quinta-feira, 16 de junho de 2022

carta à minha menina

Quanto tempo eu não apareço por aqui, hein??
Pois bem... quantos acontecimentos não relatados!!!
Muita água já rolou!
Já vivi coisas que eu não imaginaria
Já me banhei em rios antes inexploráveis 
Já percorri morros com mata  nativa
Abrindo a mata com um facão cego!
Isso se a vida fosse uma floresta.

O que cabem nos meus 27 anos?
Com certeza, essa mulher, se assim já consigo me enxergar, teria muito, muito, mas muito mesmo, um tanto, a dizer pra menina de 18 anos! Ou a de 15, então!

Pois a menina de 15 e a de 18 eram quase uma criança! Muito pouco vivido, muito pouco explorado! 
A menina de 15 e de 18 acreditava muito ainda em conto de fadas! A de 27 ainda acredita, porém com uma dose extra de realidade e de apropriação de si mesma e da própria vida. A de 27 anos não senta e fica esperando tanto dos outros, já sabe que tem que caminhar com as próprias pernas, e que a vida não é fácil e que é a somatória das nossas escolhas. 

A de 27 anos se orgulha pela menina que foi aos 15 e aos 18 anos, também! E se eu pudesse, eu voltaria no tempo para abraçá-la e dizer um "muito obrigada"! Olha até onde nós chegamos?! Olha o quanto conquistamos?

Valeu a pena...
As viagens de transporte público precário, acordando cedo e batendo cabeça no caminho.
Valeu a pena persistir apesar das dificuldades
Valeu a pena acreditar que você era um pedaço importante do quebra cabeça da vida
Valeu a pena esperar o dia seguinte, e viver um dia de cada vez, pois o próximo poderia guardar algo melhor, quando as coisas não iam tão bem
Valeu e vale sempre a pena!
Sonhar não é em vão
E se não for sonhar por você mesmo
Ajude outras pessoas a sonharem e a encontrarem o seu propósito 💖💖💖

segunda-feira, 22 de março de 2021

covid-19 x férias 2021

 Depois de muito tempo, aqui estou de volta! Em meu querido "diário" aberto. 

E por que eu voltei? Porque sempre voltamos para aquilo que é a nossa natureza. E a minha é escrever! Felizmente, ou não. Quem sou eu pra dizer? (Mas eu digo - é felizmente!).

Depois de tantas dúvidas, incertezas na vida, tropeços, escorregões e caídas de cara com a lama, metaforicamente, me formei. Fui pra festa, a última antes desta abestada pandemia que nos aflige há mais de um ano, já! E que peste! 

Neste finalzinho de mês de Março, já estou no meu segundo mês de férias, do segundo ano de residência em Pediatria - especialidade que escolhi fazer, e que, Graças a Deus, estou, sim, gostando! 

E, nestas férias, novamente como há um ano, não consegui viajar... resultado de uma pandemia que permanece sendo pandemia, e, para piorar, neste cenário, o Brasil está sendo o epicentro do coronavirus. Já fui vacinada, recebi as duas doses da coronavac. Porém fui a única da minha família, logo, meus pais e meus irmãos ainda não podem usufruir de uma imunidade artificial, o que os impede de cogitar viajarem comigo e, portanto, optei por não viajar sozinha. Tudo nesta vida é opção. E respeito pelo contexto em que minhas férias estão transcorrendo, com 3 mil mortes ao dia neste Brasil de meu Deus. 

Os Ânimos aqui em casa sempre foram, vez por outra, exaltados, mas pelo meu ver, a pandemia está piorando tudo. Diferentemente de mim, que optei por fazer plantões coringa durante as férias, tanto para fazer algo útil em meu tempo quanto para conseguir alguns trocados, minha família está vivendo entre as muralhas de nossos muros de casa. Exceto para atividades essenciais, ou para visitar algum parente pois a necessidade e a saudade gritam, sim, eles permanecem enclausurados. A saúde mental não é a mesma. E fica difícil cobrar alguma reação pois o cenária do país é caótico. Trabalhar como em uma pandemia, se você não for da área da saúde? Estão todos exaustos com tantas notícias pessimistas. 

Eu, confesso, não estou tão mal assim. Confesso que fecho meus olhos para alguns problemas. Não sou uma lata de lixo para internalizar cada porcaria que anunciam nos jornais. Foco no que está ao meu alcance de mudar : meus pensamentos; minhas ações; minha empatia com quem está ao meu lado. Não somos robôs. E nem tudo está perdido. Devemos, com calma, ir mudando o que se pode mudar, sem êxtase, sem precipitação. Um passo de cada vez, consegue-se percorrer um caminho. Só não esqueço que o pano de fundo não é favorável, e não minimizo a dor das familias que estão de luto. A humanidade está sofrendo, e eu abraço quem meus braços alcançam, desejando força para aqueles que estão longe. 

Logo as minhas férias irão terminar, e não sei de que forma poderia fazer melhor proveito dos meus dias. Sinto uma ansiedade para o que está por vir, sinto um medo, uma angústia. Há muito trabalho pela frente. Muitos plantões ainda em fins de semana, muita cobrança. Ainda vou falhar algumas vezes. Questiono-me como poderia viver melhor esta última semana ociosa que corre. Seria não pensando demais? Seria não pegando plantões extras? Sabe, dinheiro não é tudo, muito pelo contrário. O que move o mundo, e disso eu já tenho plena certeza, com todos os meus 25 anos, daqui a pouco 26, que papai do ceu me deu, é o amor, a fé e a esperança. Amor, fé, e esperança para conosco, para com os  demais e para com Deus ( ou a crença que você tenha). Somente o bom convívio é capaz de trazer mudanças, e alegria genuína. Meu trabalho, como médica, felizmente me ajuda a enxergar bem isso, me ajuda a aproveitar cada minuto que eu tenho com a minha família e me ajuda e ver que o Sol ainda brilha lá em cima, e que o céu continua azul, as estrelas brilhando, e a Terra gira, apesar das angústias a que somos postos. Portanto, da maneira que pudermos, que sigamos em frente. Seja enclausurados em casa, seja nos comunicando via internet (e ainda bem que temos este recurso), seja rezando. 

Sempre existe algo para agradecer. Não deixe que os problemas sejam maiores que a sua fé. 

Até logo! Um beijo!


 



quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Sem título

Hoje eu não tenho inspiração. Nem para mim, nem para você. Não tenho aspas. Não tenho vírgulas. 

Hoje eu sou só ponto final. 

Não quero versos, recuso estrofes.

Passo adiante rimas bem intencionadas.

Delimito metáforas. Substituo comparações.

Limitar-me-ei a palavras.

Palavras puras, beatas, cruas.

Palavras, só. Palavras.

Não sei o motivo. 

Não quero procurar também.

Às vezes as palavras murcham.

Com razão, tão mal utilizadas por aí

Podem cansar-se de vez em quando.

Coitadas das palavras

Se eu fosse uma, agora mesmo

Iria pedir para não ser utilizada.

Ficaria calada. Cismada

Até entender o momento exato

Para o qual nasci

Pra ser utilizada

Uma vez falada, transbordaria

As margens de uma palavra

E tornaria real

Cada letra do meu corpo, inflamada.

Como não sou palavra

Ainda acho que em nenhuma frase

Sirvo pra ser configurada.

Sigo calada,

São os meus dedos que cismam

Em digitar palavras.















terça-feira, 21 de janeiro de 2020

ESCUTE SEU CORAÇÃO

SE EU FOSSE EXATAMENTE DO JEITO COMO ESTOU ME SENTINDO AGORA
TUDO SERIA TÃO SIMPLES
QUE É COMO SE TUDO ESTIVESSE ONDE DEVERIA ESTAR
NA MAIS PERFEITA ORDEM

E SENTIRIA A VIDA BRILHAR SOB MEUS OLHOS
O ESFORÇO NÃO SERIA TÃO RUIM
O CAOS TOMARIA O EXATO ESPAÇO
RESERVADO ESPECIALMENTE PARA ELE
DENTRO DE MIM

MAIS FÁCIL SERIA ESCOLHER
DE ACORDO COM MEU CORAÇÃO
ELE IRIA, POR SI, GUIAR MEUS PASSOS
E DE OLHOS VENDADOS EU APONTARIA MINHA DIREÇÃO

COM TANTO AMOR ENXERGARIA A VIDA
UM FARDO SERIA APENAS A INJUSTIÇA
E, RESOLVIDA, LUTAR CONTRA ELA SERIA MAIS FÁCIL
SABENDO QUE MINHA MISSÃO ESTAVA SENDO CUMPRIDA

E, SOZINHA, COM CERTEZA ESTARIA MUITO BEM
ACOMPANHADA, ENTÃO, ESTARIA ÓTIMA
EMPREGADA OU NÃO, RICA OU POBRE, ARRUMADA OU DESCABELADA
A MINHA VIDA ERA O MEU PRÓPRIO NORTE

E, COM SENTIMENTOS, SEMPRE, DENTRO DE MIM
SENTIA QUE A VIDA ERA BELA, SIM!
E, PASSO A PASSO, UM CAMINHO ANDADO
E A CERTEZA DO DEVER REALIZADO.

domingo, 17 de novembro de 2019

Quem é o Melhor Médico?


Meu objetivo não é ser “a melhor”.
Almejo o olhar clínico, não um olhar frio, distante, mas um olhar claro, focado e humano.
A humanidade é uma característica que, apesar das tentativas de definição pelos mais variados dicionários, conhecê-la não significa ter a capacidade de praticá-la. É metafísica, abstrato. E se você não tem, não consegue expressar, não consegue tocar o seu paciente com sua presença, mesmo tendo todo o conteúdo do Harrison na cuca. 
Como disse, não quero ser a melhor, mas quero ser ao menos a melhor parte de mim em cada momento.
Não seria estranho, contudo, se acaso me perguntassem o porquê de “ser a melhor” não estar entre minhas ambições, por mil motivos. E a resposta é simples, ao mesmo tempo que pode não ser tão simples assim.
Não quero ser a melhor pois, talvez, hipoteticamente falando, a melhor não tenha humildade suficiente em algum momento em que ela seja muito necessária. Portanto, se ela era a melhor, deixaria, portanto, de ser naquele instante. 
A melhor pode ter as mãos mais firmes e precisas para uma cirurgia bastante delicada. Entretanto, certa incapacidade de transmitir tamanha técnica e confiança para seus aprendizes torna tal habilidade autolimitada temporalmente, e os próximos médicos a liderar os procedimentos serão, portanto, tão bons quanto? 
O melhor dos médicos, tanto técnica quanto humanamente, educado, esforçado, empático, resiliente. Não está passando por um bom momento. Atribulações pessoais tornaram-no esta semana um homem mais frio e impessoal do que habitual.
A questão que está sendo aqui abordada, essencialmente, não é sobre ser ou não o melhor. É sobre humanidade e sobre respeitar o tempo necessário para que possamos evoluir, tanto no aspecto pessoal como no profissional. 

Por exemplo: é muito comum a cobrança excessiva e desgastante à qual nos submetemos, às vezes inconscientemente, em prol de objetivos que nem sempre valem tanto a pena, como um CR digno de ser emoldurado e pendurado, no mínimo, na parede do quarto. Mas a Medicina vai além disso, mesmo que pareça, durante a faculdade, o oposto. 

O melhor é o melhor? Digo, o melhor é o melhor como? Qual o quesito? Em que momento? Do ponto de vista de quem? 

Aqui, peço licença para substituir a palavra “melhor” por “bom”.

Antes de sermos os melhores, aspiremos sermos “bons”.

Primeiramente podemos ser bons com nós mesmos - nossos próprios pensamentos, auto cuidado e compreensão. É de suma importância fomentar esse pensamento desde o início da faculdade. Parece jargão, mas quem está conosco em todos os momentos somos nós mesmos. Não foi bem em uma prova? Faz parte, não fique se culpando por isso. Estude, mas ter um tempo para relaxar pode ajudar a reter o conteúdo. Seja leve.

Também podemos ser bons com quem está ao nosso lado, como colegas, amigos, professores, familiares, vizinhos. Logo, logo, seremos bons com nossos pacientes também, assim que encontrá-los, no ciclo clínico, internato, residência, e na vida adiante. E, de bom em bom, vamos nos tornando versões melhores das nossas capacidades, com um toque de leveza e amor em cada escolha feita.

Assim, aprende-se a regar seu jardim, apesar das ervas daninhas, sabendo lidar com isso. Cultivando amor em tudo que faz, mesmo na pressa, na dúvida, na frustração: apressa-se amando, duvida amando, frustra-se amando, mesmo que nem se dê conta disso. 

E, por não ser o melhor, (mas sendo bom, sim!) dá a atenção necessária ao seu paciente, o escuta, pensa no diagnóstico, o examina, relembra sobre o que aprendera na faculdade, sem muito peso sobre seus ombros. E, não pesando, fica mais fácil, mais dócil, mais humano, mais certo, mais médico, em todas as ocasiões da sua vida. Penso que ser médico é algo também sobre saber viver, porque muito do aprendizado está no dia a dia, em saber contornar muitos problemas sem perder a cabeça... afinal, precisamos dela pra pensar nas melhores condutas!

Então, o melhor médico pode existir, sim!!!
Ele surge dos bons médicos, aos olhos do paciente.

domingo, 27 de outubro de 2019

NÃO ESTÁ CATALOGADO

Eu procurei na biblioteca dos meus aprendizados
De um acervo já bem grande de ensinamentos
Além de ter vasculhado entre sites de curiosos
Além de conselhos de especialistas
Eu li contos de fadas e retirei o desfecho das fábulas
Eu destrinchei todos os meios que pude
Pesquisei no ensinamento das religiões
No ceticismo da filosofia
E tentei a base firme da fé
Apesar de tudo isso
Ainda não tenho as respostas
Para as perguntas que tive
E, embora me machuque,
Minhas cicatrizes revelam
Meus maiores aprendizados

Nossos maiores amores não são premeditados
Não tem a forma, a definição que esperamos
Muitas vezes o amor só se mostra ao nosso coração
Depois de ter passado, caso você
Não se permita a tempo
E, aliás permitir-se é 50% dessa vida
Pois nossas dificuldades são, muitas vezes, psicológicas
Retire as amarras das suas mãos,
Liberte as correntes de seus pés
E se permita viver a imperfeição
Crie oportunidades nos becos mais obscuros
Seja a luz que todos precisam
Muitas vezes somos os agentes
De uma grande revolução
Nos outros, e dentro de nós mesmos
Temos que nos permitir enxergar
Temos que acreditar no que vivemos
Para poder usufruir ao máximo
Toda a mágica que existe em cada possibilidade
Em cada oportunidade
Em cada segundo do presente
Portanto, abra seus olhos,
Ouça quem quiser falar
Sente para conversar
E permita-se
Pois todas as teorias
Morrem
no exato instante
Em que não são colocadas em prática.

Coloquei em prática
A despedida, longínqua,
De um quase namoro
Separado virtualmente
Quem disse que aquele último
Seria o nosso último beijo?
Poderíamos voltar, para que eu o beije
Dignamente
Um último beijo preparado?

Poderíamos fazer tudo de novo, direito,
Pra que nos certifiquemos
De que não fizemos nada errado?
Pois não tenho mesmo tanta certeza
De que quero te perder
Mas também não tenho muita certeza
Se quero um dia casar com você.
Então fico aqui, sem saber
Desesperada,
De mãos atadas
Nem sei por quê.

Uma escolha mal feita desde o início
Pode caminhar pra um relacionamento tão intenso
Quanto uma escolha perfeita
Então pense bem
Antes de agir por impulso
Por ansiedade, por desilusão
Por saudade, por desinformação
Vai com calma, devagarzinho
Sem retirar os pés do chão
De mansinho em mansinho,
A roda volta a girar
A sua bicicleta anda
E longe você vai chegar
Mas sem pressa, sem desespero
E tente com calma enxergar
Que cada comida tem seu tempero.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Sem tempo

Reservo um minuto pra escrever bobagens.
Não que eu deva.
Por isso um minuto, você não merece mais que isso - nem isso, na verdade!
Mas, saudades!
Da sua mão em minha nuca, do seu beijo doce, do seu olhar calmo e investigador. Das suas teorias e observações aleatórias sobre meu comportamento.
Do seu senso de humor parecido com o meu.
Das trocas de palavras mostrando que somos inteligentes mesmo.
Das DRs prematuras e que não levaram a nada.
Do seu jeito, por vezes, jovem, despretensioso
Quando estava distraído
Do seu abraço.
Da sua pegada
Dos beijos no shopping
De você me esperando ir embora pra ir embora também
De como me tratava quando estávamos bem
Mas é só isso mesmo
Porque acabou o seu tempo
Faz semanas. 

Balança Negativa

Esse sentimento foi inaugurado há algumas semanas, quem sabe um mês agora, dentro de mim. É novo, chato, incômodo, bem inconveniente. Sabe aquele amigo que aparece e fala nas horas erradas? Justamente.
Saudade.
Venho lendo tantos posts no Instagram sobre como evitar, ignorar, bloquear, esquecer definitivamente (ou até que não exista sentimentos? Seria possível?) o ex namorado. Alguns têm me ajudado, porém nenhum foi capaz de me convencer sobre apagar e me deletar definitivamente da existência dele.
As conversas já cessaram, abruptamente. Observei que nem sempre tentar chegar a uma conclusão lógica é suficiente. Possivelmente palavras bem ditas e orientadas não sejam páreas para a profundidade e complexidade de um relacionamento. Tentamos nos entender, em vão.
Em suma, apertar as mãos, combinar de não mais nos vermos e cada um seguir sua vida, ainda nos falando como bons amigos, seria uma boa proposta - para um filme, um romance, um livro.
Na vida real, ou seja, na minha vida real, isso não rolou.
Tentativas frustradas de fazer duas peças diferentes se encaixarem. Duas criações bem diferentes. Duas histórias que se cruzaram a partir de um aplicativo, com um super like e uma conversa e algumas chamadas de vídeo que me convenceram a encontrá-lo pessoalmente.
Alguns pontos positivos, alguns pontos um pouco indefinidos. Duas pessoas estudiosas. Idades parecidas. Bom gosto para perfumes. Porém mentalidades diferentes.
Aprendi que temos que saber até onde estamos dispostos a abrir mão de quem somos em prol de um relacionamento.
Aprendi que pode-se sofrer muito, principalmente se a pessoa não souber se valorizar e, mais que isso, o valor que tem.
Aprendi que é arriscado, em vários aspectos, adentrar em um relacionamento por algum aplicativo, uma vez que a outra pessoa não tem referências sobre quem você é e sobre a sua história (e vice-versa).
Aprendi que somos donos da nossa própria história e é fácil mudar de caminho e se atrapalhar bastante, perdendo o foco nos estudos (por exemplo). Logo, não abrace uma situação que, provavelmente, você não vai dar conta. Se estiver com problemas em sua vida pessoal, peça ajuda, não tente soluções por outros meios. A chance de se enrolar é grande, virando uma bola de neve maior ainda a cada dia. Aprenda que ser fraco é condição natural do ser humano, e temos direito a sermos, de vez em quando. É preciso humildade pra pedir ajuda.
Às vezes, para encontrarmos alguém ideal, precisamos nos encontrar antes - ou ficarmos menos perdidos, pra sabermos o que queremos, e evitar grandes dores de cabeça.
Não foi tempo perdido.
A saudade continua. Latente, aqui dentro.
Às vezes dou a mão a ela. Hoje, há pouco, ela me deu uma rasteira, fiquei com um nervoso grande e tive até diarreia.
Sentimento é uma coisa engraçada, mesmo!
Fico pensando... terminou assim, do nada. Pois não tinha como ser de outro jeito. Não adiantava conversar. Estava claro que não iria dar certo, ambos sabíamos. Porém, ambos não queríamos admitir. Existia química, conversa. Mas não sabíamos se tinha um futuro, talvez por alguns anos, não muito mais que isso, e em que condições?
A incerteza faz parte dos relacionamentos.
Porém, quando ela é maior do que a certeza de que tudo vai ficar bem,
AH.......
A balança começa a ficar negativa.

Nada

Adriana Calcanhoto deveria reformular a música "Devolva-me", perfeita para antigamente - (para antigamente).
Felizmente, tenho talvez as palavras necessárias e a experiência vivida necessárias para dar legitimidade e poesia a um "Devolva-me" atualizado e moderninho.

Delete os meus e-mails e
Não envie mais mensagens
Assim será melhor, meu bem!
As fotos que eu enviei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, apague-as!
Evite minhas redes sociais
Que eu evitarei as suas também
Ainda deve ter a mesma rotina
Mas evito sentir falta dos seus "bons dias"

Delete os meus e-mails e
Prometo não te procurar mais
Assim será melhor, meu bem!
As fotos com você, deletei
Mesmo hesitante; solucei
Sem te olhar, já não há nada
Não há nada
Não há
Nada.

Apesar de ser um "Devolva-me" atualizado e "moderninho", anseio que o sofrimento, meu bem, seja exatamente o mesmo de antigamente.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Inesperado

À academia, ontem:
Não fui!
Em vez disso:
estudei!
Fiz um trabalho
Após batalhar 
Atrás de um computador
Na faculdade
(Já que todos os outros cursos
ainda estão de férias) 
E então, finalizei
Satisfeita, o trabalho
E corri pra casa
Antes, porém,
comprei
Um delicioso

De-
li-
ci-
o-
so

Daqueles que dão água na boca
pote de morango
Com cobertura de chocolate

Voltei pra casa, claro, sorrindo
Encontrei amigos no caminho

Voltei conversando
Ofereci meu chocolate
E estou aqui, feliz, pensando...
Ainda bem que não fui pra academia!

Ainda bem que a felicidade 
Esteve camuflada 
Naquele potinho de morango
Esperando por mim nesta tarde 
Desta delicia de Quinta-feira
(Talvez tenham sido 
Os 12 reais mais bem
Gastos desta semana)

Só pra constar:
Ah....
quando eu tô feliz
Eu tenho certeza disso!
(Mas quando estou triste
Eu me pergunto -
Será que estou feliz?)

A felicidade é
Uma onda no caos
Um eco na infinitude
Um abraço invisível
Inesperado

Reformulação

Às vezes a pedra no meio do caminho
 pode ser nós mesmos
contorná-la pode ser subjetivo.
as vezes a pedra pode ser
um calo no pé ou
uma pedra no sapato.
Como contornar
minha visão sobre a pedra
como desfazê-la pedra
e reformá-la
uma estátua no caminho
como uma obra em mármore ?
ou virar Aleijadinho
minhas obras serão mais despedaçadas
Hei de tirar-lhes o coração
talvez em meu peito ele bata.
e aí tornar-me ei o próprio caminho
Para que ali em paz descanse a pedra

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Parem de falar que a vida é muito curta!
Curta é a vida que quem não conseguiu sair do útero
Que teve sua formação embrionária interrompida
De quem atravessava a rua e acordou em um leito
De quem foi interrompido bruscamente

A ambição do ser humano é infinita
Por isso os dias não são suficientes
As horas passam muito depressa
Mas o tempo é dono de si
E ele é quem dita o ritmo da melodia

A atualidade força as pessoas
A irem além das suas possibilidades
A pegar trem e viajar distâncias
Entrecortadas pela saudade
E pelas diversas lembranças

"Aquela estação está marcada
Pelo primeiro beijo, meu e dele!
Naquela ali, fui assaltada!
Nesta eu conversei com um estrangeiro!
Mas em todo o percurso, todos os dias
Ficava um misto de prazer e agonia"

O trem vai para onde? Para a saudade
Saúdam o pobre, o louco, o faminto
O rico, o cansado, o esbelto
Para todas as direções o trem vai
Só não sei em que estação fico

Não sei o preço da passagem
Meu medo é meu melhor amigo
Não olhe para os lados, feche os olhos
Não conheço você, indivíduo!

Ambição é estar bem consigo
Em todas as estações, em todas as dúvidas
Apesar disso, continuar embarcado
É com você, seu maior compromisso.

Se não aceitar, seguindo o caminho
Como vou ser feliz neste estilo?
Felicidade está na constância
No brilho do Sol, em cada sorriso

Felicidade está nos intervalos
Nas refeições, nos fins de semana
No inesperado, na saída do plantão
Em horário de verão com o Sol em rima

Todas as estações merecem destaque
Todos os intervalos são muito bem vindos
As lembranças preenchem a alma 
A gana e resiliência, o espírito







terça-feira, 13 de novembro de 2018


Uma escada que sobe para baixo
Uma ladeira que desce para cima
Desce-se a escada ao pensar subi-la
Sobe a ladeira ao pensar descê-la

E nesse vai e vem incoordenado
Penso que... ao certo? Só o incerto serve!
Querer saber é garantir a desgraça
De correr atrás do inatingível
Pois a inteligência se dá ao acaso

Para quê correr? O saber voa!
São planos diferentes de uma planilha
e mesmo que se alcance o saber
Ele estará acima!







quinta-feira, 16 de agosto de 2018

            Às vezes, no silêncio da noite, eu fico pensando no dia que passou, e meus pensamentos voam tão longe, que reluto em ir para a cama. Ai, que perda de tempo, dormir, quando se tem tanto a pensar, a descobrir, a investigar! Existem tantas verdades dentro de nós mesmos que, na correria do dia a dia, nos perdemos, e são nessas horas que, por vezes, esbarro em mim, e me encontro. Apesar disso, quando me deito, enfio meu crânio na superfície macia do travesseiro, me questiono, oras, que bobagem não ter vindo logo deitar! Tão bom é ter um sono tranquilo à noite, que não posso dispensá-lo, assim, à toa.

...Pensamentos de uma noite já deitada.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Eu não quero ser a melhor.
Não sei se posso culpar a Medicina, mas mesmo que eu pudesse, eu sei que parte da culpa seria minha, caso contrário, eu não teria a admiração que tenho por alguns poucos, porém existentes, futuros colegas de profissão. 
Eu só quero ter o olhar clínico, não um olhar frio, distante, mas um olhar claro, focado e humano.
A humanidade é uma característica que os dicionários não podem definir, é metafísica, é abstrato. E se você não tem, não consegue expressar, não consegue tocar seu paciente com sua presença, mesmo tendo todo o Harrison na cuca. 
Como disse, não quero ser a melhor, mas quero ser ao menos a melhor parte de mim, pois não sei se alcanço o melhor que posso ser, desconheço essa linha imaginária. 
Não quero ser a melhor, pois talvez o melhor não tenha humildade suficiente, deixando de ser. O melhor é o melhor? Digo, o melhor é o melhor como? Qual o quesito? 
O melhor, eu penso, é aquele que enxerga a pessoa que está num corpo, e não examina o corpo, mas o indivíduo. Aquele que é uma pessoa antes de ser um médico, e ignora suas dores só quando necessário. É aquele que sabe regar seu jardim, apesar das ervas daninhas, e sabe lidar com isso. É aquele que brinca, que se diverte, que está no seu tempo, e não se sente angustiado por isso. É aquele cujo amor está em tudo que faz, mesmo na pressa, na dúvida, na frustração: apressa-se amando, duvida amando, frustra-se amando, mesmo que nem se dê conta disso. 
E, por não ser o melhor, pode dar a atenção necessária ao seu paciente, escutá-lo, pensar no diagnóstico, examinar, lembrar sobre o que aprendera na faculdade, sem muito peso sobre seus ombros. E, não pesando, fica mais fácil, mais dócil, mais humano, mais certo, mais médico, em todas as ocasiões da sua vida, em uma festa, em um bar. Acho que ser médico é algo também sobre saber viver, porque muito do aprendizado está no dia a dia, e saber lidar com muitos problemas sem perder a cabeça, afinal, precisamos dela pra pensar nas melhores condutas.  

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Ginecologia e Geriatria

Os dias no internato são diferentes do ciclo clínico, e agora, chegando ao fim do 9º período (que é o primeiro período do internato) isso fica, para mim, mais claro.

Pretendo aqui abordar um pouco do que foi esse último rodízio que já finda, porém antes, pontuo tópicos que considero importantes.

Primeiramente, é preciso entender que o internato exige disciplina. Em outras faculdades, que têm em média quatro anos de duração, você já estaria formada. Isso demonstra que você já tem muito conhecimento e metodologia de estudo adquiridos, embora possa pensar o contrário (eu!).  Logo, arregace as mangas e que os trabalhos comecem!

Aproveite cada módulo, cada especialidade e estude simultaneamente para a residência. Isso facilita caso haja dúvidas, pois você pode tirá-las diretamente com o professor, além de facilitar o aprendizado, pois ao mesmo tempo que estuda a teoria, você revê a matéria, só que na prática, e pode discutí-la com os colegas. É uma maneira inteligente de fixar e compreender, de fato, o que está sendo lido.

Então, como disse inicialmente, estou rodando atualmente nas especialidades: Ginecologia, Geriatria e Medicina Legal, tendo Ginecologia a maior carga horária. 

Inicialmente, admito que eu tinha um certo preconceito com relação à Ginecologia, pois não pensei que possuísse muita afinidade com ela. Apesar disso, quando se é interno, é importante manter a mente aberta a possibilidades, pois o estranhamento pode ser fruto da falta de contato com a área. 
Então, no decorrer das semanas, após inúmeros atendimentos, anamneses e exames físicos, entre colher preventivo, perguntar a data de menarca e outros detalhes não menos importantes, vamos entendendo o porquê de cada pergunta, por mais trivial que ela pareça ser. Tem cheiro? Qual a cor? Dói? E só a paciente tem as respostas, e nós temos que saber ouvir e, mais do que isso, saber o que perguntar, e em quê prestar atenção para a história ter sentido. Todo paciente tem uma história, você só a extrai e põe em uma forma pra enxergar o diagnóstico e tratar. 
Assim, faltando poucas semanas para o final deste rodízio, sinto que estou bem mais inteirada do universus vaginalis. A Ginecologia é uma especialidade sem igual, pois possibilita um universo de procedimentos e condutas, não se trata apenas sobre "tratar corrimento" como já ouvi de colegas. Os fatores de risco são bem explorados principalmente para cânceres, muitas vezes a história familiar é bem valorizada, solicitando-se exames e há um acompanhamento periódico próximo, que permite uma terapêutica adequada de caso a caso. 
Hoje mesmo, tive prática de Gineco, e as condutas já estão claras para a maioria dos estudantes, solicitamos colposcopia para mulheres com até 64 anos, preenchemos a solicitação dos exames, mamografia, USGTV, avaliamos o BIHADS e a radiografia. É interessante.


Também estou tendo contato com a Geriatria, pela primeira vez de modo específico. Meus professores são geriatras, com outras especializações: um é clínico (requisito para a residência em Geriatria), outros dois são Neurologistas.

Antes de tudo, é sempre bom lembrar que a Geriatria abrange pessoas a partir de seus jovens 35 anos. É claro que a maior parte dos pacientes têm idades mais avançadas, porém, por motivo de buscar uma boa qualidade de vida na 3ª idade, o acompanhamento pode começar na prevenção das enfermidades que um corpo jovem mal assistido pode adquirir com o tempo, sendo um processo natural. Assim, a Geriatria atua na prevenção primária, secundária e terciária da saúde de seus pacientes.

Minhas aulas são as segundas-feiras à tarde no ambulatório da faculdade e às quartas-feiras à tarde, no hospital Caxias D'Or, no auditório. Tivemos a oportunidade de, na segunda semana de aula, fazermos anamnese em um paciente a cada dois alunos (fomos divididos em duplas). Com essa experiência, vimos que os 40 minutos destinados à anamnese passaram voando, a causa? Eu não sei o que mais pesou, se foi a doença de alzheimer, como uma síndrome demencial presente, ou as muitas histórias que precisam ser rebobinadas aos poucos, e que, para não entrelaçarem, são contadas com cuidado. Foi difícil, de fato, saber a causa da internação do paciente, e eu e minha dupla nos enrolamos um pouco nesta tarefa, pois às vezes não tínhamos as respostas que buscávamos.
Após meia hora, a cuidadora do paciente chegou e pode elucidar nossas dúvidas, mas o protagonista continuou sendo o idoso. Ele estava obnubilado, porém sua identidade do eu estava preservada. Relatou, com perfeição, suas façanhas antigas, ter sido locutor radialista, suas viagens e a universidade em Pernambuco que cursara, de Direito. Foi amigo de grandes figuras. Tinha uma linguagem rebuscada, e era visível que se tratava de uma pessoa culta. É uma enorme gratidão estar perto de pessoas assim, e eu me senti honrada em poder cuidar dele, ao mesmo tempo que senti um pouco de tristeza, pois muito conhecimento estava ali, uma capacidade de eloquência e percepção fantásticas, mas suas memórias sobrepunham o presente, de modo que sua independência ficara comprometida, e a capacidade de ir e vir, prejudicadas. Queria pegar em sua mão e pedir desculpas, mas não sei pelo o quê. Carinho e tristeza misturados, ainda que só o conhecesse há poucos minutos. 

Além desse dia, tivemos outras aulas e fizemos atendimentos em pacientes ambulatoriais. É bem recorrente casos de síndrome Parkinsoniana, e achei que a doença de Alzheimer esteve menos presente nos pacientes. A Geriatria é complexa pois dificilmente o paciente terá apenas uma queixa, e é preciso cuidar cada parte de modo que o todo fique saudável. Saber dosar, alterar e avaliar a retirada e prescrição de cada medicação anti-hipertensiva é crucial. Em um dos atendimentos diagnosticamos uma HAS mascarada, com a realização de MRPA e pudemos ajustar a dose do medicamento, tendo sido a MRPA de fundamental importância pois, caso não fosse diagnosticada, futuramente haveria lesão em órgãos-alvo, prejudicando o quadro clínico e prognóstico do paciente. 

Desse modo, é possível observar que a Geriatria é complexa e exige estudo e atualização constantes, além de uma humanidade extraordinária, para os que fazem por amor. Não é normal um idoso não enxergar, não ouvir bem, ter problemas gástricos, pois há tratamentos disponíveis. Pacientes socialmente distantes com Parkinson não tratado, através da medicação em dose correta, com ajustes no decorrer do tempo, voltaram às atividades diárias e conquistaram novamente sua independência, até correndo pelos corredores do ambulatório enquanto eram avaliados pelo médico. Outro paciente, em outro dia, fez questão de agradecer a cada aluno presente na sala de seu atendimento (éramos em torno de 7 pessoas) após seu atendimento, surpreendendo a todos, e sua simpatia era simplesmente contagiante, com sua boina de português - que ele julgava feia - , sobre a cadeira de rodas. 

Vou finalizando por aqui, pois preciso ainda estudar já que a prova de Geriatria se aproxima, mas vocês podem ter certeza de que, independentemente da especialidade, todo atendimento é uma lição, um aprendizado, mas diante de pessoas que têm tanto para contar, essa lição vem em doses dobradas!!! =D 



Abraços!!!



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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Quem nunca sentiu nostalgia? Aquela saudade de um tempo passado, uma vontade de voltar no tempo.
Sinto saudades, ou nostalgia mesmo. Sinto saudades de quando a turma era toda reunida, e você não tinha que escolher com quem ficar.
Tenho saudades de ter todas as escolhas à minha frente, como um baralho de possibilidades, e escolher qualquer carta era simples questão de afinidade e prazer. Saudades de quando era tudo novo, mágico, e eu não me sentia pressionada a nada. Saudades de quando estudar era simples questão de entender, não de passar para se formar tão cedo quanto possível, como um mecanismo intrínseco, unidirecional. Saudades de estudar sem pressão alguma.
Saudades de me sentir digna, capaz e com propriedade no que digo, pois tudo é tão incerto. Não sei mais se meus sonhos são dignos de nota: eles estão focados demais estudando para saber o mínimo necessário, afinal, as provas exigem tanto.
Sou uma pessoa que foi feita para sair dos moldes, sei disso. Mas estou enquadrada. Fui moldada. E não estou no molde que meu artista imaginou ao me desenhar.
Eu sou o desenho que transborda do quadro, que arranca limites. Eu sou a pintura cuja tinta escorre pelo chão do museu. Os seus visitantes saem de lá com minha tinta em seus sapatos, em suas roupas, diferentes de como entraram.
Não olho para os outros quadros. Eles talvez estejam bem como são, não me importa. Se nasceram para ser inertes, não eu!
Eu sou uma pintura dinâmica.
Só às vezes esqueço,
me enquadro.

sábado, 5 de maio de 2018

Só lhe peço que não peça

Boa noite.

Escrevo-lhe esta carta para fazer um simples pedido: por favor, não me peça.

Pode parecer simples pra você, que não se exige, que não se abala, que apenas vive, dirige, progride. Somos adjetivos diferentes, meu bem, e por mais que de longe você me ache uma pessoa interessante, de perto eu talvez seja mais ainda, mas o meio termo me abala, então quando quiser me entender, não tente, só entenda. Entenda ao menos o que aqui lhe dito. 

Não me peça para falar. Não somente isso, mas também não deseje que eu diga nada. Apenas esteja lá, e, se nenhuma palavra escutar, interprete os meus silêncios, até que eu diga algo. Pois os silêncios também são feitos de harmonia. E eu quero ver se você sabe lidar com isso.

Não tente me entender. Apenas esteja por perto no dia a dia. E então meu padrão de comportamento você talvez trace, mas não é tão simples, então entenda a minha complexidade, e a aceite como incompreensível, pois todos somos. Se isso não angustiar você, e ainda quiser permanecer, que fique.

Não espere nada de mim. Esperar não é construtivo e pode culminar em desapontamento. Em vez disso, sugestione algum lugar, algum desafio, alguma atividade. E então você não esperará, você verá. E eu não precisarei dizer, eu mostrarei, porque a realidade é feita de realizações, não de sonhos, embora eu sonhe muito, sim, vai entender.

Não me ache uma boa pessoa, finja que não liga. Não crie expectativas. Sou como qualquer pessoa, e ao mesmo tempo que me acho boa, me pergunto como posso fazer tanta burrada. É um dom e tanto, realmente.

Não corra atrás de mim, apareça. Pois é isso o que as pessoas que gostam fazem, estão presentes. Portanto, se quer me ver, esteja perto. Me espere. Me chame. Me acompanhe. 

Não tente, seja. Não tente parecer algo, não tente me dar um beijo, não tente me abraçar. Converse comigo, Me diz o que você pensa. Me deixa participar. 

Daí, veja se eu correspondo. Se eu corresponder, eu gosto de você, e você vê se gosta de mim, e já estaremos próximos o suficiente para entendermos um ao outro e ambas as nossas expectativas. Se eu não corresponder, é certo que não gosto de você, então seremos bons amigos, pois bem sei ser. 

Enfim, só lhe peço isso tudo, mas resumindo, que não peça. Não me peça para parecer atraente, simpática, livre, independente, resolvida, não me peça para ser uma boba contente. Não sou isso o tempo todo. Sou carente, dependente, indecisa, fragmentada em busca dos meus próprios pedaços. Mas também posso ser firme, objetiva, pragmática, realista, calma, insistente, esportista. Não sou suas expectativas, mas podemos crescer juntos, se você topar. E quem sabe até aonde podemos chegar?

Enfim, termino esta carta. Se ela chegará a seu destino, não saberei. Mas que fique documentado, pois você a quem não pedi que não pedisse, você que isto não leu - você eu esquecerei.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Não que fosse necessário, mas meu pedido único é que imagine, caro leitor, ao menos por hora. Então lá vamos nós. Para que vivesse bem, ele não era capaz de desimportar. Tudo em sua plenitude, em sua necessidade, lhe consumiam as forças. O ar que respirava. A fita que sobrava. A mensagem não lida ou lida. A hora do almoço. A necessidade de conseguir, a falta crônica. Tudo o era preenchível, deixando-o um pouco de tudo.
Contudo, de tanto recolher respostas, perdera-se em suas próprias ponderações. Não sabia mais onde estava, quem se tornara. Sua juventude estava ameaçada. Sentia-se como um quadro surrealista.
Foi aí então que soube. Caro leitor, compreenda, o intuito aqui não é abordar o modo como ele soube, se me permite abafar sua curiosidade, mas não é isso, é que tenho outras tarefas para fazer. Porém, vou abrir uma exceção para evitar dismorfias no corpo do texto. Após ultrapassar uma porta, uma porta em um beco por onde o personagem nunca havia entrado. Então, aí, ele pôde ver seu futuro, de algum modo. ele pode sentir-se ali. E ele sentiu algo que seus hábitos não o proporcionavam, nem sua coleção de certezas: Calma.
E, sabendo que ficaria tudo bem, ele fechou a porta. Mas não a transpassara! Voltou pelo mesmo beco por onde entrara, e caminhou. Ao olhar para trás, o beco não mais ali estava. Fora um sonho?

Chegou em casa, tirou os sapatos. pensou em coloca-los na mesma prateleira onde sempre colocava. Mas os deixou do lado de fora, perto da porta, jogados no chão. Pensou em esquentar a comida. Um impulso o fez postergar para dali a pouco. Andou. Jogou-se no sofá. Fechou os olhos por um instante e sorriu, sem querer, pois era como se uma brisa leve tocasse seu rosto, numa tarde de calor, afagando seus cabelos gentilmente.
Ele sabia! Estava tudo certo. Sem pressa, aos poucos, tudo tem sua hora, pensou, e, mais do que isso, sentiu. Ainda podia sentir a sensação de estar do outro lado da porta. O seu futuro estava ali, o esperando, para recebe-lo. E sentiu-se tão grato que, por tanta gratidão, decidiu dar ao presente sua calma, pois com sua calma, ganharia também seu coração, colocando-o em tudo que fizesse, não para depois, mas a partir de agora, pois o futuro começa daqui a pouco.

E, assim, fechou os olhos, seguro de que, por mais que aquela sensação passasse, ele não esqueceria, e jurou depositar a sua fé no dia de hoje. Pois, naquele momento, teve a certeza de ser uma boa pessoa. Não precisou mais recolher emoções, histórias, sentimentos. Ele era ele. Ele não era a competição que ele sentia ao redor. Ele não era o número de vagas. Ele não era a pressão que ele mesmo se impunha. Ele era o presente dele mesmo e dos outros, no presente.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Se tem uma palavra da língua portuguesa que é gostosa de sentir é ternura. Pra mim, ternura é a expressão do amor. Ternura é inatingível se não for genuíno. Apesar disso, eu vejo ternura em situações bobas do dia a dia.

Sinto ternura e é quando vejo que amo minha avó, única viva por parte de pai e de mãe, quando ela escreve no whattsApp sozinha, sem que ninguém a ajude, em sua casa, falando que está "em horacao por todos voces". Assim, sem til, sem cedilhado no "c", sem acento circunflexo. Porém a horacao dela teve muito mais charme porque eu sei do seu verdadeiro sentido. Eu sei que a horacao não será apenas escrita, que ela será sentida, feita e desejada. Sei do amor que existe por trás de cada palavra na minha tela que aparece. Sei que tudo isso é fruto da inteligência dela e da vontade de estar perto das filhas, mesmo com suas seis casadas e já com seus próprios filhos. Apesar dos seus esquecimentos, da sua eventual tristeza ocultada, do esforço para andar, das breves, porém presentes, reclamações pontuais. Minha avó conta suas histórias como se tivessem sido vividas ontem. História de vida bem triste, porém repleta de superação que é o pilar de uma família grande, se construindo. Muito foi feito porque ela se superou. E hoje está aí, no WhattsApp, enviando mensagens, preocupada com as filhas que voltam tarde pra casa e com os netos. E ainda sorrio com suas mensagens: desorganizadas, surpreendentes, fora de ordem, desconexas, que quase ditam o esforço do aprendizado. Mas uma hora, a mensagem vai, e a gente lê, todo bobo, com carinho. Desse tipo de avó que dá mesmo vontade de abraçar pra sempre. Uma mensagem pra cada filha, e sempre uma oração pra todo mundo, ou horacao, que é a melhor dos mundos.

 Outra forma boba de sentir ternura é com o segurança da porta de entrada dos fundos da minha faculdade. Normalmente, ele estaria ali hoje, mas deve ter sido promovido a guarda da frente, pois mudou de posição. Fui indo como sempre pra faculdade, mochila nas costas, com um Sol bonito no céu. Passando pelo portão, lá estava ele de guarda, como sempre, e eu, já acostumada. Então ele me acenou e disse: "boa aula!" e sorriu. Foi um gesto simples, porém me transmitiu uma tranquilidade e retidão, e ternura, que poucos bons dias são capazes de oferecer. E eu vi como eu sou mesmo boba, quando no ano passado, quando eu disse isso à minha terapeuta, ela riu, e eu, rindo, quase chorei, foi por pouco. Porque o amor é  fácil de ser transmitido, só não é fácil estar aberto para isso, a ponto de percebê-lo. Quando você o percebe, você o multiplica, porque ele é contagioso. Mas não se pode cultivá-lo em laboratório, precisa-se vivê-lo se quiser usufruir de seus benefícios, e ensiná-lo.