quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Fica do meu lado

Não é um pedido muito louco
E até parece fácil realizar
Se achegue para mais perto de Minh 'alma
E vamos o dia inteiro conversar

Conversa implica nos dois discutindo
Um assunto de interesse comum
Mas neste caso, a conversa é orgânica
Tal como os pássaros a voar no azul

Olhos nos olhos, meço por quanto tempo
Você aguenta ser amado por mim
Se no silêncio você me orienta
Na confusão vê o todo de mim

Na dor, no desencontro e inesperado
Quando despido de arrogância ingênua
Nos vemos firmes como uma rocha
Ainda que livres como bicho alado

Sobrevoando nossas dores, pobres
Nos elevamos de plebeus a nobres
E confiscamos o poder de pensar
Que dor não tem poder de derrubar

E continuamos firmes, e insensíveis
Pois a dor que antes era nova e machucava
É a mesma, porém não está cansada
Como nós nos cansamos para anulá-la

E neste misto de insucesso e conformismo
Deixamos de combater os indícios
De uma dor quase como um afago
Que diz: "você está tentando, meu caro!"

E vamos nos acostumando a isso
Achando que a dor constitui um vício
Como um lembrete do que tem que fazer
Vai trabalhar, vai voltar, vai comer!

E assim deixo de pensar ativamente
Pois TVs, revistas, pensam pra gente.
Remoendo os dias, recontando os passos
Do nada lembro de dias passados.

Quando a dor que doía era combatida
Quando a alegria era ativamente vivida 
E os obstáculos serviam pra estimular
A começar mais cedo o meu buscar.

E então devemos voltar duas casas
E repensar nosso propósito aqui
Somos mais fortes que a mais dura rocha
E mais criativos que possa-se assumir

E se não pela força, pelo jeito
Vamos abrindo caminho neste gueto
Desviando habilmente de todas as previsões
De fracasso, desespero e aflições.

Vamos subindo no degrau da vida
E quando se sobe, não se quer voltar
Pois tudo que se aprende, fica
E seu esforço é habilidade adquirida

E vamos caminhando daqui pra frente
Aceitando que a dor que a gente sente
Não é mais que projeções da mente
E um amigo bom pode aliviar

Então deixa eu pedir uma coisa
E até parece fácil realizar
Se achegue para mais perto de Minh 'alma
E vamos o dia inteiro conversar!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O segredo da vida

O maior segredo da vida é este: não ficar se comparando com os outros.

Não adianta se comparar por atitudes, pensamentos, por vestimentas, por realizações, por feitos, por economias, por religião, por família.

O que eu penso que é válido comparar são sonhos. Pois não há grade nem mesmo eletrocutada que te impeça de sonhar tão grande quanto qualquer sonho majestoso. Sonhar requer apenas imaginação e um senso de possibilidade individual. Mas, ainda assim, muitos fatores influenciam. Deve ser difícil sonhar grande quando se é, por exemplo, criança e não há acesso a informação devido à ausência de energia elétrica ou quando não se sabe ler. Deve ser difícil sonhar grande, também, quando a família não tem uma boa estrutura.

Comparação. As guerras começaram comparando-se. As pessoas sempre querem mais, ou tanto quanto os que podem ter.

Não comparar, mas acho que avaliar é saudável. Avaliar os comportamentos, as atitudes, as falas, para se chegar a uma conclusão e ir construindo sua identidade. Às vezes, corremos o risco de nos desconstruirmos querendo passar por outra pessoa, quando sermos nós mesmos é a chave para a auto realização. É preciso ter muito discernimento e auto confiança para saber com clareza aonde se quer chegar e por que meios. Reconhecer suas fraquezas e seus méritos. E chorar e comemorar os erros e acertos. Pois isso é dar passos. É crescer.

Comparando-se com alguém sempre, corre-se o risco de se satisfazer em relação a uma meta quando, quem sabe, sua meta era outra, e você poderia ter alcançado um patamar muito mais alto, ficaria mais realizado e com a sensação de missão cumprida. Não é fácil. Há muitos obstáculos, somados aos que não existem e criamos em nossas cabeças. Por isso eu digo: se compare a você mesmo. Se compare ao seu antes e depois. Visualize seus ganhos e perdas e coloque na balança da vida. Encontre seu equilíbrio. Valorize-se. Não se subestime. Invista na sua própria capacidade independente dos méritos dos outros. Quem sabe devagar você vai ainda mais longe. Não se afobe. Utilize sua energia em pontos que você sabe que vai aproveitar. Plante no terreno em que você é mais fértil. Semeie experiências que agregarão conteúdo a quem você é. Agarre desafios. Crie lembranças. Costure memórias, lance-se em aventuras cotidianas mas relevantes. Cultive-se. Vá pelo seu próprio caminho ainda que seja mais longo, mas é mais bonito, porque é seu.

Crie-se e recrie-se e saiba valorizar cada feito. Sua história depende de você e para um novo livro que está sendo escrito, não existe história comparável a que será a sua. ;)

domingo, 20 de novembro de 2016

Escritores em pauta.

Tenho um livro aqui em casa
Que fala com esmero sobre as maiores dúvidas dessa vida
E a dúvida por trás das dúvidas
E diz sobre a decepção quando se conhece
A verdade que por sobre nossas cabeças plainava.

Venho procurando por ele por um bom tempo. Já quis postar nas redes sociais suas falas. Já quis relê-lo em alguns momentos da vida. Já quis relembrar as frases de um autor e tanto - Carlos Drummond de Andrade - porém, sem acha-lo, não li, não relembrei.
Esforço-me a todo o custo para que as frases polidas e de contornos precisos não se percam como o livro se perdeu. Já não lembro seu nome. Ele anda por aqui, quem sabe perto de mim, quem sabe algum sortudo insensível levou pra casa e finge esquecimento.

Neste livro escritos diziam assim: "Como seu doce, menina! Come que não há mais metafísica neste mundo que chocolates! Como, pequena!"

Também havia o dono da Tabacaria.

Também havia todo o gráfico do livro que era muito singular e dava mais forma ainda às palavras.

Certos autores são verdadeiros médicos de palavras. Alguns necessariamente nascem pra isso e talvez necessariamente nasçam para várias outras coisas também, pois somos feitos de várias pessoas ao longo de vários "eus". Escrever obras de forma tão prodigiosa requer do seu dono um senso de autonomia e controle do abstrato que ele deve domar sua criatividade de modo a moldar o corpo de um texto que ainda não tem forma, que pode seguir todos os caminhos possíveis e inimagináveis, mas com os contornos que seu inventor determina. Se o contorno for longe demais, a obra fica desmanchada, não cria forma, perde o ritmo. Se o contorno for muito breve, fica raso, talvez obscuro, incompleto, como uma pessoa que não decidiu o quer ser. Autores renomados e reconhecidos pelo público são artistas e devem ser pessoas que detêm o controle de suas mentes e suas vidas, a menos que o descontrole de suas vidas seja o roteiro para novas obras primas. Veja a história de J. K. Rowling. Ah, que imaginação, que controle do enredo, que magia! Adoraria ter fôlego para não perder as pontas que fazem a renda de uma história longa e complexa. Mas eu, com as poucas pontas que seguro da minha faculdade, por vezes deixo-as escapar, imagine!

Crônicas, por sua vez, são mais fáceis de serem manejadas, são menos complexas, embora por vez tão intrigantes! Também é prodigioso ser capaz de escrever histórias breves e em pouco tempo conseguir fazer o leitor tragar  a trama e fazê-la sensacional, comovente e cômica.

Para mim, fazer o leitor chorar é estupendo, mas fazê-los gargalhar é ainda mais desafiador! São tantos sensos de humor que é impossível agradar a todos, porém não consigo imaginar como alguém consegue prender a atenção do outro a ponto de tornar uma situação engraçada. Poucos foram os livros que li e sorri, mas esses valem a pena. Já o choro é fruto de uma construção gradativa, um laço que vc constrói entre leitor e personagens. É uma questão de técnica e prática, experiência, persistência.

Por fim, de fato, autores são doutores artistas. Essa mescla de profissão que examina o texto ao mesmo tempo que poli e dá forma.

Como um doutor, mas sendo autor, pode ir, está tudo bem, mas agora o personagem é invertido: você aperta minha mão e eu que vou saindo. Foi um prazer, conto contigo! E chame para que eu possa apresentar mais tarde meu próximo livro.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O maior problema da vida

Sabe qual é o maior desafio para pessoas com problemas de estima? Se sentirem amadas.
Amigo, isso não pode ser lido em livros, isso não pode ser ensinado, ninguém pode te convencer que te ama. Pois para isso, a pessoa tem que sentir. O amor é algo que se transmite com gestos ínfimos. Às vezes o amor é transmitido sem gestos, apenas com o silêncio. Às vezes o olhar transmite uma paz que dá até vontade de chorar. Às vezes o não olhar também transmite uma segurança na medida em que não se olha num momento para olhar depois. São equilíbrios delicados entre duas pessoas com propensão a desestabilizar. Mas a vida é uma corda bamba, não é?
Não adianta conversar se a conversa é um contrato. Não adianta estabelecer um tempo menor do que aquele que a pessoa necessita. Não adianta sentar numa consulta de psicoterapia e vomitar tudo o que acontece na sua vida se você sai de lá e continua à margem na relação com as pessoas, e continua sem promover laços, e continua alimentando um nó na sua garganta que vez por outra derrama nos momentos mais inoportunos. Não. Adianta. E sabemos disso e continuamos fazendo tudo errado. A culpa não é mais de alguém do que é nossa. Mas e aí? Quem percebe isso tudo? Quem vai falar: vem aqui, meu amigo, eu sei que você só quer um chamego e uma companhia pro que der e vier, vai dar tudo certo, apenas confia, tá? Fica calmo, as pessoas são boas. Só precisam de um pouco mais de compreensão. Elas não querem ficar a par do que acontece. E você com esse jeitinho calmo as deixa atônitas e perplexas, e elas têm medo do que parece infinito. Calma. Você é uma raridade, e poucos reconhecem um diamante sem estar lapidado.
Não. você quer mais que palavras. Você quer um olhar terno, um abraço esclarecedor, materno, fraternal, uma palavra de apoio, um desafio, uma continuidade, um chão, uma verdade, uma certeza. Você quer saber que vai dar tudo certo.
Muitos olham pra você e o julgam calma, parada, conformada. Mal sabem a agitação que se instala aí dentro. Uma agitação ambígua. Uma agitação por vezes intensa, mas confusa, que te deixa cansada e te faz deitar em pleno dia. Ah, o Sol lá fora!
Iria fugir pra praia, escalaria uma árvore alta, e observaria o dia passando. Bons tempos em que as coisas eram certas assim. Mas fugir para a praia ainda está na lista dos afazeres. Plena segunda década de vida e ainda não fugiu pra um lugar em que se encontrasse.
Vou fugir para um lugar onde eu encontre sabedoria, plenitude e exatidão. Procuro fazer meditação, ouvir o silêncio, dormir bem, mas não. Existe um ponto em que tudo o que você precisa é o que você precisa, nada mais. Nenhum silêncio a mais, nenhum conselho a mais, nenhuma conversa a mais. Chega um ponto em que tudo o que você quer é o que você precisa, e você não sabe o que é isso. Você precisa chorar, você precisa ser ouvido de verdade, mesmo sem emitir um único som. Você precisa ser entendido de todas as formas e de todos os meios. Você precisa apenas de um olhar e de uma pergunta: "o que está acontecendo?". E de uma chance para ser socorrido.
Mas não queremos ser dramáticos. Mas estamos sendo muito pouco, então, busco apenas um olhar, uma pergunta, e um tempo, se tiver.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Multimundos

Todos os humanos precisam de carinho.
Não é à toa que a Reforma Psiquiátrica está aí. A saída para as maiores doenças mentais não é o isolamento. Talvez o próprio isolamento é que tenha deflagrado o dano, embora saibamos que nem sempre é desse jeito.

Somos seres realmente sociáveis, e isso me soa estranho às vezes, principalmente naquelas horas em que o que eu mais quero é um pouco de silêncio e sossego. Mas as teorias estão aí pra comprovar. Os filmes, também. Haja vista O Náufrago. O que seria dele sem o Wilson? (Embora não comprove nada efetivamente, só ilustre).

Mesmo o convívio sendo tão pesaroso às vezes, mesmo sendo um caos, pelo menos estamos juntos nisso. Pois nem caos haveria para um cara sozinho. Haveria apenas dúvidas e medo. Quando existe outra pessoa, existe o conflito, e dele emergem ideias e divergências, e o diálogo.
 Tudo isso se chama vida. É uma gororoba, sabemos, mas é isso.

Apesar de querermos sempre levar vantagem em discussões, bate bocas, nem sempre estamos certos, e abrir mão dessa certeza nos faz achar que estamos abrindo mão de quem somos. Mas não é verdade. Quem somos nunca deixará de existir, pois não somos imutáveis. Nem uma pedra é imutável, e você quer ser? Cada conversa, cada discussão, nos faz poder enxergar dois mundos, e nosso universo se amplia.
Podemos depois de uma conversa sermos maior do que éramos antes dela. Por isso, é importante se arriscar. É importante desvendar novos caminhos, almejar novas conquistas. Somos vulneráveis às intempéries dessa estrada, mas estamos de mãos atadas sem que isso seja uma escolha.

Nascemos incompletos, e morreremos incompletos. Daí não podermos negar a completude que cada pessoa pode sugerir para o nosso mundinho particular. Não se sabe o que há de bom em cada indivíduo até que ousemos chegar até ele.

Cada pessoa é única, infinita e incompleta ao mesmo tempo. Daí o nosso papel de tentarmos nos desvendar e ajudar os outros para que desvendem a si próprios. 


Morte incerta

Estava convencida de fazer um texto.
Peguei o notebook, abri-o. Liguei e troquei de usuário para o meu.
Nada.
Apertei a tecla, mexi no mouse, apertei Esc.
Continuou me sacaneando.
Até que, enfim, pressionei o botão de desligar, mas para reiniciá-lo, que é o equivalente a apertar de leve o botão que desliga.
Nada ainda.
É engraçado como os eletrônicos podem simular vidas.
Pode haver um meio um método um caminho
Mas cara, nada é previsível.
N'outro dia, um playboy se enrolou com suas dívidas
Escorregou bonito para quem queria desfilar de salto
E tentou o suicídio.
Apertou a tecla, por fim, mas só conseguiu um mês no CTI, com direito a infecção hospitalar e tudo.
Coitado, até na hora de morrer foi miserável.
Fechei o notebook, abri, reapertei com firmeza a tecla que desliga.
E, aí sim, o safado resolveu ligar  - vai entender
Mais algumas tentativas após e: voilà!
Tela aberta e texto semi pronto, só faltava transferir do abstrato para o real.
E quem falou sobre lembrar o que eu havia pensado?
O texto estava prontíssimo, introdução, corpo e conclusão,
Crônica perfeita, linha sob linha, incontestável
E apagou-se de súbito.
É, parece que minha crônica suicidou-se.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Que saibam, então

Não quero que saibam para que reconheçam
Não quero que batam palmas se antes vem as vaias
Estou consciente, como se eu visse tudo tão de perto
Que conhecesse a história
Que a própria história desconhece.

Há uma mágica indecisa
Uma mágica não concebida
Que mora nos lugares mais remotos
Nas quinas de paredes mofadas
E que não é nem será elogiada.

Então, faço o favor de recusar
Quando a oferta é simplista, rasa
E não atinge as raízes angustiantes:
Reconhecimento incompleto é inconstante.

Não sei como chegastes aqui
Mas leve uma oração contigo
E que ela se desdobre em esperança
Aos amigos e aos amigos dos amigos.

E a inviabilidade de escolha própria
Inviabiliza que você corra, só suporte
E, se encontrar suporte em algum acaso,
Rezo para que não seja apenas sorte.

Mas, se um dia, você achar
Que vale a pena instruir nossos amigos
Que saibam, então,
E então eu lavo minhas mãos.

sábado, 5 de novembro de 2016

Sobre coisas boas da vida

"Eu não abro mão!
Nem por você nem por ninguém eu me desfaço dos meus planos
Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos"

Vou fazer um blog apenas sobre coisas boas, gostosas.

Vou fazer um blog, como uma ferramenta de felicidade, e vou compartilhar com vocês. Que tal?

Como um guia para momentos difíceis, uma luz, uma opção.

Acredito que a verdade mora dentro de cada um. A gente faz o que quiser com ela. Pode sair pra tomar um gole de cerveja com ela. Pode dar um porre. Pode comemorar com uns amigos que têm verdades gêmeas da nossa a beleza do consentimento. Isso é tão lindo!

O mundo está multicolorido, há tantas verdades e desverdades que evoluíram para o plano verdadeiro que por vezes até mentiras são aceitas por nós. Esse gradiente de cores  era pra ser bom, mas chega a um ponto que sua mistura torna-se acinzentada, não fazendo combinações claras, deixando-nos atônitos. Calma aê, parça! Volte uma casa e tome um porre de novo. Kakakaka

Relaxa aí. Quantos anos você tem? Acha que pode mudar o mundo assim, impor verdades? 
Eu mal sei qual é a minha e você quer mudar a do mundo?

Mas o quê verdades e um blog sobre coisas boas da vida têm a ver ?

Não sei. Parece que você deve conhecer sua verdade pra saber que porta abrir pra encontrar contentamento. Mas sei lá, é uma teoria. Não sou dona de verdades. 

Vai saber. 






terça-feira, 1 de novembro de 2016

Chuva triste.

Meu par parece não ter nome
Parece figura disforme
É muito reservada
Por vezes tímida, ou mesmo antissocial.
Se sente completa quando isolada
É quieta, calada
Tem mãos dadas com a inquietude,
Com o desconforto, e indiferença
Mas o meu par me cativa
E talvez essa seja a briga
Que esse povo não entende.
Esse meu par nunca me deixa
E quando todo mundo vai embora
Lá está ela, minha cereja.
Há mistérios que apenas ela
Consegue me fazer desvendar
Pois quando meus olhos lacrimejam
É causa de algo errado estar
Já apertou-se o nó mais que doído
E nesse aperto sonso e descabido
Meu par se manifesta, livre, solta,
E soluça, treme, cai e revigora
Meu par é o antes da aurora
A escuridão que precede e apavora
Mas esse medo não concebido
É sinal que algo vem sendo um pouco sofrido
E em algum canto, ela canta sorridente
Metendo o choro na cara da gente.

Minha companheira, não se apavore
Seja um pouco menos egoísta
Deixe que eu a controle bem mais de perto
(Juro que quase acabam as rimas)
Mas eu te clamo, tristeza, me chame
Para mais perto, conversa comigo
E em vez de berrar quando bem entende
Solte aos poucos pequenos sorrisos
Ou solte gritos curtos que eu digo:
Há quem os ouça por ter bons ouvidos.

Mas não adianta, tristeza, sua burra!
Seria mais fácil se você entendesse:
Psicoterapia, farmacologia, bioquímica,
Servem a ambos nossos interesses!

Sinta-se abraçada gentilmente
Saiba que a dor que a gente sente
É igual a sua ao ser rejeitada
Portanto desfile na passarela da amargura
Caia sobre o orgulho ferido
Passeie e estabaque-se na calçada
Para que eu lhe ofereça um ombro amigo
E todo esse orgulho ferido
Se transforme em satisfação e alegria
E você, mesmo um pouco reduzida,
Vire nuvem carregada que chove
E passe a florir de sentido a minha vida. 


sábado, 15 de outubro de 2016

Dia dos Professores

Resolvi escrever aqui devido a uma data especial.
Dia 15 de Outubro - Dia dos professores.
E como eu adoro escrever, não vou perder esta oportunidade, rs
Professor: nós devemos muito a vocês.
Não deve ser fácil aguentar cinquenta alunos em uma sala de aula com um regente apenas.
Não deve ser fácil ensinar a tantas mentes diferentes, as quais captam o conteúdo de modos diferentes, e com apenas uma explicação você tentar alcançar o maior número possível de pessoas a te compreender.
Não deve ser fácil enfrentar uma classe pela primeira vez. Ah, não.
Não deve ser fácil programar uma prova, aplicá-la, gastar o seu tempo corrigindo-a, enquanto o aluno só põe o próprio nome.
Mas há o outro lado: há o aluno que não tem um bom suporte familiar, há o aluno que trabalha no outro turno e está cansado, há o aluno que, apesar de novo, já está desentendido com a vida, há os apaixonados, vixe, há ainda uma porção de coisas!
Então, querido professor, por favor entenda, que quando não damos o melhor de nós, não quer dizer que você não esteja dando o seu melhor. Entenda que você já influenciou a vida de muitas pessoas e que, apesar de o nosso país não te valorizar, o seu valor é intrínseco a sua profissão. Entenda que, mesmo quando estiver esgotado e cansado, os seus alunos precisam de você, então descanse um pouco, tire férias, viaje, mas volte, volte que sempre haverá alguns pares de olhos curiosos querendo aprender.

Nesta semana pensei sobre a importância do professor. Pensei que o aluno pode até estudar a matéria antes, pesquisar, reler, mas o conhecimento afrente daquela matéria, quem tem, é o professor, e esse conhecimento prévio auxilia na avaliação do que eu estudo agora. Principalmente na Medicina. Há muitos pormenores, muitas decisões dependem do material que você dispõe, da boa vontade de seus colegas de trabalho, então não adianta eu decorar a diretriz de Fibrilação Atrial, que nem tudo ali eu vou seguir ao pé da letra na prática. Nesse contexto, o professor entra adequando a matéria à realidade, adequando as taxas, o clearance da creatinina que, quando abaixo de 60, eu já não daria mais os novos anticoagulantes no mercado, mas varfarina, e por aí vai, sendo que na diretriz fala-se de clearance abaixo de 30 (mas nos concursos é 60). Como eu saberia isso? Apenas apanhando, na prática. Por isso, é tão importante ouvir o professor que se propõe a dar uma verdadeira aula. A aula adiciona, direciona. Você só tem que aprender a captar o que há de mais valioso em cada uma delas.

...Na minha vida, eu li alguns poemas e livros sobre professores.

Um deles foi: Uma Professora Muito Maluquinha, do nosso conhecido autor e querido Ziraldo! Ela é uma professora autêntica que ensina a seu próprio modo e burla várias regras, acaba saindo da escola e deixa um recadinho para seus alunos, que ficam extasiados com a notícia mas, ainda assim, compreendem e levam no coração a lembrança daquela querida professora maluquinha!!!

No fundo, todos somos professores, ao ensinar uma criança, dando o exemplo, ao sermos gentis, educados mesmo nas situações em que nossa paciência se esgota. Já os professores são professores duplamente! hahaha É difícil, sabemos, mas não é impossível!

Feliz dia dos professores! S2

domingo, 8 de novembro de 2015

Sobre depressão

Estou quase acabando o tratamento de depressão. Tenho alguns obstáculos que me atrapalham a dar cem por cento de mim. Por exemplo: eu não gosto de começar e não acabar um texto que eu estou lendo. Não é como se vc estivesse lendo e no meio falasse: nossa. Que texto bosta, estou de saco cheio, isso só fala merda. Não, é difícil fazer esses julgamentos de modo que eu leio até o final e fico lendo vários outros assuntos que aparecem nos links relacionados. Priorizar é difícil. Também minha noção de tempo, já que eu protelo coisas importantes (pq tenho dificuldade em fazer mentalmente uma lista de priorização), é diferente, pois eu vejo lá na frente. Pex., tenho uma prova de Farmacologia mês que vem. Considerando q hj é dia nove ainda, dá pra estudar bastante ainda. Mas eu vejo que muitas horas vou " perder" na faculdade ou indo e vindo, então eu já fico antecedendo a correria que será pra estudar depois. Fico me sentindo presa ao padrão comum, impedida de fazer o que eu sou e faria, por fugir das convensões. Puxar saco de professor, conversar com o gostosão da turma, abraçar seu amigo porque tá carente mas só pra tirar casquinha independente dos olhares alheios. Abraçar a amiga sem perceber que ela se sente um pouco incomodada com isso. Essas coisas eu não consigo fazer direito. Está no automático: seguir os outros. Puxar conversa também é difícil, saber o que o outro espera das minhas atitudes também, ou prever a reação do outro e adequar minha reação posterior à que ainda vou fazer pra dar sequência ao diálogo. Tudo isso faz um bolo de neve que pressiona meu cognitivo e na hora de raciocinar uma questão mais elaborada que espera do aluno um raciocínio além da matéria em si, mas uma logicidade, eu não funciono direito. Até porque desde o momento que eu estudo Farmaco eu já estou pressionada. Na hora que eu deixo de dormir cedo pra ficar aqui no blog escrevendo, eu fico pressionada, e eu n sei até onde isso é errado. Eu não sei até onde eu estou me prejudicando com isso. Porque eu nao quero dormir e acordar e nao ter feito o que eu queria. Nao ter explicado o que eu sinto. Não ter resolvido meus problemas. O problema são os outros, mas não somente eles. O problema também sou eu. E esse é o problema. Cada um tem o seu. :/

quinta-feira, 30 de abril de 2015

É só uma fase.

Será que tudo o que eu penso realmente existiu? E eu me pergunto tanto, porque parece que foi tudo um sonho. Um sonho mesmo, porque não aconteceu. Eu não fiz o que era pra ter feito - e nem você. Isso tudo porque eu já não tenho você, e eu penso em você porque você já não é meu como chegou a quase ser no outro dia. O fato é que eu estava muito confusa, muito. Então as coisas somente aconteceram.

Mas eu quero deixar claro, agora que já passou mesmo, algumas coisas que você não sabe a meu respeito. Você gosta de dançar? Eu não sei se gosta, mas você gosta de música, e também gosta de cantar. Então quem sabe formaríamos a dupla perfeita, porque eu amo dançar. E eu estou aprendendo a tocar violão, e eu precisava de mais um para fazer uma dupla. Há tantos por aí para somar, mas eu queria você. Confesso que eu fazia um pouco de charme, mas essas coisas fazem parte. Se você não sabe brincar, o problema não é meu. Não nesse sentido.
E naquela festa, eu senti fata de um par, porque eu queria muito dançar aquela música contigo. Eu confesso que fui tentar dançar outra dança, mas não soou bem, os passos não encaixavam, a música perdeu o brilho. E eu desisti de procurar, e fui dançar sozinha.
E eu danço muito bem. E eu imito as outras pessoas dançando. Chaga a ser engraçado, não é? Mas muitas das danças eu só faço longe dessa multidão porque tem muita gente, tem bem mais do que eu gostaria.
E eu tinha falado que os seus olhos iluminam por onde você passa? Isso não era mentira, eles continuam iluminando. Quem sabe eu nem gostava tanto assim de você, quem sabe era só a companhia que me fazia bem e eu tirava proveito disso. Mas não é isso que as pessoas que se gostam fazem? Compartilham a boa companhia?  Mesmo que não seja, os seus olhos falam muito mais do que qualquer palavra. Não precisava falar.
E eu tenho a mania de pensar que os outros esquecem, e eu penso que os meus breves desabafos quando ainda mal nos conhecíamos, você nem lembra mais. Mas talvez você lembre. E talvez você saiba o quanto eu lutei para me aproximar.Foi uma luta, e eu consegui, mas não posso culpar-te por ter se afastado. Todo mundo tem um limite, e eu não posso te idealizar - você também tem os teus desejos e, uma vez que sou apenas uma amiga, uma colega de trabalho, teria sentido te julgar por isso?

Ei! Boa sorte ai, tá? Que você cresça como ser humano, como indivíduo. Mesmo do outro lado desta via expressa. Não vai me incomodar, a menos que passe na minha frente. Portanto, fique aí, onde está. Você não tem o direito de me privar da felicidade. Ninguém está te usando e para de se achar o centro do universo. Todo mundo busca um pingo de verdade de si próprio no outro. Cada momento juntos, cada palavra trocada, foi sincera, foi de verdade. Eu gostei. E até lembro de você ao ouvir algumas músicas que tocaram e desbotaram na rádio. Músicas que me remetem sempre ao cara ao lado.
Obs.: eu sou ciumenta, tá? Disso, você não deve saber. Será que você pensa, de vez em quando, em mim? Será que você gostava do meu jeito? Será que você lembra de mim, sem querer, no meio do dia? E fica se perguntando se poderia ter sido diferente? Se lembra quando eu fiquei até tarde te esperando pra irmos juntos embora? Se lembra de eu cantando? Se lembra do cinema? Se lembra da gente indo até a lojinha conveniada do posto, mas eu não quis nada de lá, embora você insistisse? Você se pergunta se eu sou assim tão ingênua? Ah, isso você não se pergunta, isso você tem certeza.

Mas, ei! (É só uma fase).


Só uma fase.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Tudo como nós

  1. Somos treinados para sermos submissos. Submissos às ordens, aos adultos, aos mais velhos. Tudo isso nos cria uma baixa estima quando somos crianças que é o suficiente para nos manter civilizados o resto da vida, tendo os nossos medos e dúvidas como limites próprios. Não obstante, ao crescermos e ternos nossa tão sonhada liberdade, longe das coleiras que a imaturidade e inexperiência nos obrigam, somos apunhalados pela sociedade,que têm intrínsecos a si toda a carga ideógica, moral, preconceitos e entraves. Não pedimos, mas somos impostos à lei, ao sistema, às normas em prol da possibilidade de uma convivência harmonioza. Ok. Até aí tudo bem.
  2. Contudo, você quer mesmo vir até mim pra dizer que não está tudo bem contigo?  Você ainda consegue carregar algum peso com a ideia de que há alguma coisa errado em você não se encaixar nos padrões modernos? Você se culpa por não aguentar, em algum momento, a pressão a que foi exposto? Ainda pensa que há alguma chance de ser considerado normal?
  3. Pode apostar que você está bastante enganado. É bem difícil alguém no meio desta correria doida estar realmente normal. Porque o nosso normal não é o normal aqui estabelecido. O normal da atualidade é um normal, talvez, para um super-homem ou workaholic por natureza. Não você. E então, com toda essa carga amontoada e todo o resto que se acumulam dos dias anteriores, falta a você se lamentar porque é incapaz que dar conta dos compromissos ou engolir e sorrir um sorriso torto mesmo, saindo bem na foto - afinal estamos na era da aparência. 
  4. E aí, você realmente se surpreende? Realmente ainda não sabe em quê você errou? Deixa eu te explicar então: você fez tudo direito. Foram eles que te erraram.

domingo, 26 de outubro de 2014

Sobre hoje, 26/10/2014

           Senpre que eu me sinto mal, estressada, com vontade de esfriar a cabeça..., recorro ao meu celular. Ligo-o e me desligo do resto em volta. Rio sozinha, deslizo os dedos sobre a tela, revejo pessoas queridas, falo com algumas, mas procuro não me pronunciar muito com ninguém, pois a possibilidade de eu ter que ficar à mercê de uma resposta qualquer da outra parte, caso ela peça pra que eu a espere para que vá escovar os dentes, se ela simplesmente some após eu ter feito uma pergunta,  etc, são exemplos daquilo que eu julgo como perda de tempo. De fato, não é agradável ficar à frente de uma tela esperando, sem garantias de que o outro indivíduo leu a sua msg, uma resposta da outra parte. Diferentemente, numa conversa sem qualquer tipo de tecnologia intermediando-a, o intervalo de tempo entre as perguntas e respostas são bem menores e eles não são perdidos, mas vivenciados, vividos, degustados, aproveitados. O vento que passa, o calor que pinga, o Sol que bate, a gargalhada compartilhada e os pingos de saliva a que temos que nos desviar. O cheiro do perfume, as mãos suadas, a obrigação de ter que aturar o outro sem poder dizer que a bateria acabara, e desligar a fala, abaixar o volume da voz, volocar no silencioso. Ao contrário: a voz grita, vibra , cala e fala ao mesmo tempo.

            Acho que ficamos mais inflexíveis. Tudo tão definido, premeditado, organizado, mesquinho. Somos treinados para ter medo da opinião alheia, para seguirmos regras, para nos adequarmos, para fazermos juz à nossa educação que aliena mais do que constrói. Somos obrigados a nos padronizar, seguir um fruxo unidirecional e dito racional, como se apenas pelo fato de estarmos vivendo numa época capitalista a ganància, o egoísmo, a corrupção, a indiferença, o desconsolo  fossem justificáveis. Não penso que são.

           Ultimamente, principalmente  por causa das eleições que passaram, tenho clara a ideia de que para vivermos bem precisamos  adotar uma ideologia, caso contrário, estaremos sujeitos a corrrentes de opinião tão opostas como persuasivas.  Não somos fruto do meio se não quiser os, mas isso exige sacrifícios e a tal da ideologia. Reconhecer que x é melhor do que y sob tais aspectos mas que, ainda assim, você vai sair perdendo,  requer de você uma maturidade de senso crítico e sabedoria para optar por um ou outro na hora de votar. E reconheço que questões como eleger  o melhor candidato são tão subjetivas como geram divergências de opiniões que não se encontrarão, pois os pontos de vista são completamente diferentes. Nunca tinha visto o povo discutir tanto de política como neste ano, seja na van, nas redes sociais, no ônibus, nas ruas, nas escolas. Isto me impressionou bastante, mas não fiquei muito feliz por isso, nem mesmo triste, porque nenhum dos governos atuais satisfaz os meus anseios.

          No fim, apesar de tudo, apesar de você, apesar da TV, das informações, dos debates, continua ruim. Para alguns, menos ruim. Que bom.

       

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Carta pra você

Definitivamente
Não é uma palavra muito romântica
Para se começar um texto
Destinado a você
O problema é que, definitivamente
Homens não entendem as mulheres!

A partir de hoje deixarei bem claro
Tudo que eu disser ao meu garoto
Pois eles bebem pra ficar loucos
E eu bebo para me calar.

Loucas mulheres simplesmente
Declamam o que vem a sua mente
E degringolam a conversar
Homens se calam pra falar.

Nós, mulheris, queremos sempre
Apenas trocar umas palavras
Como pretexto pro presente
Pra sentirmo-nos mais viventes.

Eles tomam ao pé da letra
Não entendem, se embolam,
E a gente repete, mas sente
Que a besteira já soou fora.

Nós sorrimos pra esparecer
Vocês, pelas piadas momentâneas
A gente voa o tempo inteiro
Vocês planejam a viagem.

Nós ficamos ao seu lado
Por uma questão de afinidade
Vocês é só por vaidade
Que tem validade
Tem validade
Validade
Idade
Dade
De
E.







sábado, 30 de agosto de 2014

Receita

Hoje eu desci do meu quarto e fui até a cozinha, guiada por um rastro de odor de bolo sendo preparado. Mais que isso - bolo de cenoura, meu predileto. Mas mãe, o que é isso, que empolgação e autonomia são essas? De onde surgiu esses ingredientes em cima da mesa? A farinha, os ovos, a xícara de óleo? Você nunca soube preparar o meu bolo de cor!
Mas, sim, algo mudou!
Se hoje o bolo está no forno, ontem ele estava na vizinha aqui do lado, na dona Maria, senhoria simpática que adora xingar as coisas e costurar. O bolo estava lá, escrito à mão, num papel amarelado de caderno escolar. Eu nos meus 6 anos ia até lá e pegava o papel, para que enfim o bolo fosse feito. E que bolo! Mesmo que solado, uma delícia! Até a calda tava na receita. Aquele era o meu bolo de cenoura e da minha mãe e da dona Maria.
Mas neste dia de hoje as circunstâncias têm sido diferentes. Não tem mais papel amarelado, receita de calda. O que tem é celular, internet, receitas repetidas de anônimos. E tem bolo também.
O bolo já está pronto, ainda no forno, e eu vou fazer a calda. Vai ser de brigadeiro. É a melhor!
Mas essa receita eu peguei da dona Maria e gravei pra não esquecer mais. Já fiz brigadeiro pra minhas tias, minha avó, minhas amigas. Já cobri um bolo ruim de padaria com meu chocolate e o bolo ficou bom, daí cantamos parabéns. Mas não enrolo - dá muito trabalho, e a mão fica toda melecada de manteiga.
Por fim, o bolo foi comido. Ainda quente, com mais cobertura que outra coisa. Dei a raspa da lata de leite moça pra minha irmã. Toda criança deve ter o direito de raspar a lata! Antigamente eu não conseguia deixar de comer, hoje eu consigo. É interessante, a gente vai aprendendo a se dar as rédeas e se rende a elas mesmo! O problema é quando "esquecemos" de afrouxá-las.
Poxa, hoje as receitas estão na internet, já nem vou mais à vizinha. Não tem aquela mágica. Untar a forma é normal.
Aiai... E o bolo nem solou! Não é por nada, juro, só acho que vou escrever essa receita numa folha de fichário e mandá-la correndo pra dona Maria qualquer dia desses.

sábado, 21 de junho de 2014

Diário de uma jovem estressada

Não sei se "estressada" seria a palavra ideal. Pra agora, tenho certeza que sim, seria a palavra que eu não colocaria. Porque acabei de chegar de uma festa, e boa. Tudo muito bom, tudo ótimo. E eu me encontrei com eu mesma no passado.
Quando você enxerga que você está ficando muito repetitiva, a tendência é mudar. Mas e se você não enxerga nada? Você não vê, você não muda. Você não corrige, mas você também não piora. Afinal de contas, se "não se mexe em time que está ganhando", e depois ele começar a ser goleado no último minuto da partida, esse ditado é falho. Então mudar ou não não é questão de ficar melhor ou pior... você fica igual, mas porque e simplesmente porque não parou pra pensar se mudava ou não, se estava ou não ganhando, simplesmente porque não parou pra pensar nisso.

Sabe, se um dia eu tiver uma filha, e se ela pedir minha opinião, direi pra ela fazer uma festa de quinze anos. Uma festa do jeito que ela quiser, com ou sem cerimonial, com ou sem choro, grande ou pequena, lotada ou só pra família (= lotada). Sabe por quê? Porque eu já tenho dezenove anos e não fiz uma festa de quinze. Mas e daí? E daí que aquela era a minha época, e eu não sei se isso acontece com todo mundo, creio que não. Mas se comigo aconteceu, digo que a minha época já passou. Nossa, dezenove anos! Sim, não é mais como antes. O mundo não é tão meu quanto já fora. E é nisso que se baseia uma festa de quinze anos. Em alguns casos, como foi o de hoje, na festa em que estive, a festa de quinze anos pode representar a lembrança, em álbum diagramado e vídeo, daquela época banhada a ouro. Todos nós nascemos banhados a ouro. Toda criança é uma dádiva. Hoje, na pista de dança, a mais nova da festa desfilava com seu vestidinho novo, prestigiando a banda que cantava todas as músicas animadas possíveis, como Titanium, do David Gueta, até Show das Poderosas, da Anita, e apenas ela, mais ninguém. Não culpo os outros, não. Também estive sentada todo esse momento, então também deveria me culpar. No meu caso, a culpa era que eu não conhecia ninguém e também do salto alto. Mas quem sabe ali haveria muto mais gente que não conhecia ninguém (o que, ok, é uma inverdade, pois tratava-se de família) ou mesmo todas estavam incomodadas com seus saltos altos. Mas e os homens, hein? Cadê os homens? Ah sim, eles dependem das mulheres para dançar.

Os adolescentes, junto com a aniversariante, se trancafiaram num quartinho e ficaram ali isolados do resto da festa dançando. O mundinho deles, quase literalmente. Mas eu não entrei lá. Tinham todos uns quinze anos. E eu não conhecia ninguém. E eu estava com a cabeça em outro mundo.

Então. Caramba.... uma festa de quinze anos! Eu, com quinze anos, era outra pessoa. Uma menina, linda, com um potencial incrível, uma beleza inerente, uma leveza intrínseca. Dons de todo jovem.

...Dizem que quando se envelhece a pessoa vira criança de novo. Não sei bem isso, não... Talvez sejam as mulheres que, com as pernas exaustas, retiram seus saltos e vão para a pista de dança.
Será que elas descobrem que este mundão é, na verdade, o seu novo mundinho? Não sei, meu Deus.... Não sei nada.

93 Million Miles

As pessoas se esquecem Que ainda que haja cem mil pessoas Que gostam de um mesmo vídeo Na internet Cada uma delas guardará muitas diferenças Que abrirão parênteses Para mil modos diferentes de interpretação. Por isso, ainda que mil pessoas chorem Haverá mil choros diferentes. Ainda que mil pessoas aplaudam Haverá mil aplausos diferentes. Então seja você mesmo Porque de um jeito ou de outro Você pode até guardá-los Mas os motivos os quais te movem Permanecerão moldando você. ;)

Música: 93 Million Miles

93 Million Miles
93 million miles from the sun
People get ready, get ready
Cause here it comes, it's a light
A beautiful light, over the horizon
Into our eyes
Oh, my, my, how beautiful
Oh, my beautiful mother
She told me, son, in life you're gonna go far
If you do it right, you'll love where you are
Just know, wherever you go
You can always come home

240 thousand miles from the moon
We've come a long way to belong here
To share this view of the night
A glorious night
Over the horizon is another bright sky
Oh, my, my, how beautiful
Oh, my irrefutable father
He told me, son, sometimes it may seem dark
But the absence of the light is a necessary part
Just know, you're never alone
You can always come back home
Home
Home
You can always come back

Every road is a slippery slope
But there is always a hand that you can hold on to
Looking deeper through the telescope
You can see that your home's inside of you

Just know, that wherever you go
No, you're never alone
You will always get back home
Home
Home

93 million miles from the sun
People get ready, get ready
Cause here it comes, it's a light
A beautiful light, over the horizon
Into our eyes
93 Milhões de Milhas
A 93 milhões de milhas do Sol
As pessoas preparam-se, preparam-se
Porque lá vem, é uma luz
Uma linda luz, além do horizonte
Para dentro de nossos olhos
Oh, minha nossa, que lindo
Oh, minha bela mãe
Ela me disse, filho, você irá longe na vida
Se fizer tudo direito, amará o lugar onde estiver
Apenas tenha certeza de que onde quer que vá
Você sempre poderá voltar para casa

A 240 mil milhas da Lua
Percorremos uma longa distância para pertencer a esse lugar
Para compartilhar essa vista da noite
Uma noite gloriosa
Além do horizonte há outro céu brilhante
Oh, minha nossa, que lindo
Oh, meu pai irrefutável
Ele me disse, filho, às vezes, pode parecer escuro
Mas a ausência da luz é uma parte necessária
Apenas tenha certeza de que você nunca está sozinho
Você sempre poderá voltar para casa
Casa
Casa
Você sempre pode voltar

Toda estrada que é uma subida escorregadia
Mas sempre há uma mão na qual você pode se segurar
Olhando profundamente pelo telescópio
Você pode perceber que seu lar está dentro de você

Apenas tenha certeza de que onde quer que você vá
Não, você nunca está sozinho
Você sempre voltará para casa
Casa
Casa

A 93 milhões de milhas do Sol
As pessoas preparam-se, preparam-se
Porque lá vem, é uma luz
Uma linda luz, além do horizonte
Para dentro de nossos olhos




Link: http://www.vagalume.com.br/jason-mraz/93-million-miles-traducao.html#ixzz35LAdPAyc

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Poema do Amor Incondicional

Algumas pessoas sofrem.
Algumas pessoas riem.
Algumas pessoas, ainda, sobrevivem.
Mas há ainda aquelas que esperam.

Ainda que inconscientemente,
Ainda que desesperadamente,
Esperam insaciavelmente,
Debruçadamente 
Numa murera de sonhos e paixão.

Ó, se estas pessoas assim soubessem
Que à falta delas o mundo perece...
Pois elas resistem em se esconder
E nem eu, nem ele, nem elas sabem o porquê.

Talvez seja o aconchego do infinito
Que esta mureta lhe proporciona
E, certa de que não a abandona
Se torna concreto e se imobiliza.

E, assim, tão certa de que a vista é branda
Eu permaneço ao meio dividida
À mureta, sul, à minha vista, norte
Com medo de pisar em falso neste precipício
Que é o amor, talvez a sorte, quem sabe a morte.

domingo, 1 de dezembro de 2013

          Mudanças são repentinas na vida. A verdadeira mudança não requer preparo, predisposição ou pragmatismo. Mudanças são constantemente aleatórias, tal como mutações em que o resultado pode ser benéfico, nulo ou deletério. 
          A parte boa é que nunca se sabe: mudanças são esperanças também. E mesmo que esta esperança seja uma gota dentro dum barril de água, quanta coisa boa a gota pode reservar! 
         Mas a gota requer sacrifícios, muitos dos quais não estamos dispostos a percorrer. A zona de conforto determina o sucesso ou fracasso de um homem, mas isso é relativo: baseia-se no PONTO DE VISTA. 
           E é por isso mesmo que um pobre miserável de mente pode ser tão feliz quando um doutor em sei-lá-o-quê. Aliás, que bom! Porque isso possibilita que vejamos o mundo sob diferente óticas, e você percebe que tanto absurdo e barbaridade que se vê por aí pode ser uma simples questão de obscuridade: da mente de quem comete os absurdos, carentes de uma boa alma que lhe mostre e defina o que é o que. 
Então, mudanças, ah sim.
          Mudança atrela-se a saudade. Ah, saudade essa da língua portuguesa, singular e impalpável, mas tão carente que insiste em bater nos portões de nossas vidas. A saudade permeia a vida, que tem membrana semi-permeável, e algumas vezes a vida se enche, fica túrgida, quase sofre lise, mas ela tem Pessoas Carinhosas (P.C.) que te dão apoio na hora H. E estas pessoas também se vão, somem, e você se pergunta como pode tão de repente a criatura estar ali e, no dia seguinte, não mais. Você se pergunta como pode tudo acontecer assim, tão rápido, pois você ainda está ali, parada, porém o cenário muda e as pessoas se vão. E o mundo é tão pequeno que está superpovoado, mas tão imenso que pode-se nunca mais ver alguém. Você se pergunta se as pessoas se importam com a sua vida, e você encontra a resposta: se importam. É claro que se importam. 
           Ao final, o rendimento nunca é de 100%. Você vê que suas reações podem liberar energia ou você pode guardá-las para si, porém ela ocorre. Contanto, esta reação não é reversível: só produtos são formados. E você tenta crescer e adaptar-se para que tudo dê certo e cada produto seja exatamente correspondente àquilo no reagente. Às vezes você está ácido, encontra uma base e sai feliz da vida, uma pessoa com sal. Até para na esquina e vai beber uma água. É tudo tão perfeito. Mas somos todos uma máquina, e o rendimento nunca é de 100%.
         Há métodos para melhorá-lo. Boas companhias, amizades, um empurrãozinho de vez em quando. Só que tem como melhorar. Tem como reagir melhor a tudo isso. Porém o limite é desconhecido, e você se pergunta- por que não? - se você já não teria passado tal limite, contrariando todas as previsões, todas as possibilidades. Seu rendimento é de 100%.
           Mas há máquinas mais modernas, há outros modos de fazer algo, há um jeitinho aqui e ali. Não se trata de uma equação do primeiro grau. O que seria? Uma curva? Não acho. Uma elipse? Uma aula.
Sim, uma aula. Trata-se daquilo que somos feito para reconhecermos que é. Uma curva uma elipse um ponto. Uma gota, sei lá. Os obstáculos são inegáveis. Há tanto contratempo, tanta superação, tanta vontade. Há também tanto sonho que não é possível que não tenha conseguido um rendimento total. Não é. Todo o sacrifício é em prol de um recomeço. A esperança catalisa a reação e nossos produtos vêm mais depressa. No entanto, ainda busco, ainda procuro. Espero buscar corretamente, olhar os parâmetros corretos, ansiar de fato por um mundo melhor. E que este mundo possa começar, ainda que desconfortavelmente, ainda que com empurrões, apertos e solavancos, com a mudança. Pois é este mesmo o caminho para a evolução das espécies. 
        Ah, saudades... como isso entra nas reações? Não faço ideia.