amor tem muitas habilidades. Ele atua nos gestos mais sutis, nos olhares, na calma, nas respostas, no silêncio, no tempo, na perseverança, no chamado, no bater nas costas, no afago, na ajuda, na espera. O amor espera bastante, é paciente, espera sem que peçam para esperar, ele fica ali, observando, esperando, que até te surpreende. O amor faz coisas importantes mesmo sem que você entenda a importância do que ele faz.
Para amar, é preciso estar disponível. Para ser amado, também. O engraçado é que o amor não exclui outros sentimentos: raiva. Desapontamento, frustração, que aparentemente são antagônicos. Mas não são. Antagônico ao amor é o rancor, que apesar de rimarem entre si, não têm nada a ver um com o outro.
A ausência do amor deixa tudo muito frouxo. Todas as vezes que digo amor, aqui, não é de namorados, noivos, casados, mas o amor humano natural, intrínseco da nossa espécie. O amor dos pais pelos filhos. Dos irmãos, dos netos pelos avós. Mas, muitas vezes, esse amor fica escasso. Nossa fonte principal nem sempre está tão farta. E quanto menos recebemos amor, vamos doando menos, e recebendo menos, e dando menos, e quanto menos se dá, menos se recebe. Olhe: quando se sorri sinceramente, quase sempre sorriem de volta. Quando se chega abraçando sinceramente, é bom que abracem de volta. Quando somos bem acolhidos de manhã, nosso bom dia é mais animado. Pessoas recíprocas dão sentido ao nosso dia a dia... Não importa se é só por um segundo! Aquele segundo de cumprimentar ou de aperto de mãos. Alguns segundos alimentam um dia inteiro (Mesmo que o resto da conversa seja uma perda de tempo ou chata). Que possamos aprender a conversar mais, a nos apoiar, pois o amor sozinho não se sustenta, e se todas as fontes secarem, onde buscaremos sentido no nosso dia a dia?
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
Boxe no trem da vida
Viagem de trem. Quantas horas são necessárias para se chamar viagem? A minha dura em torno de 1 hora diária na ida e na volta. Neste intervalo de tempo são várias situações dignas de observação.
Trens são locais cosmopolitas, principalmente em tempos de crise. Hoje, por exemplo, dois artistas dançaram no curto espaço do corredor de trem fazendo altas piruetas e malabarismos, passando em seguida com seus chapéus entre os passageiros, que mostraram interesse em ajudar.
Vendedores e produtos também é o que não faltam. Agora, eles expandiram suas vendas para além dos tradicionais doces, vemos também pano de pia, esponjas, barbeadores elétricos a 7, eu disse 7 reais e testando na hora!
Há outras coisas: o moço que todo dia as 6:15 vende seu jornal, Extra, passa entre os passageiros estampando a primeira página; o moço com suas 5 garrafas térmicas bem cedo, anunciando café, achocolatados, para os que saem de casa apressados e em jejum; a moça com a "baaaala de coco", que grita um grito agudo, pra atingir o ouvido de todos os que queiram ou não comprar, só 1 real.
Há promoções surreais, vendem até a caixa fechada, atingiram um patamar de profissionalismo que, de antemão, mostram a data de validade, para o ano que vem, valorizam a marca, comparam o preço com o do Guanabara, que é pra não perder dinheiro hein, gente!
Há ainda os sem noção. Vendedores passam a jato anunciando de um jeito enrolado, com um só produto na mão, algo que eu ainda não descobri o que é, nem ouvi o preço.
Tem vendedor que sabe vender, e tem vendedor que sabe aparecer. Tem vendedor que você nem enxerga porque tá dormindo nessa hora, se conseguir um lugar pra sentar.
Tem de tudo, enfim. Cantores, palhaços, caridade, gente que te olha estranho, gente que fica te olhando o tempo inteiro e você finge que não tá percebendo, gente falando da própria vida pra desconhecidos (melhor tipo), gente que se encontra, que se despede, que grita ao telefone.
Gente que se esbarra, se aperta, pressiona os outros pra conseguir sair no ponto certo, segura a porta, se segura. Muita gente põe fone no ouvido. N'outro dia tinha gente cantando, e o vagão inteiro começou a cantar junto músicas religiosas.
Tem gente que disputa lugar assim que as portas abrem mesmo com o trem todo vazio, e não importa se você é ou não mais fraco, é perigoso, é a vida real. Isso tudo tão cedo.
É tão cedo e todo mundo tá lutando pra sobreviver. Eu estava fazendo boxe, decidi sair porque não estava gostando muito. Mas, a partir de agora, vou colocar as luvas assim que acordar, porque afinal, minha gente, a vida é uma luta.
Trens são locais cosmopolitas, principalmente em tempos de crise. Hoje, por exemplo, dois artistas dançaram no curto espaço do corredor de trem fazendo altas piruetas e malabarismos, passando em seguida com seus chapéus entre os passageiros, que mostraram interesse em ajudar.
Vendedores e produtos também é o que não faltam. Agora, eles expandiram suas vendas para além dos tradicionais doces, vemos também pano de pia, esponjas, barbeadores elétricos a 7, eu disse 7 reais e testando na hora!
Há outras coisas: o moço que todo dia as 6:15 vende seu jornal, Extra, passa entre os passageiros estampando a primeira página; o moço com suas 5 garrafas térmicas bem cedo, anunciando café, achocolatados, para os que saem de casa apressados e em jejum; a moça com a "baaaala de coco", que grita um grito agudo, pra atingir o ouvido de todos os que queiram ou não comprar, só 1 real.
Há promoções surreais, vendem até a caixa fechada, atingiram um patamar de profissionalismo que, de antemão, mostram a data de validade, para o ano que vem, valorizam a marca, comparam o preço com o do Guanabara, que é pra não perder dinheiro hein, gente!
Há ainda os sem noção. Vendedores passam a jato anunciando de um jeito enrolado, com um só produto na mão, algo que eu ainda não descobri o que é, nem ouvi o preço.
Tem vendedor que sabe vender, e tem vendedor que sabe aparecer. Tem vendedor que você nem enxerga porque tá dormindo nessa hora, se conseguir um lugar pra sentar.
Tem de tudo, enfim. Cantores, palhaços, caridade, gente que te olha estranho, gente que fica te olhando o tempo inteiro e você finge que não tá percebendo, gente falando da própria vida pra desconhecidos (melhor tipo), gente que se encontra, que se despede, que grita ao telefone.
Gente que se esbarra, se aperta, pressiona os outros pra conseguir sair no ponto certo, segura a porta, se segura. Muita gente põe fone no ouvido. N'outro dia tinha gente cantando, e o vagão inteiro começou a cantar junto músicas religiosas.
Tem gente que disputa lugar assim que as portas abrem mesmo com o trem todo vazio, e não importa se você é ou não mais fraco, é perigoso, é a vida real. Isso tudo tão cedo.
É tão cedo e todo mundo tá lutando pra sobreviver. Eu estava fazendo boxe, decidi sair porque não estava gostando muito. Mas, a partir de agora, vou colocar as luvas assim que acordar, porque afinal, minha gente, a vida é uma luta.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Atualmente, (e, sim, começo este texto de modo clichê, com um advérbio temporal, pois o que eu sinto sobrepõe a importância de uma boa estética textual), sinto que nada que eu faço é suficiente. Já havia escrito tal frase, porém o que eu sinto continua com esta necessidade de ser entendido e decifrado.
Sim, me cobro demais. Gostaria de me permitir, sentir meus sentimentos, compreendendo mais o lado dos outros. Não me isolar emocionalmente. Apenas isso. Sorrir a felicidade do meu próximo, experimentar o que ele julga bom, para viver o que estou presenciando. E entender que as coisas são realmente difíceis, e se eu não conseguir alguma coisa, não é porque eu não tentei, é porque os outros foram melhores. Assumir isso. Assumir a responsabilidade das minhas decisões. Assumir quando eu não conseguir acordar cedo para estudar sem colocar a culpa em outros fatores. Assumir que dormir é bom e foi isso que eu fiz, e faz parte da vida, e que bom que eu pude dormir e acordar bem.
São as menores coisas que importam. Não são necessariamente as vitórias. É sobretudo sobre as suas intenções.
Ah, e uma frase que foi dita num filme o qual assisti anteontem, não tem a ver com o texto, mas a mensagem é ótima!
"Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil."
-Filme "EXTRAORDINÁRIO"
Sinto que nada o que faço é suficiente, para mim e para os outros. Sinto que não dou conta. Sinto que o tempo corre muito rápido, e não consigo acompanhá-lo. Sinto uma necessidade de viver, de fazer acontecer, que não é necessário ser sentido, pois vejo isso nos outros. Procuro motivos par eu estar assim, saio do senso comum, me isolo ou me enturmo. Enturmar-me, apesar de deixar-me por vezes cansada, me ajuda a gostar de aproveitar o tempo. Isolar-me me permite maior concentração nos deveres, estudos, mas enjoo da minha própria companhia, sinto que sou pouco criativa, não teço muitos pensamentos comigo mesma, parece que minha mente trabalha sozinha, pensa muito, de modo que meus estudos demoram para andar.
Mas não é raro não saber o que falta, ou o que excede (acho que quase nada). Só que sinto falta de mim. Dizem que eu me cobro demais, e que isso faz mal. Porém não sei como faço isso, e minha cobrança é bastante improdutiva por sinal. Talvez eu me cobre tanto por não atender ao que pareço ser. Talvez eu me cobre para suprir meu ego inflado, que eu não consigo desinflar, ou ao menos é isso que sinto. Não sei bem, gostaria que as palavras se escrevessem para mim.
Quero olhar para o futuro. Quero agarrar cada oportunidade como se minha vida dependesse daquilo. Quero ser a minha melhor versão. Mas não alcanço. Talvez eu viva demais no passado, ou no campo das possibilidades. Talvez, se eu buscasse mais o presente, não ligasse tanto para pormenores... ahh, mas como? Se por vezes me ausento de mim mesma?
São as menores coisas que importam. Não são necessariamente as vitórias. É sobretudo sobre as suas intenções.
Ah, e uma frase que foi dita num filme o qual assisti anteontem, não tem a ver com o texto, mas a mensagem é ótima!
"Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil."
-Filme "EXTRAORDINÁRIO"
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Ser blindado hermeticamente contra decepções
Barrar a entrada de toda forma de sentimento
Não se enganar pois todas as promessas são vãs
Saber de antemão o desfecho das conversas
Pra mim, sim é não
Chegue mais longe, me toque sem tato
Meu coração tá armado e trancado
E se queres saber onde está a chave
Nem mesmo lembro a forma do cadeado.
Barrar a entrada de toda forma de sentimento
Não se enganar pois todas as promessas são vãs
Saber de antemão o desfecho das conversas
Pra mim, sim é não
Chegue mais longe, me toque sem tato
Meu coração tá armado e trancado
E se queres saber onde está a chave
Nem mesmo lembro a forma do cadeado.
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
Amor via telefônica.
Hoje passei o dia inteiro sozinha, ou melhor, eu e meus dois cachorros - um vira-lata de 10 anos que é meio pamonha e uma cadela de 1 ano estilo Golden (just-a-half), que é mil vezes mais inteligente que o vovô. Ela é minha companheirinha (de quintal!).
Contudo, não foi um dia ruim, mas bem atarefado, me impus tarefas e quase terminei todas, deu um trabalhão. No final da tarde, comecei a estudar. Daí o telefone toca - primeira vez à tarde, mas a 5ª vez no dia (das quais, 2 foram minha avó perguntando se eu tinha dormido bem e se eu tinha almoçado, 1 foi trote, 1 foi propaganda de um "produto totalmente natural para dormir"!!!!!!). Resumindo, foram várias pequenas corridas durante o dia para atender antes de o telefone parar de tocar, para basicamente nada urgente ou baboseira.
Daí, na 5ª vez, é a minha tia. Sim, minha tia, que eu amo muito, falando várias coisas, dentre elas, nada. Perguntou basicamente como eu estava, se eu não estava em apuros, se eu queria ajuda, mas de um jeito que eu me questionei por um momento se eu tinha 5 anos. Eu estava mesmo sem paciência pra isso!
Nesses momentos, gostaria de ter uma balança em minha voz pra assumir o tom correto, nem muito rude, nem muito amigável, nem muito agudo, nem muito grave, pra deixar claro que aquela conversa não estava sendo apropriada. Mas essa balança não existe, e o tom amigável e agudo persiste.
Daí, então, como manda o protocolo, ela disse, ao final da ligação, seu habitual "eu te amo!". Pensei por um momento, hesitei na minha resposta. Amor é dor? Se sim, não é necessário eu replicar a frase, afinal, se ela me ama, sou amada, independentemente se o amor é mútuo. Ok, soa egoísta, mas a questão nem é essa! Minha tia diz "eu te amo" pra qualquer um. E isso enche o saco no momento em que, quando você precisa de um favor, a resposta mais comum é "não", com o amor de acessório. Amar não é isso. Não funciona assim. Não se ama ao final de uma ligação. Amar é uma palavra importante, não se pode pronunciá-la indiscriminadamente, pra ela não se tornar banal!
Mas, por um lapso de segundo, respondi, como um eco: "também te amo!", e senti como um alívio transmitido via telefônica. E pudemos desligar a chamada. Fim do papo, fim da enrolação, segue a vida. Logo em seguida, pude perceber por quê, pode entender a complexidade que existe por trás dessa frase batida pela minha tia, que ela repete tão enfaticamente em seus telefonemas aleatórios. Não se interessa para quem ela diga que ama, talvez ela nem dê o valor que o seu amor verdadeiramente tem, e que é gigante. O que vale pra ela é quanto amor ela consegue receber de cada "Eu te amo" que ela pronuncia, e por isso ela diz isso em cada ligação, porque é o amor dos outros que ela procura, quando abre mão do seu.
E eu penso que o que ela realmente procura é um "eu te amo" sem que ela precise falar isso antes. Talvez o marido dela não diga que a ama, e ela procure isso nos outros. E por ela procurar tanto, isso venha demasiadamente escasso, porque às vezes, o que muito se procura, pouco se tem. E nisso, ela insiste em pronunciar o "Eu te amo".
Na verdade, o que eu acho é que se cansou de esperar a iniciativa dos outros.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
À minha irmã
É normal as pessoas citarem nomes ao final de seus textos, como forma de dedicatória a alguém querido, especial. Contudo, a minha dedicatória vem no início, no título. Vem no começo porque já começo pensando em você, e paro meus estudos para escrevê-lo, pois ao me dar conta de você, nada mais soa tão importante quanto escrever.
Minha irmã! Eu estive relembrando há pouco um episódio do final da semana passada, em que estive em casa, apesar da semana de provas iminente.
Subi as escadas, enfiando-me no meu quarto, fugindo do mundo e das minhas obrigatoriedades, tendo visto o quão próxima estava a data da prova de estágio sobre a qual eu amontoara expectativas, e já não conseguia mais desfazer o amontoado! Como estudar para a faculdade e provas externas simultaneamente? Matérias diferentes? Pouco tempo? Cansaço? Não se pode agarrar o mundo com as mãos, mas o que se pode?
Em meio à frustração, você aparece logo na minha janela, como quem não foi informada do que está ocorrendo mas foi ver o que era. Logo você, minha pequena, olhos do mar. Insistiu à minha janela, e eu não tendo atendido, foi à minha porta: trancada. Apesar de meus instintos falarem que não, meu coração insistiu para que eu abrisse a porta, bem, olhe, sua irmã está ali! Ela dizia algo que eu não pude entender.
Abri a porta, e lá estava ela, me olhando, uma colher em uma das mãos, equilibrando o conteúdo, e a outra mão aparando o leite condensado que escorria pelas bordas. E disse, quando a encarei: "Lígia, pega, o leite condensado vai cair!", toda preocupada.
Por isso, escrevo este texto, para me desculpar. Como eu poderia recusar o leite condensado? Meu coração até dói com o fato. Eu não poderia ter recusado essa oferta mesmo com os dentes escovados, afinal de contas, o leite condensado estava quase escorrendo!!!
Mas eu disse não. E minha irmã me olhou incrédula, e eu senti um ar de decepção e desentendimento ali. E nessas horas eu me pergunto se não passei dos limites e não cresci demais, demais.
Quando eu era pequena, eu não oferecia leite condensado para o meu irmão, mas, sim, brigava pelo pote com ele, disputava para ver quem ia raspar o fundo quando minha mãe fazia bolo. Então, oras, que condições eu dou para minha irmã brincar com a criança que existe em mim? Ou, que eu pelo menos respeite a criança que ela é, e não atrapalhe o processo.
É dicotômico. Eu fico com saudades, e se volto para casa em época de provas, chego radiante, sorrindo, mas logo fico estressada e incomunicável diante das provas. De que adianta?
Não sei ser muito bem metade de algo: prefiro ser inteira. Talvez eu devesse ser dois inteiros de uma: uma inteiro estudante e uma inteiro irmã/ filha. Mas não sei lidar muito bem com essa troca de cenários. Me confundo com tantos sentimentos e me ausento das pequenas felicidades que, ao final das contas, me tornariam um ser humano inteiramente melhor, de modo que eu não precisasse ser duas de mim, uma só bastaria.
Equilíbrio, amigos, esta é a palavra. Mas a palavra em si não diz nada, e os poucos vocábulos os quais detenho são insuficientes para fazer-me completa.
Por isso, irmã, amiga, companheira, dedico cada frase, cada oração, verbo, ponto e vírgula, deste texto a você. Quero que você continue sendo essa maravilha de pessoa, bondosa, solidária, que vai atrás da gente mesmo com o leite moça escorrendo da colher. Mesmo quando estiver na universidade, se quiser estudar em uma. Eu te amo muito, muito, muito.
...Dedico esse texto também a todas as colheres de leite condensado.
domingo, 19 de novembro de 2017
Amanhã é feriado!?
Estou aqui presa num pensamento do qual só posso me libertar escrevendo neste pedaço de mundo.
Domingo, e amanhã, Segunda, mais uma abrindo a semana do melhor jeito que todos gostam e admiram: com feriado! E mesmo assim, estou pilhada, pois amanhã estarei indo bem cedo de volta para a minha querida república, e assim sendo, como quase sempre, se uma parte minha vai, uma parte de mim fica, e eu não sei bem qual o meu ponto de equilíbrio nesse vai e vem desencontrado do dia a dia e das semanas.
Uma metade minha fica com saudades, mesmo não sendo tão longe, minhas tarefas se debruçam em mim e me abraçam, e eu não sei bem se me sinto acolhida ou sufocada. Bem, um pouco dos dois.
E esta semana também vem vindo abrir uma cascata de testes e provas que delimitam o fim de um período bem exigente da minha faculdade. Após esta linha, vem as férias, mas não sei muito bem se serão de descanso. Na verdade, férias pode representar um tempo em que se pode estudar o que quiser, com calma. E respirar com calma também.
Só que a verdade é que eu adoro o período pós prova. Veja bem, você dá muito mais valor à sua respiração após desapertar uma gravata no pescoço, ou muito mais valor ao seu abdome após abrir um botão apertado, liberando a refeição. Uma sensação de magnitude e de infinidade. Assim mesmo é o período pós prova, que só a semana de provas pode oferecer. Após chegar ao seu limite, a libertação!!! Mas, isso só acontece se você alcança o objetivo de tirar uma boa nota, caso contrário, a gravata permanece apertada e o botão não afrouxa, e é como ter que prender um pouco mais a respiração e depois respirar melhor, mas com espanto.
Então, é isso! Daqui a pouco estarei levantando para mais um dia de lutas. Uma boa noite a todos!
(E uma boa semana!)
...continua
Domingo, e amanhã, Segunda, mais uma abrindo a semana do melhor jeito que todos gostam e admiram: com feriado! E mesmo assim, estou pilhada, pois amanhã estarei indo bem cedo de volta para a minha querida república, e assim sendo, como quase sempre, se uma parte minha vai, uma parte de mim fica, e eu não sei bem qual o meu ponto de equilíbrio nesse vai e vem desencontrado do dia a dia e das semanas.
Uma metade minha fica com saudades, mesmo não sendo tão longe, minhas tarefas se debruçam em mim e me abraçam, e eu não sei bem se me sinto acolhida ou sufocada. Bem, um pouco dos dois.
E esta semana também vem vindo abrir uma cascata de testes e provas que delimitam o fim de um período bem exigente da minha faculdade. Após esta linha, vem as férias, mas não sei muito bem se serão de descanso. Na verdade, férias pode representar um tempo em que se pode estudar o que quiser, com calma. E respirar com calma também.
Só que a verdade é que eu adoro o período pós prova. Veja bem, você dá muito mais valor à sua respiração após desapertar uma gravata no pescoço, ou muito mais valor ao seu abdome após abrir um botão apertado, liberando a refeição. Uma sensação de magnitude e de infinidade. Assim mesmo é o período pós prova, que só a semana de provas pode oferecer. Após chegar ao seu limite, a libertação!!! Mas, isso só acontece se você alcança o objetivo de tirar uma boa nota, caso contrário, a gravata permanece apertada e o botão não afrouxa, e é como ter que prender um pouco mais a respiração e depois respirar melhor, mas com espanto.
Então, é isso! Daqui a pouco estarei levantando para mais um dia de lutas. Uma boa noite a todos!
(E uma boa semana!)
...continua
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Eu quero perder o controle e ficar assim por algum tempo. Eu quero conseguir abrir mão das minhas seguranças para que possa abraçar a infinitude de possibilidades. Eu quero acreditar que posso ser grande ao mesmo tempo que me sinto pequena e vulnerável, e mesmo assim alcançar meus objetivos. Eu quero sentir o amargo da vida mas sem que tenha que ficar com o gosto na boca, fazer disso uma propulsão para meu crescimento. Eu quero me lançar à dúvida, ao desafio, ao desconhecido, eu quero sentir-me viva. Eu quero fazer algo novo todo dia. Eu não quero ficar presa ao senso comum, eu quero ir além. Quero ser maior que a mediocridade, quero passar a linha de chagada do que eu considero ser meu esforço. Quero sentir a dúvida girar as engrenagens do conhecimento, quero o conhecimento levando à sabedoria e à segurança. Quero ser o meu melhor sem ter que ficar pensando muito nisso e discutindo meios de como chegar lá. Quero simplesmente ser, viver, sem os pressupostos que a ignorância e falta de otimismo podem tomar como obstáculos quando na verdade existem meios. Quero sentir o suor escorrer e o sorriso no rosto. Quero sentir alegria através da alegria dos outros. Quero esquecer as normas cultas de um texto rigidamente esculpido para dar lugar ao zelo com a pessoa à minha frente sem preciosismos e dúvidas impertinentes, quero acreditar na vida e quero fazer com que as pessoas enxerguem vida ao olhar em meu olhar. Eu quero ser gente e aprender a ser melhor a cada dia da minha vida.
10/5/17
10/5/17
Uma viagem
Neste instante eu viajo pelo interior do Brasil, bem interior mesmo, terras colonizadas às custas de modos de persuasão para que o povo não ocupasse apenas o litoral das terras dominadas por Portugal. Agora, estou mais especificamente na cidade de Carolina, que fica no Maranhão.
Viemos de carro, passando pela divisa com Tocantins, que é uma divisa natural, um largo rio, o qual atravessamos com uma barca que levou também nossos carros e inclusive um caminhão, à base de uma taxa que foi paga pelos proprietários dos veículos.
A ida para o Norte do Brasil foi acompanhada a todo o tempo por pôres-do-Sol cada vez mais apreciáveis, avermelhados e alaranjados, que surgiam gradativamente mais tarde, alongando as horas do dia, uma coisa linda.
No início, todos ainda estão meio tímidos, um pouco calejados pelo estresse que demora a se enxugar que provém do dia a dia acelerado e exigente, todos sabem que fazemos mais do que gostaríamos e nos culpamos quando não conseguimos dar o melhor de nós, mas isso não é certo. Demora, mas é este o objetivo de uma viagem: enxugar, se possível, secar a roupa da rotina. Quando dá, eita, é muito bom e você leva pra casa uma mente tranquila e um corpo renovado.
Mas, vou te dizer: dá trabalho desestressar, você tem que ter um método danado, lembrar sempre qual é o objetivo ali, redirecionar sua mente para o foco; se relacionar da melhor maneira possível, lembrar que todos ali estiveram saturados pelo trabalho por um bom período de tempo e lembrar que algumas escorregadas dos viajantes acontecerão, mas você deve saber lidar com isso da melhor maneiro possível, visando alcançar um clima favorável a todos.
06/01/2017
Viemos de carro, passando pela divisa com Tocantins, que é uma divisa natural, um largo rio, o qual atravessamos com uma barca que levou também nossos carros e inclusive um caminhão, à base de uma taxa que foi paga pelos proprietários dos veículos.
A ida para o Norte do Brasil foi acompanhada a todo o tempo por pôres-do-Sol cada vez mais apreciáveis, avermelhados e alaranjados, que surgiam gradativamente mais tarde, alongando as horas do dia, uma coisa linda.
No início, todos ainda estão meio tímidos, um pouco calejados pelo estresse que demora a se enxugar que provém do dia a dia acelerado e exigente, todos sabem que fazemos mais do que gostaríamos e nos culpamos quando não conseguimos dar o melhor de nós, mas isso não é certo. Demora, mas é este o objetivo de uma viagem: enxugar, se possível, secar a roupa da rotina. Quando dá, eita, é muito bom e você leva pra casa uma mente tranquila e um corpo renovado.
Mas, vou te dizer: dá trabalho desestressar, você tem que ter um método danado, lembrar sempre qual é o objetivo ali, redirecionar sua mente para o foco; se relacionar da melhor maneira possível, lembrar que todos ali estiveram saturados pelo trabalho por um bom período de tempo e lembrar que algumas escorregadas dos viajantes acontecerão, mas você deve saber lidar com isso da melhor maneiro possível, visando alcançar um clima favorável a todos.
06/01/2017
Instruções para um momento de ansiedade
Eu sou ansiosa. Ou será que ESTOU?
Pra mim, é difícil delimitar quando o estar vira ser, pois quem está a tanto tempo, quem garante que um dia voltará a ser o que era?
Escrevo isto porque estou num momento bom. Minha mente está calma e tenho plena consciência dos meus pensamentos. Eu os domino, como um cavaleiro que monta o cavalo e o dá ordens.
E, neste instante de plenitude, quero dizer algumas coisas para que eu mesma leia, já que ninguém escreve pra mim, quando me sentir mal, mesmo que eu não saiba descrever muito bem esse "mal" que eu sinto, e que, por vezes, é recorrente.
- FAÇA O QUE DEVE SER FEITO!
-NÃO ADIE SUAS TAREFAS.
Esse é um ponto importante. Por vezes você acha que pequenas coisas não farão diferença, mas as pessoas percebem as coisas pequenas, então faça-as, se compete a você. Não se compare aos outros, e muito menos ao que os outros deixam de fazer. Faça sempre o seu melhor, e assim, sua vida se medirá pelo todo que você é, e não pelo mínimo que podes ser. Como já dizia o poema:
Fernando Pessoa
-ORGANIZE-SE. Estabeleça prazos e metas a serem alcançadas. Isso será importante no futuro, daqui a semanas ou dias.
-LIGUE PARA SEUS PAIS, FALE COM ALGUÉM QUE GOSTA. CRIE VÍNCULOS AFETIVOS.
-Tente concentrar-se. A concentração potencializa MUITO as tarefas que eu faço. Com isso, meia hora já é suficiente para fazer muita coisa. Não adie, não imponha dificuldades, elas só estão na sua cabeça.
-Veja o que os outros não veem. Não enxergue a dificuldade, enxergue que, adiantando uma lição, eu poderei estar garantindo uma nota alta (nove? Dez?) na próxima avaliação.
-Faça o que tem que fazer AGORA. Não adie para mais tarde! Fazendo agora o que tem que ser feito uma hora ou outra, eu garantirei pra o futuro que, se aparecer algo muito bom pra fazer, eu não perderei porque já terei feito a minha tarefa.
-Não desanime!!!! Não deixe a peteca cair!!!! Mantenha o otimismo!!!!! Vai dar tudo certo!!!!!
-Pense: E SE MINHA MÃE ESTIVESSE AQUI? Isso muitas vezes pode me ajudar a ter um norte.
-SEJA FLEXÍVEL (às vezes). Faça um BOLO, uma sobremesa. Converse. Surpreenda as meninas!
-O mundo está para você como você está para o mundo!
-Lembre da Letícia do rosário: ela continua sendo uma ótima aluna, porque leva as coisas a sério. Faça o que tem que fazer da melhor forma possível, e mantenha um alto padrão.
-Confie em Deus!!! Reze!!! Acredite que tudo está como deveria estar, você está no lugar certo, e você será uma médica e salvará muitas vidas!!!
-AGRADEÇA, sempre!!!!
-Amém!
Pra mim, é difícil delimitar quando o estar vira ser, pois quem está a tanto tempo, quem garante que um dia voltará a ser o que era?
Escrevo isto porque estou num momento bom. Minha mente está calma e tenho plena consciência dos meus pensamentos. Eu os domino, como um cavaleiro que monta o cavalo e o dá ordens.
E, neste instante de plenitude, quero dizer algumas coisas para que eu mesma leia, já que ninguém escreve pra mim, quando me sentir mal, mesmo que eu não saiba descrever muito bem esse "mal" que eu sinto, e que, por vezes, é recorrente.
- FAÇA O QUE DEVE SER FEITO!
-NÃO ADIE SUAS TAREFAS.
Esse é um ponto importante. Por vezes você acha que pequenas coisas não farão diferença, mas as pessoas percebem as coisas pequenas, então faça-as, se compete a você. Não se compare aos outros, e muito menos ao que os outros deixam de fazer. Faça sempre o seu melhor, e assim, sua vida se medirá pelo todo que você é, e não pelo mínimo que podes ser. Como já dizia o poema:
'Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.'
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.'
-ORGANIZE-SE. Estabeleça prazos e metas a serem alcançadas. Isso será importante no futuro, daqui a semanas ou dias.
-LIGUE PARA SEUS PAIS, FALE COM ALGUÉM QUE GOSTA. CRIE VÍNCULOS AFETIVOS.
-Tente concentrar-se. A concentração potencializa MUITO as tarefas que eu faço. Com isso, meia hora já é suficiente para fazer muita coisa. Não adie, não imponha dificuldades, elas só estão na sua cabeça.
-Veja o que os outros não veem. Não enxergue a dificuldade, enxergue que, adiantando uma lição, eu poderei estar garantindo uma nota alta (nove? Dez?) na próxima avaliação.
-Faça o que tem que fazer AGORA. Não adie para mais tarde! Fazendo agora o que tem que ser feito uma hora ou outra, eu garantirei pra o futuro que, se aparecer algo muito bom pra fazer, eu não perderei porque já terei feito a minha tarefa.
-Não desanime!!!! Não deixe a peteca cair!!!! Mantenha o otimismo!!!!! Vai dar tudo certo!!!!!
-Pense: E SE MINHA MÃE ESTIVESSE AQUI? Isso muitas vezes pode me ajudar a ter um norte.
-SEJA FLEXÍVEL (às vezes). Faça um BOLO, uma sobremesa. Converse. Surpreenda as meninas!
-O mundo está para você como você está para o mundo!
-Lembre da Letícia do rosário: ela continua sendo uma ótima aluna, porque leva as coisas a sério. Faça o que tem que fazer da melhor forma possível, e mantenha um alto padrão.
-Confie em Deus!!! Reze!!! Acredite que tudo está como deveria estar, você está no lugar certo, e você será uma médica e salvará muitas vidas!!!
-AGRADEÇA, sempre!!!!
-Amém!
segunda-feira, 24 de abril de 2017
Changes
Mudanças são repentinas na vida. A verdadeira mudança não requer preparo, predisposição ou pragmatismo. Mudanças são constantemente aleatórias, tal como mutações em que o resultado pode ser benéfico, nulo ou deletério.
A parte boa é que nunca se sabe: mudanças são esperanças também. E mesmo que esta esperança seja uma gota dentro dum barril de água, quanta coisa boa a gota pode reservar!
Mas a gota requer sacrifícios, muitos dos quais não estamos dispostos a percorrer. A zona de conforto determina o sucesso ou fracasso de um homem, mas isso é relativo: baseia-se no PONTO DE VISTA.
E é por isso mesmo que um pobre miserável de mente pode ser tão feliz quando um doutor em sei-lá-o-quê. Aliás, que bom! Porque isso possibilita que vejamos o mundo sob diferente óticas, e você percebe que tanto absurdo e barbaridade que se vê por aí pode ser uma simples questão de obscuridade: da mente de quem comete os absurdos, carentes de uma boa alma que lhe mostre e defina o que é o que.
Então, mudanças, ah sim.
Mudança atrela-se a saudade. Ah, saudade essa da língua portuguesa, singular e impalpável, mas tão carente que insiste em bater nos portões de nossas vidas. A saudade permeia a vida, que tem membrana semi-permeável, e algumas vezes a vida se enche, fica túrgida, quase sofre lise, mas ela tem Pessoas Carinhosas (P.C.) que te dão apoio na hora H. E estas pessoas também se vão, somem, e você se pergunta como pode tão de repente a criatura estar ali e, no dia seguinte, não mais. Você se pergunta como pode tudo acontecer assim, tão rápido, pois você ainda está ali, parada, porém o cenário muda e as pessoas se vão. E o mundo é tão pequeno que está superpovoado, mas tão imenso que pode-se nunca mais ver alguém. Você se pergunta se as pessoas se importam com a sua vida, e você encontra a resposta: se importam. É claro que se importam.
Ao final, o rendimento nunca é de 100%. Você vê que suas reações podem liberar energia ou você pode guardá-las para si, porém ela ocorre. Contanto, esta reação não é reversível: só produtos são formados. E você tenta crescer e adaptar-se para que tudo dê certo e cada produto seja exatamente correspondente àquilo no reagente. Às vezes você está ácido, encontra uma base e sai feliz da vida, uma pessoa com sal. Até para na esquina e vai beber uma água. É tudo tão perfeito. Mas somos todos uma máquina, e o rendimento nunca é de 100%.
Há métodos para melhorá-lo. Boas companhias, amizades, um empurrãozinho de vez em quando. Só que tem como melhorar. Tem como reagir melhor a tudo isso. Porém o limite é desconhecido, e você se pergunta- por que não? - se você já não teria passado tal limite, contrariando todas as previsões, todas as possibilidades. Seu rendimento é de 100%.
Mas há máquinas mais modernas, há outros modos de fazer algo, há um jeitinho aqui e ali. Não se trata de uma equação do primeiro grau. O que seria? Uma curva? Não acho. Uma elipse? Uma aula.
Sim, uma aula. Trata-se daquilo que somos feito para reconhecermos que é. Uma curva uma elipse um ponto. Uma gota, sei lá. Os obstáculos são inegáveis. Há tanto contratempo, tanta superação, tanta vontade. Há também tanto sonho que não é possível que não tenha conseguido um rendimento total. Não é. Todo o sacrifício é em prol de um recomeço. A esperança catalisa a reação e nossos produtos vêm mais depressa. No entanto, ainda busco, ainda procuro. Espero buscar corretamente, olhar os parâmetros corretos, ansiar de fato por um mundo melhor. E que este mundo possa começar, ainda que desconfortavelmente, ainda que com empurrões, apertos e solavancos, com a mudança. Pois é este mesmo o caminho para a evolução das espécies.
Ah, saudades... como isso entra nas reações? Não faço ideia.
... texto feito por mim em Dezembro de 2013. Consegui resgatá-lo, rsrs
segunda-feira, 20 de março de 2017
Vida refrescante.
Se amar é preciso.
Sabe, eu tenho uma história de vida. Todos nós temos, é verdade, mas uns têm uma história melhor do que os outros, o que não significa que seja mais bonita. Há histórias fantásticas cujo final é um completo drama, exemplo, Romeu e Julieta. Mas não é o caso.
Tenho um orientador na Iniciação Científica que diz sempre que "se não está bom, é porque não chegou ao final". Em parte, eu concordo. Mas só em parte. O que significa que não sou uma completa pessimista, só parcial. A vantagem do pessimista é que ele está preparado para eventos adversos, e acaba sofrendo menos com isso (eu li isso uma vez em alguma revista). Mas o pessimismo crônico não é saudável.
Mas voltando ao assunto, eu não estou satisfeita. Eu quero mais. Estou triste e inconformada com o meu conformismo. Triste e inconformada com tudo que eu aceito sem dizer que "sim". Triste e inconformada com a minha falta de auto-estima que me submete a posições que não pertencem a mim. Triste e inconformada com a falta de informação sobre a maioria das coisas e com minha falta de empatia que acaba me estagnando.
Você pode achar que estar inconformada com o conformismo é controverso, mas não é. É uma luta de um só; luta que só acaba quando você vence. E enquanto você não vence, o conformismo ataca. Mas você também não perde, só luta. E, enquanto isso, você vai se julgando conformada. E se inconforma com isso, e ataca, e assim por diante.
O que menos gosto é a impressão que tenho, às vezes, de que para os estudantes de Medicina tudo tem que ser ditado. Mas eu discordo. Para mim, muitas das respostas estão na observação, no tato para as situações. Se eu pudesse, pelo menos por alguns instantes, não perguntaria nada para os pacientes, apenas sentiria suas dores, seus sofrimentos, suas angústias, e lhes sorriria. Mas o que mais dói para mim é, por vezes, não ter o sorriso que o paciente busca, não conseguir me doar a tal ponto que a minha palavra lhe transmita, ao menos, conforto, porque algumas vezes eu busquei isso, e durante um dia inteiro, não encontrava. Desconfio que para transmitir bons sentimentos deve-se estar muito bem consigo mesmo, mas vários são os exemplos que desmentem isso. Pessoas carentes, pobres, endividadas, que supostamente deveriam estar abarrotadas de problemas e preocupação, podem carregar consigo uma carga de sabedoria que surpreende com pequenos toques de realidade misturada com força e esperança. Uma sabedoria acumulada com a vida, com o refresco de limão mais doce feito com as amarguras dos anos, que, com o tempo, já não amargam mais na boca de quem já provou de tudo.
Ainda não passei por tudo, com meus 21 anos, vivo um dia de cada vez, como meus pais ensinam, aprendendo com cada erro ou frustração. Quero trabalhar logo, mas não estou com pressa para me formar, quero aprender muito ainda, mas o tempo voa. Às vezes me pergunto se estou fazendo tudo certo, o que está faltando, se eu não deveria dar Monitoria, participar mais de ligas, me arriscar mais, conversar com outras pessoas, ir mais além. E me pergunto como. Já faço iniciação cientifica, mas quero mais. Quero reconhecimento. Quero informação. Não quero trabalhar com uma venda nos olhos. Quero ter mais de uma opção de pesquisa. Quero autonomia e liberdade, quero companheirismo. Sabe, hoje eu estava meio chateada, até que resolvi ir até ao laboratório hoje, onde pesquiso, e só de entrar ali me senti bem. É impressionante como nosso coração sente quando estamos onde devemos estar. E olha que nem bolsa ainda ganho, e mesmo assim me dá uma enorme satisfação.
Também quero meu CR melhor. Quando entrei na faculdade, nem sabia como funcionava. Agora me cobro por isso, pois infelizmente somos julgados com base nas notas, embora tantas fraudes ocorram ao redor delas. Mais uma coisa para me preocupar, mais uma cobrança. E mais uma dúvida: será que eu consigo? Até que ponto vale a pena se esforçar para ter um CR bonito no currículo? Dá pra viver ao mesmo tempo?
Espero que com tantas dúvidas eu consiga pelo menos fazer um refresco gostoso.
Sabe, eu tenho uma história de vida. Todos nós temos, é verdade, mas uns têm uma história melhor do que os outros, o que não significa que seja mais bonita. Há histórias fantásticas cujo final é um completo drama, exemplo, Romeu e Julieta. Mas não é o caso.
Tenho um orientador na Iniciação Científica que diz sempre que "se não está bom, é porque não chegou ao final". Em parte, eu concordo. Mas só em parte. O que significa que não sou uma completa pessimista, só parcial. A vantagem do pessimista é que ele está preparado para eventos adversos, e acaba sofrendo menos com isso (eu li isso uma vez em alguma revista). Mas o pessimismo crônico não é saudável.
Mas voltando ao assunto, eu não estou satisfeita. Eu quero mais. Estou triste e inconformada com o meu conformismo. Triste e inconformada com tudo que eu aceito sem dizer que "sim". Triste e inconformada com a minha falta de auto-estima que me submete a posições que não pertencem a mim. Triste e inconformada com a falta de informação sobre a maioria das coisas e com minha falta de empatia que acaba me estagnando.
Você pode achar que estar inconformada com o conformismo é controverso, mas não é. É uma luta de um só; luta que só acaba quando você vence. E enquanto você não vence, o conformismo ataca. Mas você também não perde, só luta. E, enquanto isso, você vai se julgando conformada. E se inconforma com isso, e ataca, e assim por diante.
O que menos gosto é a impressão que tenho, às vezes, de que para os estudantes de Medicina tudo tem que ser ditado. Mas eu discordo. Para mim, muitas das respostas estão na observação, no tato para as situações. Se eu pudesse, pelo menos por alguns instantes, não perguntaria nada para os pacientes, apenas sentiria suas dores, seus sofrimentos, suas angústias, e lhes sorriria. Mas o que mais dói para mim é, por vezes, não ter o sorriso que o paciente busca, não conseguir me doar a tal ponto que a minha palavra lhe transmita, ao menos, conforto, porque algumas vezes eu busquei isso, e durante um dia inteiro, não encontrava. Desconfio que para transmitir bons sentimentos deve-se estar muito bem consigo mesmo, mas vários são os exemplos que desmentem isso. Pessoas carentes, pobres, endividadas, que supostamente deveriam estar abarrotadas de problemas e preocupação, podem carregar consigo uma carga de sabedoria que surpreende com pequenos toques de realidade misturada com força e esperança. Uma sabedoria acumulada com a vida, com o refresco de limão mais doce feito com as amarguras dos anos, que, com o tempo, já não amargam mais na boca de quem já provou de tudo.
Ainda não passei por tudo, com meus 21 anos, vivo um dia de cada vez, como meus pais ensinam, aprendendo com cada erro ou frustração. Quero trabalhar logo, mas não estou com pressa para me formar, quero aprender muito ainda, mas o tempo voa. Às vezes me pergunto se estou fazendo tudo certo, o que está faltando, se eu não deveria dar Monitoria, participar mais de ligas, me arriscar mais, conversar com outras pessoas, ir mais além. E me pergunto como. Já faço iniciação cientifica, mas quero mais. Quero reconhecimento. Quero informação. Não quero trabalhar com uma venda nos olhos. Quero ter mais de uma opção de pesquisa. Quero autonomia e liberdade, quero companheirismo. Sabe, hoje eu estava meio chateada, até que resolvi ir até ao laboratório hoje, onde pesquiso, e só de entrar ali me senti bem. É impressionante como nosso coração sente quando estamos onde devemos estar. E olha que nem bolsa ainda ganho, e mesmo assim me dá uma enorme satisfação.
Também quero meu CR melhor. Quando entrei na faculdade, nem sabia como funcionava. Agora me cobro por isso, pois infelizmente somos julgados com base nas notas, embora tantas fraudes ocorram ao redor delas. Mais uma coisa para me preocupar, mais uma cobrança. E mais uma dúvida: será que eu consigo? Até que ponto vale a pena se esforçar para ter um CR bonito no currículo? Dá pra viver ao mesmo tempo?
Espero que com tantas dúvidas eu consiga pelo menos fazer um refresco gostoso.
terça-feira, 14 de março de 2017
Medicina, poemas e educação.
Não vou mentir se eu disser que estou gostando do curso de Medicina, mas sinto falta de ler os textos que lia toda semana, querendo ou não, nas aulas de Português, na escola. Alguns, de tanto lê-los, ficaram marcados em minha memória.
Uns, tinham uma métrica bem divertida - como o poema Trem de Ferro, de Manuel Bandeira.
Outros, clássicos que todo mundo conhece - como o Soneto de Fidelidade, de Vinicius de Moraes.
Outros, me seguiam desde a infância - como Meus Oito Anos, Casimiro de Abreu.
Outros, eram tão densos que eu não esqueci desde a primeira vez que ouvi - como Mocidade e Morte, de Castro Alves.
É claro que eu posso voltar a lê-los a hora que eu desejar, mas acho insuficiente. Gostaria de ir mais a fundo, conhecer novos poemas, novos escritores e novas perspectivas para a poesia atual. Analisar a métrica, classificá-los, relacionar com o contexto da época em que foram escritos. Relembrar a vida dos autores, analisar os escritos, os cadernos, e imitá-los. Construir novas poesias.
Mas não excluo a Medicina disso tudo. Muitos autores de livros que marcaram suas épocas tinham a Medicina como graduação, pois, antigamente, os conhecimentos eram mais entrelaçados. Com o avanço da ciência em geral, a hiper especialização acaba gerando pessoas com muito conhecimento em uma pequena parte do todo, isso pode gerar frustração se ela se bitolar nesta casca.
O problema é a falha educacional no Brasil. Não somos educados direito. Somos ensinados a repetir o que ensinam que é o correto sem julgamento. Também ensinam a não pensar, e aprendemos bem rápido isso. A falha, aqui, é subestimar o poder de ação dos alunos. Além do mais, desde pequenos até na faculdade, deveria haver na grade: política, pensamento crítico, auto conhecimento, etc.
Infelizmente, esta não é a realidade e os alunos têm que caminhar sem o devido amparo, com consequências claras para o futuro do Brasil. Um futuro que já é passado e é presente.
...Mas não é presente pra ninguém.
Uns, tinham uma métrica bem divertida - como o poema Trem de Ferro, de Manuel Bandeira.
Outros, clássicos que todo mundo conhece - como o Soneto de Fidelidade, de Vinicius de Moraes.
Outros, me seguiam desde a infância - como Meus Oito Anos, Casimiro de Abreu.
Outros, eram tão densos que eu não esqueci desde a primeira vez que ouvi - como Mocidade e Morte, de Castro Alves.
É claro que eu posso voltar a lê-los a hora que eu desejar, mas acho insuficiente. Gostaria de ir mais a fundo, conhecer novos poemas, novos escritores e novas perspectivas para a poesia atual. Analisar a métrica, classificá-los, relacionar com o contexto da época em que foram escritos. Relembrar a vida dos autores, analisar os escritos, os cadernos, e imitá-los. Construir novas poesias.
Mas não excluo a Medicina disso tudo. Muitos autores de livros que marcaram suas épocas tinham a Medicina como graduação, pois, antigamente, os conhecimentos eram mais entrelaçados. Com o avanço da ciência em geral, a hiper especialização acaba gerando pessoas com muito conhecimento em uma pequena parte do todo, isso pode gerar frustração se ela se bitolar nesta casca.
O problema é a falha educacional no Brasil. Não somos educados direito. Somos ensinados a repetir o que ensinam que é o correto sem julgamento. Também ensinam a não pensar, e aprendemos bem rápido isso. A falha, aqui, é subestimar o poder de ação dos alunos. Além do mais, desde pequenos até na faculdade, deveria haver na grade: política, pensamento crítico, auto conhecimento, etc.
Infelizmente, esta não é a realidade e os alunos têm que caminhar sem o devido amparo, com consequências claras para o futuro do Brasil. Um futuro que já é passado e é presente.
...Mas não é presente pra ninguém.
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