terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Calma

 Se me veres assim parada

Mexendo em alguma coisa aparentemente desimportante 

Nesse espaço de tempo que vos escrevo 

saiba que estou muito ocupada 

Mais do que poderias julgar. 

Por isso eu peço um tempo 

para me reorganizar 

não sei em que momento me enrolei

Em um carretel de obrigações 

e nunca mais fui aliviada 

quanto mais tento, menos consigo 

e por vezes me distraio e me sinto aliviada

Em todo canto há afazeres, pendências e contratempos

Há contas a pagar, há ofertas imperdíveis, há holofotes, aplausos e discussões

Eu quero é paz 

Dá-me um pouco de sossego 

Onde é que se acha esse produto no mercado?

Deixe-me ocupar-me de meu ócio 

Meu silêncio que muito tem a dizer

O barulho das estrelas, o soar do vento

A algazarra de um dia calmo após um feriado turbulento 

Não quero sair 

Não quero me distrair

Quero apenas sentir o momento

Pois aqui estou, sou e existo 

E para chegar até este momento, corri até aqui

Deixe que dele eu desfrute.

Hoje eu não quero sair.


quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Certo incerto

Onde eu defino

O quando do término de algo? 

Seria o último adeus? E se não houver adeus? 

A última conversa? E se não houve última conversa? 

O último olhar? E se não me lembro?

O último beijo? A última memória? 

E se não sei quando termina 

Posso considerar que terminou? 

Mas afinal, o que tínhamos mesmo? 

Eu conheci sua mãe. Eu soube do seu pai. 

Falei oi pro seu irmão. Entrei na sua casa. 

Mas não éramos namorados. Éramos então o que? Conhecidos? 

Terminamos como desconhecidos

De algo que nunca aconteceu? 

E as conversas que não tivemos 

Ficaram subentendidas? 

Isso não me soa bem

Fico querendo falar contigo 

Penso e repenso em mandar um “oi”, vamos conversar 

Sermos então amigos 

Porque na sua vaidade, você era doce

Mas um doce que eu não sentia 

Um doce que eu só admirava 

Como uma pintura frágil de 500 anos 

Que se tocar, se esvai 

Um pergaminho valioso 

Não soube te decifrar 

E não sei se você se conhece

A sua indiferença me entristece

Talvez eu não te queira, afinal 

Correr atrás do que nunca foi meu 

Acho que pode me causar mal. 


Tem gente que vai embora fácil, que é escorregadio. 

Livre leve e solto, não se esforça também para ficar

Tem muito o que pensar e fazer, 

E mais ainda pra se distrair, então acaba não retornando

Não retorna uma mensagem, uma justificativa,

Não retorna um porquê

E não retorna, simplesmente.

Porque a vida é bonita demais para ficar remoendo pequenitudes breves

E se já não fosse mesmo dar certo, e se demandava uma certa energia, percebida por nós,

Você devia estar bem sem fazer tanto esforço no seu canto belo. 

Sua casa, seu lar

Seu cafofo quentinho e sossegado

Longe do ruído de quem tem muito o que fazer 

Lá no último andar do prédio da zona sul 

Com uma vista de doer do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar 

E da Baía de Guanabara

Que cintila de cima, e que de perto, fede 

Ouve os sambas que criticam a sociedade 

Com seu vinho no copo Stanley

Que no outro dia eu paguei porque o seu cartão não passou

Ainda bem que nós combinamos tanto

E que eu sou tão escorregadia quanto.


terça-feira, 18 de outubro de 2022

Desmentida

 Nada do que eu falo está bom

Tudo que digo é um exagero

Tudo que pontuo é detalhe

O que for relevante, é coincidência

O que for bom é plágio

O que for engraçado, é bobo

Se sorrio é patético

Se choro, drama

Se sofro, é pouco

Se aproveito, ilusão

Se ganho, é fraude

Se ajudo, é dispensável

Se corro, é adiantada

Se ando, lerda

Se desvio, indecisa

Se não sei, idiota

Se esqueço, desnorteada

 Se hesito, insegura 

Se param,

Continuo. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Azul e alma

 Hoje eu estou me sentindo insuficiente. 

Hoje eu estou num paradigma. 

Como se estivesse sobre um penhasco, encarando-o. Sou eu quem o encara ou ele que encara a mim? 

Eu afundo nele ou ele se afunda em mim? 

É o oceano do solo que reflete em meus olhos ou sou eu que reflito nele? 

Não sei o que faço. Não sei o que sinto. 

Se pulo pro penhasco, ou o deixo devotar-me. Não seriam ambos a mesma coisa? Pra quê encaro esse penhasco, se sei que não posso confrontá-lo? Se suas muralhas são infinitamente mais sólidas do que meus músculos? Minhas razões e meus motivos? 

Continuo a encará-lo. Não sei por que sou, por que estou. Mas fico. 

As minhas convicções são maiores que as minhas certezas. Por elas eu luto. 

E são elas que me convencem que há um motivo para estar. 

Mas sabe.

Talvez eu não quisesse convicção. Apenas queria ser o oceano. Ali, tranquilo, convivendo e abraçando o abismo, que faz dele até obra de arte, num azul profundo e calmo. 

Eu sou profunda e alma. 

Me deito e olho o azul do céu. Que me abraça. 

E me desfaço em certezas. 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Um hobby

 Não sirvo pra ser escritora.

Por tempos, pensei em sê-lo. Imaginei que por conversar sozinha com meus textos daria uma boa contadora de histórias. Não dou. 

Textos são criados para serem lidos, eles têm uma história pra contar, início meio e fim de algo interessante. E analisando os meus textos, encontro um redemoinho de pensamentos extravasando de um copo cheio. Um copo transbordante. Um copo com tédio. E a partir desse contexto, analiso que eu sou o copo.

Quando o copo tiver histórias para contar, daí então, eu prometo que palavras serão escritas para que histórias sejam lidas. De nada adianta uma boa gramática se o conteúdo é chato. Portanto, parei. 

Noto que nos momentos que mais estava ocupada, engajada, pouco escrevi. Deve ser porque não sou escritora. O escritor vive e, depois de um dia agitado, pede licença aos convidados para fazer o seu ofício em seu escritório. É uma obrigação, não uma escolha. 

Meus textos são hobbies. Não sei como transformá-los em profissão. Preciso ter histórias para contar. 

Portanto, vou atrás de histórias. 

Assim que as obter, eu as carimbo aqui. 

Até mais ❤️


quinta-feira, 16 de junho de 2022

carta à minha menina

Quanto tempo eu não apareço por aqui, hein??
Pois bem... quantos acontecimentos não relatados!!!
Muita água já rolou!
Já vivi coisas que eu não imaginaria
Já me banhei em rios antes inexploráveis 
Já percorri morros com mata  nativa
Abrindo a mata com um facão cego!
Isso se a vida fosse uma floresta.

O que cabem nos meus 27 anos?
Com certeza, essa mulher, se assim já consigo me enxergar, teria muito, muito, mas muito mesmo, um tanto, a dizer pra menina de 18 anos! Ou a de 15, então!

Pois a menina de 15 e a de 18 eram quase uma criança! Muito pouco vivido, muito pouco explorado! 
A menina de 15 e de 18 acreditava muito ainda em conto de fadas! A de 27 ainda acredita, porém com uma dose extra de realidade e de apropriação de si mesma e da própria vida. A de 27 anos não senta e fica esperando tanto dos outros, já sabe que tem que caminhar com as próprias pernas, e que a vida não é fácil e que é a somatória das nossas escolhas. 

A de 27 anos se orgulha pela menina que foi aos 15 e aos 18 anos, também! E se eu pudesse, eu voltaria no tempo para abraçá-la e dizer um "muito obrigada"! Olha até onde nós chegamos?! Olha o quanto conquistamos?

Valeu a pena...
As viagens de transporte público precário, acordando cedo e batendo cabeça no caminho.
Valeu a pena persistir apesar das dificuldades
Valeu a pena acreditar que você era um pedaço importante do quebra cabeça da vida
Valeu a pena esperar o dia seguinte, e viver um dia de cada vez, pois o próximo poderia guardar algo melhor, quando as coisas não iam tão bem
Valeu e vale sempre a pena!
Sonhar não é em vão
E se não for sonhar por você mesmo
Ajude outras pessoas a sonharem e a encontrarem o seu propósito 💖💖💖

segunda-feira, 22 de março de 2021

covid-19 x férias 2021

 Depois de muito tempo, aqui estou de volta! Em meu querido "diário" aberto. 

E por que eu voltei? Porque sempre voltamos para aquilo que é a nossa natureza. E a minha é escrever! Felizmente, ou não. Quem sou eu pra dizer? (Mas eu digo - é felizmente!).

Depois de tantas dúvidas, incertezas na vida, tropeços, escorregões e caídas de cara com a lama, metaforicamente, me formei. Fui pra festa, a última antes desta abestada pandemia que nos aflige há mais de um ano, já! E que peste! 

Neste finalzinho de mês de Março, já estou no meu segundo mês de férias, do segundo ano de residência em Pediatria - especialidade que escolhi fazer, e que, Graças a Deus, estou, sim, gostando! 

E, nestas férias, novamente como há um ano, não consegui viajar... resultado de uma pandemia que permanece sendo pandemia, e, para piorar, neste cenário, o Brasil está sendo o epicentro do coronavirus. Já fui vacinada, recebi as duas doses da coronavac. Porém fui a única da minha família, logo, meus pais e meus irmãos ainda não podem usufruir de uma imunidade artificial, o que os impede de cogitar viajarem comigo e, portanto, optei por não viajar sozinha. Tudo nesta vida é opção. E respeito pelo contexto em que minhas férias estão transcorrendo, com 3 mil mortes ao dia neste Brasil de meu Deus. 

Os Ânimos aqui em casa sempre foram, vez por outra, exaltados, mas pelo meu ver, a pandemia está piorando tudo. Diferentemente de mim, que optei por fazer plantões coringa durante as férias, tanto para fazer algo útil em meu tempo quanto para conseguir alguns trocados, minha família está vivendo entre as muralhas de nossos muros de casa. Exceto para atividades essenciais, ou para visitar algum parente pois a necessidade e a saudade gritam, sim, eles permanecem enclausurados. A saúde mental não é a mesma. E fica difícil cobrar alguma reação pois o cenária do país é caótico. Trabalhar como em uma pandemia, se você não for da área da saúde? Estão todos exaustos com tantas notícias pessimistas. 

Eu, confesso, não estou tão mal assim. Confesso que fecho meus olhos para alguns problemas. Não sou uma lata de lixo para internalizar cada porcaria que anunciam nos jornais. Foco no que está ao meu alcance de mudar : meus pensamentos; minhas ações; minha empatia com quem está ao meu lado. Não somos robôs. E nem tudo está perdido. Devemos, com calma, ir mudando o que se pode mudar, sem êxtase, sem precipitação. Um passo de cada vez, consegue-se percorrer um caminho. Só não esqueço que o pano de fundo não é favorável, e não minimizo a dor das familias que estão de luto. A humanidade está sofrendo, e eu abraço quem meus braços alcançam, desejando força para aqueles que estão longe. 

Logo as minhas férias irão terminar, e não sei de que forma poderia fazer melhor proveito dos meus dias. Sinto uma ansiedade para o que está por vir, sinto um medo, uma angústia. Há muito trabalho pela frente. Muitos plantões ainda em fins de semana, muita cobrança. Ainda vou falhar algumas vezes. Questiono-me como poderia viver melhor esta última semana ociosa que corre. Seria não pensando demais? Seria não pegando plantões extras? Sabe, dinheiro não é tudo, muito pelo contrário. O que move o mundo, e disso eu já tenho plena certeza, com todos os meus 25 anos, daqui a pouco 26, que papai do ceu me deu, é o amor, a fé e a esperança. Amor, fé, e esperança para conosco, para com os  demais e para com Deus ( ou a crença que você tenha). Somente o bom convívio é capaz de trazer mudanças, e alegria genuína. Meu trabalho, como médica, felizmente me ajuda a enxergar bem isso, me ajuda a aproveitar cada minuto que eu tenho com a minha família e me ajuda e ver que o Sol ainda brilha lá em cima, e que o céu continua azul, as estrelas brilhando, e a Terra gira, apesar das angústias a que somos postos. Portanto, da maneira que pudermos, que sigamos em frente. Seja enclausurados em casa, seja nos comunicando via internet (e ainda bem que temos este recurso), seja rezando. 

Sempre existe algo para agradecer. Não deixe que os problemas sejam maiores que a sua fé. 

Até logo! Um beijo!


 



quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Sem título

Hoje eu não tenho inspiração. Nem para mim, nem para você. Não tenho aspas. Não tenho vírgulas. 

Hoje eu sou só ponto final. 

Não quero versos, recuso estrofes.

Passo adiante rimas bem intencionadas.

Delimito metáforas. Substituo comparações.

Limitar-me-ei a palavras.

Palavras puras, beatas, cruas.

Palavras, só. Palavras.

Não sei o motivo. 

Não quero procurar também.

Às vezes as palavras murcham.

Com razão, tão mal utilizadas por aí

Podem cansar-se de vez em quando.

Coitadas das palavras

Se eu fosse uma, agora mesmo

Iria pedir para não ser utilizada.

Ficaria calada. Cismada

Até entender o momento exato

Para o qual nasci

Pra ser utilizada

Uma vez falada, transbordaria

As margens de uma palavra

E tornaria real

Cada letra do meu corpo, inflamada.

Como não sou palavra

Ainda acho que em nenhuma frase

Sirvo pra ser configurada.

Sigo calada,

São os meus dedos que cismam

Em digitar palavras.















terça-feira, 21 de janeiro de 2020

ESCUTE SEU CORAÇÃO

SE EU FOSSE EXATAMENTE DO JEITO COMO ESTOU ME SENTINDO AGORA
TUDO SERIA TÃO SIMPLES
QUE É COMO SE TUDO ESTIVESSE ONDE DEVERIA ESTAR
NA MAIS PERFEITA ORDEM

E SENTIRIA A VIDA BRILHAR SOB MEUS OLHOS
O ESFORÇO NÃO SERIA TÃO RUIM
O CAOS TOMARIA O EXATO ESPAÇO
RESERVADO ESPECIALMENTE PARA ELE
DENTRO DE MIM

MAIS FÁCIL SERIA ESCOLHER
DE ACORDO COM MEU CORAÇÃO
ELE IRIA, POR SI, GUIAR MEUS PASSOS
E DE OLHOS VENDADOS EU APONTARIA MINHA DIREÇÃO

COM TANTO AMOR ENXERGARIA A VIDA
UM FARDO SERIA APENAS A INJUSTIÇA
E, RESOLVIDA, LUTAR CONTRA ELA SERIA MAIS FÁCIL
SABENDO QUE MINHA MISSÃO ESTAVA SENDO CUMPRIDA

E, SOZINHA, COM CERTEZA ESTARIA MUITO BEM
ACOMPANHADA, ENTÃO, ESTARIA ÓTIMA
EMPREGADA OU NÃO, RICA OU POBRE, ARRUMADA OU DESCABELADA
A MINHA VIDA ERA O MEU PRÓPRIO NORTE

E, COM SENTIMENTOS, SEMPRE, DENTRO DE MIM
SENTIA QUE A VIDA ERA BELA, SIM!
E, PASSO A PASSO, UM CAMINHO ANDADO
E A CERTEZA DO DEVER REALIZADO.

domingo, 17 de novembro de 2019

Quem é o Melhor Médico?


Meu objetivo não é ser “a melhor”.
Almejo o olhar clínico, não um olhar frio, distante, mas um olhar claro, focado e humano.
A humanidade é uma característica que, apesar das tentativas de definição pelos mais variados dicionários, conhecê-la não significa ter a capacidade de praticá-la. É metafísica, abstrato. E se você não tem, não consegue expressar, não consegue tocar o seu paciente com sua presença, mesmo tendo todo o conteúdo do Harrison na cuca. 
Como disse, não quero ser a melhor, mas quero ser ao menos a melhor parte de mim em cada momento.
Não seria estranho, contudo, se acaso me perguntassem o porquê de “ser a melhor” não estar entre minhas ambições, por mil motivos. E a resposta é simples, ao mesmo tempo que pode não ser tão simples assim.
Não quero ser a melhor pois, talvez, hipoteticamente falando, a melhor não tenha humildade suficiente em algum momento em que ela seja muito necessária. Portanto, se ela era a melhor, deixaria, portanto, de ser naquele instante. 
A melhor pode ter as mãos mais firmes e precisas para uma cirurgia bastante delicada. Entretanto, certa incapacidade de transmitir tamanha técnica e confiança para seus aprendizes torna tal habilidade autolimitada temporalmente, e os próximos médicos a liderar os procedimentos serão, portanto, tão bons quanto? 
O melhor dos médicos, tanto técnica quanto humanamente, educado, esforçado, empático, resiliente. Não está passando por um bom momento. Atribulações pessoais tornaram-no esta semana um homem mais frio e impessoal do que habitual.
A questão que está sendo aqui abordada, essencialmente, não é sobre ser ou não o melhor. É sobre humanidade e sobre respeitar o tempo necessário para que possamos evoluir, tanto no aspecto pessoal como no profissional. 

Por exemplo: é muito comum a cobrança excessiva e desgastante à qual nos submetemos, às vezes inconscientemente, em prol de objetivos que nem sempre valem tanto a pena, como um CR digno de ser emoldurado e pendurado, no mínimo, na parede do quarto. Mas a Medicina vai além disso, mesmo que pareça, durante a faculdade, o oposto. 

O melhor é o melhor? Digo, o melhor é o melhor como? Qual o quesito? Em que momento? Do ponto de vista de quem? 

Aqui, peço licença para substituir a palavra “melhor” por “bom”.

Antes de sermos os melhores, aspiremos sermos “bons”.

Primeiramente podemos ser bons com nós mesmos - nossos próprios pensamentos, auto cuidado e compreensão. É de suma importância fomentar esse pensamento desde o início da faculdade. Parece jargão, mas quem está conosco em todos os momentos somos nós mesmos. Não foi bem em uma prova? Faz parte, não fique se culpando por isso. Estude, mas ter um tempo para relaxar pode ajudar a reter o conteúdo. Seja leve.

Também podemos ser bons com quem está ao nosso lado, como colegas, amigos, professores, familiares, vizinhos. Logo, logo, seremos bons com nossos pacientes também, assim que encontrá-los, no ciclo clínico, internato, residência, e na vida adiante. E, de bom em bom, vamos nos tornando versões melhores das nossas capacidades, com um toque de leveza e amor em cada escolha feita.

Assim, aprende-se a regar seu jardim, apesar das ervas daninhas, sabendo lidar com isso. Cultivando amor em tudo que faz, mesmo na pressa, na dúvida, na frustração: apressa-se amando, duvida amando, frustra-se amando, mesmo que nem se dê conta disso. 

E, por não ser o melhor, (mas sendo bom, sim!) dá a atenção necessária ao seu paciente, o escuta, pensa no diagnóstico, o examina, relembra sobre o que aprendera na faculdade, sem muito peso sobre seus ombros. E, não pesando, fica mais fácil, mais dócil, mais humano, mais certo, mais médico, em todas as ocasiões da sua vida. Penso que ser médico é algo também sobre saber viver, porque muito do aprendizado está no dia a dia, em saber contornar muitos problemas sem perder a cabeça... afinal, precisamos dela pra pensar nas melhores condutas!

Então, o melhor médico pode existir, sim!!!
Ele surge dos bons médicos, aos olhos do paciente.

domingo, 27 de outubro de 2019

NÃO ESTÁ CATALOGADO

Eu procurei na biblioteca dos meus aprendizados
De um acervo já bem grande de ensinamentos
Além de ter vasculhado entre sites de curiosos
Além de conselhos de especialistas
Eu li contos de fadas e retirei o desfecho das fábulas
Eu destrinchei todos os meios que pude
Pesquisei no ensinamento das religiões
No ceticismo da filosofia
E tentei a base firme da fé
Apesar de tudo isso
Ainda não tenho as respostas
Para as perguntas que tive
E, embora me machuque,
Minhas cicatrizes revelam
Meus maiores aprendizados

Nossos maiores amores não são premeditados
Não tem a forma, a definição que esperamos
Muitas vezes o amor só se mostra ao nosso coração
Depois de ter passado, caso você
Não se permita a tempo
E, aliás permitir-se é 50% dessa vida
Pois nossas dificuldades são, muitas vezes, psicológicas
Retire as amarras das suas mãos,
Liberte as correntes de seus pés
E se permita viver a imperfeição
Crie oportunidades nos becos mais obscuros
Seja a luz que todos precisam
Muitas vezes somos os agentes
De uma grande revolução
Nos outros, e dentro de nós mesmos
Temos que nos permitir enxergar
Temos que acreditar no que vivemos
Para poder usufruir ao máximo
Toda a mágica que existe em cada possibilidade
Em cada oportunidade
Em cada segundo do presente
Portanto, abra seus olhos,
Ouça quem quiser falar
Sente para conversar
E permita-se
Pois todas as teorias
Morrem
no exato instante
Em que não são colocadas em prática.

Coloquei em prática
A despedida, longínqua,
De um quase namoro
Separado virtualmente
Quem disse que aquele último
Seria o nosso último beijo?
Poderíamos voltar, para que eu o beije
Dignamente
Um último beijo preparado?

Poderíamos fazer tudo de novo, direito,
Pra que nos certifiquemos
De que não fizemos nada errado?
Pois não tenho mesmo tanta certeza
De que quero te perder
Mas também não tenho muita certeza
Se quero um dia casar com você.
Então fico aqui, sem saber
Desesperada,
De mãos atadas
Nem sei por quê.

Uma escolha mal feita desde o início
Pode caminhar pra um relacionamento tão intenso
Quanto uma escolha perfeita
Então pense bem
Antes de agir por impulso
Por ansiedade, por desilusão
Por saudade, por desinformação
Vai com calma, devagarzinho
Sem retirar os pés do chão
De mansinho em mansinho,
A roda volta a girar
A sua bicicleta anda
E longe você vai chegar
Mas sem pressa, sem desespero
E tente com calma enxergar
Que cada comida tem seu tempero.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Sem tempo

Reservo um minuto pra escrever bobagens.
Não que eu deva.
Por isso um minuto, você não merece mais que isso - nem isso, na verdade!
Mas, saudades!
Da sua mão em minha nuca, do seu beijo doce, do seu olhar calmo e investigador. Das suas teorias e observações aleatórias sobre meu comportamento.
Do seu senso de humor parecido com o meu.
Das trocas de palavras mostrando que somos inteligentes mesmo.
Das DRs prematuras e que não levaram a nada.
Do seu jeito, por vezes, jovem, despretensioso
Quando estava distraído
Do seu abraço.
Da sua pegada
Dos beijos no shopping
De você me esperando ir embora pra ir embora também
De como me tratava quando estávamos bem
Mas é só isso mesmo
Porque acabou o seu tempo
Faz semanas. 

Balança Negativa

Esse sentimento foi inaugurado há algumas semanas, quem sabe um mês agora, dentro de mim. É novo, chato, incômodo, bem inconveniente. Sabe aquele amigo que aparece e fala nas horas erradas? Justamente.
Saudade.
Venho lendo tantos posts no Instagram sobre como evitar, ignorar, bloquear, esquecer definitivamente (ou até que não exista sentimentos? Seria possível?) o ex namorado. Alguns têm me ajudado, porém nenhum foi capaz de me convencer sobre apagar e me deletar definitivamente da existência dele.
As conversas já cessaram, abruptamente. Observei que nem sempre tentar chegar a uma conclusão lógica é suficiente. Possivelmente palavras bem ditas e orientadas não sejam páreas para a profundidade e complexidade de um relacionamento. Tentamos nos entender, em vão.
Em suma, apertar as mãos, combinar de não mais nos vermos e cada um seguir sua vida, ainda nos falando como bons amigos, seria uma boa proposta - para um filme, um romance, um livro.
Na vida real, ou seja, na minha vida real, isso não rolou.
Tentativas frustradas de fazer duas peças diferentes se encaixarem. Duas criações bem diferentes. Duas histórias que se cruzaram a partir de um aplicativo, com um super like e uma conversa e algumas chamadas de vídeo que me convenceram a encontrá-lo pessoalmente.
Alguns pontos positivos, alguns pontos um pouco indefinidos. Duas pessoas estudiosas. Idades parecidas. Bom gosto para perfumes. Porém mentalidades diferentes.
Aprendi que temos que saber até onde estamos dispostos a abrir mão de quem somos em prol de um relacionamento.
Aprendi que pode-se sofrer muito, principalmente se a pessoa não souber se valorizar e, mais que isso, o valor que tem.
Aprendi que é arriscado, em vários aspectos, adentrar em um relacionamento por algum aplicativo, uma vez que a outra pessoa não tem referências sobre quem você é e sobre a sua história (e vice-versa).
Aprendi que somos donos da nossa própria história e é fácil mudar de caminho e se atrapalhar bastante, perdendo o foco nos estudos (por exemplo). Logo, não abrace uma situação que, provavelmente, você não vai dar conta. Se estiver com problemas em sua vida pessoal, peça ajuda, não tente soluções por outros meios. A chance de se enrolar é grande, virando uma bola de neve maior ainda a cada dia. Aprenda que ser fraco é condição natural do ser humano, e temos direito a sermos, de vez em quando. É preciso humildade pra pedir ajuda.
Às vezes, para encontrarmos alguém ideal, precisamos nos encontrar antes - ou ficarmos menos perdidos, pra sabermos o que queremos, e evitar grandes dores de cabeça.
Não foi tempo perdido.
A saudade continua. Latente, aqui dentro.
Às vezes dou a mão a ela. Hoje, há pouco, ela me deu uma rasteira, fiquei com um nervoso grande e tive até diarreia.
Sentimento é uma coisa engraçada, mesmo!
Fico pensando... terminou assim, do nada. Pois não tinha como ser de outro jeito. Não adiantava conversar. Estava claro que não iria dar certo, ambos sabíamos. Porém, ambos não queríamos admitir. Existia química, conversa. Mas não sabíamos se tinha um futuro, talvez por alguns anos, não muito mais que isso, e em que condições?
A incerteza faz parte dos relacionamentos.
Porém, quando ela é maior do que a certeza de que tudo vai ficar bem,
AH.......
A balança começa a ficar negativa.

Nada

Adriana Calcanhoto deveria reformular a música "Devolva-me", perfeita para antigamente - (para antigamente).
Felizmente, tenho talvez as palavras necessárias e a experiência vivida necessárias para dar legitimidade e poesia a um "Devolva-me" atualizado e moderninho.

Delete os meus e-mails e
Não envie mais mensagens
Assim será melhor, meu bem!
As fotos que eu enviei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, apague-as!
Evite minhas redes sociais
Que eu evitarei as suas também
Ainda deve ter a mesma rotina
Mas evito sentir falta dos seus "bons dias"

Delete os meus e-mails e
Prometo não te procurar mais
Assim será melhor, meu bem!
As fotos com você, deletei
Mesmo hesitante; solucei
Sem te olhar, já não há nada
Não há nada
Não há
Nada.

Apesar de ser um "Devolva-me" atualizado e "moderninho", anseio que o sofrimento, meu bem, seja exatamente o mesmo de antigamente.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Inesperado

À academia, ontem:
Não fui!
Em vez disso:
estudei!
Fiz um trabalho
Após batalhar 
Atrás de um computador
Na faculdade
(Já que todos os outros cursos
ainda estão de férias) 
E então, finalizei
Satisfeita, o trabalho
E corri pra casa
Antes, porém,
comprei
Um delicioso

De-
li-
ci-
o-
so

Daqueles que dão água na boca
pote de morango
Com cobertura de chocolate

Voltei pra casa, claro, sorrindo
Encontrei amigos no caminho

Voltei conversando
Ofereci meu chocolate
E estou aqui, feliz, pensando...
Ainda bem que não fui pra academia!

Ainda bem que a felicidade 
Esteve camuflada 
Naquele potinho de morango
Esperando por mim nesta tarde 
Desta delicia de Quinta-feira
(Talvez tenham sido 
Os 12 reais mais bem
Gastos desta semana)

Só pra constar:
Ah....
quando eu tô feliz
Eu tenho certeza disso!
(Mas quando estou triste
Eu me pergunto -
Será que estou feliz?)

A felicidade é
Uma onda no caos
Um eco na infinitude
Um abraço invisível
Inesperado

Reformulação

Às vezes a pedra no meio do caminho
 pode ser nós mesmos
contorná-la pode ser subjetivo.
as vezes a pedra pode ser
um calo no pé ou
uma pedra no sapato.
Como contornar
minha visão sobre a pedra
como desfazê-la pedra
e reformá-la
uma estátua no caminho
como uma obra em mármore ?
ou virar Aleijadinho
minhas obras serão mais despedaçadas
Hei de tirar-lhes o coração
talvez em meu peito ele bata.
e aí tornar-me ei o próprio caminho
Para que ali em paz descanse a pedra

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Parem de falar que a vida é muito curta!
Curta é a vida que quem não conseguiu sair do útero
Que teve sua formação embrionária interrompida
De quem atravessava a rua e acordou em um leito
De quem foi interrompido bruscamente

A ambição do ser humano é infinita
Por isso os dias não são suficientes
As horas passam muito depressa
Mas o tempo é dono de si
E ele é quem dita o ritmo da melodia

A atualidade força as pessoas
A irem além das suas possibilidades
A pegar trem e viajar distâncias
Entrecortadas pela saudade
E pelas diversas lembranças

"Aquela estação está marcada
Pelo primeiro beijo, meu e dele!
Naquela ali, fui assaltada!
Nesta eu conversei com um estrangeiro!
Mas em todo o percurso, todos os dias
Ficava um misto de prazer e agonia"

O trem vai para onde? Para a saudade
Saúdam o pobre, o louco, o faminto
O rico, o cansado, o esbelto
Para todas as direções o trem vai
Só não sei em que estação fico

Não sei o preço da passagem
Meu medo é meu melhor amigo
Não olhe para os lados, feche os olhos
Não conheço você, indivíduo!

Ambição é estar bem consigo
Em todas as estações, em todas as dúvidas
Apesar disso, continuar embarcado
É com você, seu maior compromisso.

Se não aceitar, seguindo o caminho
Como vou ser feliz neste estilo?
Felicidade está na constância
No brilho do Sol, em cada sorriso

Felicidade está nos intervalos
Nas refeições, nos fins de semana
No inesperado, na saída do plantão
Em horário de verão com o Sol em rima

Todas as estações merecem destaque
Todos os intervalos são muito bem vindos
As lembranças preenchem a alma 
A gana e resiliência, o espírito







terça-feira, 13 de novembro de 2018


Uma escada que sobe para baixo
Uma ladeira que desce para cima
Desce-se a escada ao pensar subi-la
Sobe a ladeira ao pensar descê-la

E nesse vai e vem incoordenado
Penso que... ao certo? Só o incerto serve!
Querer saber é garantir a desgraça
De correr atrás do inatingível
Pois a inteligência se dá ao acaso

Para quê correr? O saber voa!
São planos diferentes de uma planilha
e mesmo que se alcance o saber
Ele estará acima!







quinta-feira, 16 de agosto de 2018

            Às vezes, no silêncio da noite, eu fico pensando no dia que passou, e meus pensamentos voam tão longe, que reluto em ir para a cama. Ai, que perda de tempo, dormir, quando se tem tanto a pensar, a descobrir, a investigar! Existem tantas verdades dentro de nós mesmos que, na correria do dia a dia, nos perdemos, e são nessas horas que, por vezes, esbarro em mim, e me encontro. Apesar disso, quando me deito, enfio meu crânio na superfície macia do travesseiro, me questiono, oras, que bobagem não ter vindo logo deitar! Tão bom é ter um sono tranquilo à noite, que não posso dispensá-lo, assim, à toa.

...Pensamentos de uma noite já deitada.